
A menina da vila
Tem uma experiência pelas idas e vindas dos diversos lugares do mundo, mas carrega a simplicidade de um ser humano que não busca a felicidade na matéria, a não ser das que tocam sua alma. Felicidade esta que reflete na casinha aos fundos de uma famosa vila central na cidade grande. E foi naquela noite, não quente ainda, que fui conhecê-la.
Entrei na curta calçadinha que daria até aquele lar de amor, paz e respeito. Quando olho mais a frente, sentada na porta, ela estava com os olhos brilhantes, com uma aura branca linda, que cobria de brilho sua pele bronzeada. Nos seus pés, jardim rico, seus bichinhos e o mundo mais feliz dela. Ah, e trevos da sorte, sorte eu de estar aí naquele momento vivendo aquela cena.
Aproximo-me e me desconcerto com um sorriso que a menina da vila deu, ainda em movimento, as pernas ficaram leves e reduziram a velocidade dos meus passos. Parecia que o chão havia dado lugar às nuvens, minha alma já levitava naquele momento.
Impossível qualquer ser humano de bom coração não se apaixonar com aquela menina. Olhos baixos de sono, alma acordada pra vida e elevada de encantos. Detalhes rústicos ressaltavam a paz do lugar. Paz e sintonia ao entrar, aconchego!
Cama quente, abraços profundos de sentir o coração, as almas conversaram no silêncio do corpo. Corações em fervor pelo encontro repentino, atitude sem medo, inesperado, não planejado. Suspiros que rasgavam desde o silêncio da madrugada até os lençóis. Fiquei desarmado pela doçura da menina. Eu, que achava estar frio de tantas feridas causado pelo tempo, me vi sem imunidade diante de uma pessoa tão limpa e de coração tão puro.
Buscava-me nos meus caminhos, sozinho, a adaptação de uma nova fase de vida. Estou no momento de reencontro com o meu EU. Fase de autorreconhecimento, meditação, reflexão, novas direções. A busca por uma essência adormecida!
Tudo passava pela minha cabeça naquele instante, mas não tinha como deixar de viver aquele momento de elevação, eu me rendo novamente!
Ela adormeceu, meu descanso foi ver a paz do seu sono. A respiração suave e tranquila transmitia a vida em abundância. Pela primeira vez eu vivi um momento que estava sendo muito bom, não passar tão depressa. Era o universo dizendo que no reencontro de dois espíritos a intensidade vai além deste plano, e nos outros planos não existe tempo, horas, minutos, nem dias do ano.
A menina então me transmitia aprendizados reais dos valores da vida com tamanha simplicidade e positividade.
Como ela disse, “somos o viajante e a viagem”, não sei se a verei ela ainda, se o vento vai mudar de rota, mas o coração falava que aquela paz encaixou no meu momento de vida, aproveitei de alma.
A menina da vila não usava salto, maquiagem, batom e nem brincos. Ela simplesmente brilhava com seu jeito meigo, sua voz cativante e sua atenção de mãe, menina mulher cuidadosa, generosa!
A menina da vila me fez entrar na viela da saudade, quando fui dar continuidade ao meu caminho. Cruzou minha vida, sem pedir licença ficou pra sempre!