Diretor técnico de entidade sindical afirma que Brasil precisa de reformas, mas não das propostas por Paulo Guedes

“Não é verdade que não precisamos de mudança na previdência. Nós precisamos. Nós não precisamos de jeito nenhum dessa reforma que o Paulo Guedes encaminhou”. Essas são as palavras de Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do DIEESE. Em conferência coletiva, defendeu a adoção de uma tributação progressiva e acusou o governo de estar “tirando direitos do trabalhador e dando isenções tributárias para empresas”.

Ganz é parte do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos, entidade mantida pelo movimento sindical brasileiro, composta por cerca de 700 centrais sindicais, sindicatos, federações e confederações de trabalhadores. No dia 27 de Abril, após dar uma palestra para estudantes de jornalismo na Câmara Municipal de São Paulo, respondeu a perguntas sobre a atual situação do trabalhador brasileiro. Quanto à questão da previdência social, afirmou que o Brasil precisa “urgentemente” de uma profunda reforma, mas em modelo diferente do encaminhado do Ministro da Economia Paulo Guedes.

“Se chegar aos 65 anos e não tiver 20 anos de contribuição, não pode se aposentar. Portanto não vai receber o benefício. Se for se aposentar com 65 e 20 anos de contribuição, em vez de receber 10 mil vai receber 3.300”, declarou ele durante a palestra, na qual apresentou diferentes dados. “E se falecer e deixar a companheira? Ela vai viver de uma pensão. Dos 3.300, o pensionista vai receber 60%. 1.800 reais. E se o companheiro ou companheira já tiver se aposentado… hoje recebe os dois benefícios. Vai ter que escolher (depois da reforma) um ou outro. Não vai poder mais acumular”.

A crítica foi direcionada à proposta de Reforma da Previdência aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 23. Guedes recentemente declarou que a intenção seria economizar cerca de 4,6 trilhões de reais em vinte anos. Porém, o sindicalista considera uma “estupidez” remover tamanho valor destinado aos aposentados.

Ao ser perguntado sobre a terceirização, Clemente atribuiu a ela uma precarização do trabalho. “Insegurança no trabalho, arrocho salarial, desproteção sindical, e a descontinuidade no vínculo laboral”. Sobre a possibilidade dela gerar empregos e aquecer a economia, disse que pode funcionar, mas que geraria o efeito de uma dinâmica fraca: “Se a renda é menor, o salário é menor, o tempo de emprego é menor, a capacidade desse emprego gerar dinâmica econômicatambém é mais frágil”. Ele também reiterou que “a história mostra que a terceirização aumenta a desigualdade”.

Projeto Repórter do Futuro

A apresentação de Ganz Lúcio ocorreu como parte do curso “Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter”, módulo do Projeto Repórter do Futuro, voltado para estudantes de jornalismo. É voltado à formação e capacitação de futuros repórteres. Foi criado em 1994 sob o nome de Repórter 2000.

Ao todo, são 20 estudantes realizando o curso, após terem passado por um processo seletivo.

Além da OBORÉ Projetos Especiais em Comunicação e Artes, o curso também conta com a realização da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, e apoio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Mais informações sobre o projeto estão disponíveis no site oficial da OBORÉ.

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