Ei,Você. Acorde…

Cinco linhas e quatro espaços. Quanto nessa vida pode caber em cinco linhas e quatro espaços? Quantas línguas, quantas histórias, quantos acordes, amores e tristezas, pausas e colcheias?
A escrita e a música se conectam. Aliás, a vida é música. Quanto de música não existe na reflexão de nossos erros e acertos? Com quantas fusas se apressa o passo de quem está atrasado para o trabalho, ou aos que correm para a vitória? Já pensou em qual acorde define a sua vida neste exato momento?
Juro, pense aí: poderia estar mais pra um sol maior, feliz e eficiente, em um hipotético universo no qual os tons e semitons definissem nossa escala?
Ou um sol sustenido maior, de quem se arrepende de algo e não sabe como se desculpar? Ou até sabe, mas lhe foi tirada a coragem que outros momentos lhe trariam?
Talvez um si bemol menor, quando estamos nos sentindo totalmente sozinhos e desamparados, sem saber para onde ir?
E quando você quer ser mais que um intérprete de sinais, pausas e terças, quintas, sétimas? Quando lhe urge ser um construtor dessa língua imaginária, erigida sob um mar de ideias geniais (e outras nem tanto) dos que vieram antes de nós?
Puta merda, como é difícil. Compor não é tão intuitivo, e infelizmente há quem não nasça com esse dom. Posso dizer que sou um compositor tardio…. É porque o nunca veio antes do agora.