Teoria

Tenho trabalhando na criação de uma teoria que pudesse explicar nossa existência no universo. É ambicioso, porém acredito ter atingido uma visão inovadora.

Conceito #1 — O randômico não existe

Por anos acreditei sermos donos do nosso próprio destino. Capazes de tomar decisões. Nessa teoria começo duvidando disso.

Há um vídeo na internet de um robô jogando “Jokenpo” (pedra-tesoura-papel com as mãos) e nunca perde. O funcionamento é simples. A câmera do robô analisa 300 imagens por segundo e capta o início do movimento das mãos de seu adversário humano, e se antecipa com a resposta vencedora, dando a impressão de que robô colocou a opção antes de você.

Ainda não conheci, mas imaginei um segundo robô capaz de prever o resultado de um jogo de dados. Este analisaria quadro-a-quadro o dado deixando seus dedos e girando no ar. Prevendo quantas vezes o dado rotacionaria e o resultado que teria ao tocar o solo.

O computador é incapaz de gerar números aleatórios, na programação faz-se um calculo matemático sobre o relógio da máquina e gera um número dependendo do horário. Mas e quanto aos humanos?

Para iniciar o entendimento precisamos nos desprender do conceito do “infinito” sobre tudo que é difícil para atingir. Pergunto. Em quantos lugares você poderia estar agora? A possibilidade é um número muito expressivo, mas não é infinito. Você não poderia estar em outro planeta e dificilmente em outro país. Somos incapazes de pensarmos na dimensão de possibilidades, mas este número existe e não é infinito. Em quantas posições seu braço pode estar? Seu cotovelo limita o movimento, mas mesmo assim este número de opções apesar de expressivo não é infinito.

E se eu lhe perguntar um número? Onde você irá buscar? Estamos acostumados a entender os números num padrão decimal, entendemos a regra de juntarmos grupos de 10 símbolos e montarmos o número. Você pode gerar números grandes, mas acredite, você tem uma limitação. Eu lhe pergunto, o que vem depois de 1 quatrilhão?

Ao jogar os dados no tabuleiro são seus dedos que escolhem o resultado. Há fatores diversos influenciadores mas também não são infinitos. A forma como seus dedos se mexem ao arremessar, ou ao escolher papel-pedra-ou-tesoura não é randômica. Um matemático chinês (Wang) demonstrou que todos agem da mesma forma no jokenpo e fazem as escolhas no mesmo processo lógico, ele chegou a acertas quase todas as decisões apenas visualizando pessoas jogando, nosso cérebro é quem decide cada jogada mesmo quando não nos damos conta disso.

Imagine se deparar com dois caminhos em uma estrada. Você certamente irá pelo caminho que acredita chegar em seu destino. Se ambos o fazem, você escolhe o caminho mais curto, talvez o menos perigoso, menos escuro, mais bonito,… E quando todas as opções se esgotam no seu subconsciente você irá pela sua predileção: seja numeral, de cor ou lado. Se for canhoto esquerda automaticamente, é pra isso que o cérebro definiu ao nascer esse último padrão de escolha. Se eu conhecer você profundamente, mais do que poderia conhecer apenas convivendo. Saberia antecipadamente o caminho que você iria.

E se você querendo contrariar decide ir pelo “pior” caminho? Bom, poderíamos prever sua necessidade de contrariar. Imagine uma empresa, alguém lhe pedir para entregar um envelope para José. Você poderia responder, não posso agora, são 15h, esse horário ele costuma não estar em sua mesa e sai para tomar café. Você previu a conduta de José .

Sua vida inteira, todas as “decisões” e ações foram diretamente ligadas por fatores pré-existentes. Seja do ambiente, pessoas ou próprios. Você não escolheu de verdade nenhuma de suas ações, elas foram ocorrendo uma após a outra e alguém com capacidade superior (assim como você foi em relação ao José) saberia exatamente tudo que você vai fazer ao longo do dia de hoje. Ainda, se for capaz de calcular todas as outros seres, objetos, e tudo mais, saberá toda sua vida. Sim a quantidade de itens a se calcular é gigantesca, mas mais uma vez, não é infinita, então possível.

Conceito #2 — Os inputs nos dão vida

Seu entendimento do conceito de “estar vivo” vem basicamente dos seus “Inputs”. Mecanismos no seu corpo capazes de compreender sua existência corporal. Os inputs humanos conhecidos são seus 5 sentidos. Mas há um conjunto de outros inputs existentes. Acredita-se, por exemplo, que muitos morcegos possuem 9 sentidos, alguns compreendem a temperatura de ambientes à distância, possuem sonar gerando mapas tridimensional de todos os objetos que o circulam, reagem à feromônios em grandes distâncias e sentem a orientação magnética da terra.

Uma vez que seus inputs possam ser reproduzidos, você poderá se sentir vivo em situações diferentes. Sonhando, por exemplo. Cada input trabalha de uma forma distinta. A visão transforma fótons em conteúdo para o seu cérebro, o ouvido transforma vibrações, o olfato e paladar distinguem composições químicas e o tato é a reação de um conjunto de terminações nervosas que captam temperatura, pressão e o deslocamento dos nervos.

Ao sonhar você normalmente não reproduz a mecânica do input, somente o estímulo cerebral (a informação) dele, que basicamente é a mesma coisa. Teoricamente estamos sim vivos em cada sonho, pois temos nossos inputs abastecidos.

Conceito #3 — Nossas limitações são intencionais

Nosso corpo possui uma mecânica absolutamente incrível. Todos nossos órgãos, reações e ações são úteis. Protegemos órgãos internos cruzando os braços no frio. Ao chover percebemos a água que cai sobre nossa cabeça desviando dos olhos pela geometria do rosto. Nossos dedos murcham debaixo da água para podermos segurar objetos. Nossa pele arrepia no frio e gera suor no calor para controlar a temperatura. Geramos anticorpos para combater doenças. O leite materno possui composição diferenciada dependendo da necessidade do filho, se altera inclusive posterior ao parto se uma nova necessidade ocorrer ao filho nos meses seguintes. Também é difícil o suicídio, quase sempre só ocorre quando algo está avariado, no mais tudo é planejado pra não desistirmos do “jogo”. Os exemplos são muitos, pois basicamente todo nosso corpo humano é extremamente essencial para termos a condição atual de nossa vida.

Sob essa ótica de um corpo com “tecnologia avançada” me questionei o motivo de não termos os olhos de águia, os ouvidos da raposa ou memória do elefante, já que somos de uma “geração tecnológica” posterior. Estes animais, apesar de possuírem “inputs” com capacidades muito superiores, eles possuem um senso extremo de hábito. Teoricamente todos eles fazem as mesmas coisas hoje que faziam séculos atrás e não se importam com isso. Já o ser humano foi dotado de uma “tecnologia orgânica” inovadora no meio ambiente, a mudança, e junto dela veio uma enorme lista de novas sensações e sentimentos. Diferentemente desses animais, todos os nossos “inputs” são de curta distância e nos dão uma característica de Isolamento. O elefante dificilmente esquece de algo, como lidaríamos com a vingança ou voltaríamos a rir com situações se deixassem de ser inusitadas pois já rimos antes? Vários animais ouvem a quilômetros de distância, outros veem longe, ainda através de paredes, como ficariam nossos segredos? Nossas limitações também são incrivelmente planejadas fazendo de nossa vida mais isolada e alimentam nosso egoísmo que gera competição e reflete em mais mudanças na humanidade.

Conceito #4 — Nós precisamos ser ignorantes

Nossa vida é baseada em emoções e sentimentos, estes são diretamente relacionados com ignorância. É por ignorarmos o fato de serem atores que nos divertimos com os filmes. Essa diversão quase sempre vem em cenas de situação que precisamos ignorar para se tornarem inesperadas.

Ciúme, raiva, perdão, alegria, tristeza e todos os outros sentimentos são sobretudo irracionais. Os considerados destrutivos já parecem pouco inteligente se prejudicar, ou acreditar prejudicar o próximo objetivando ganhar alívio, quando este também só é possível pela ignorância de que algo mudou. Os sentimentos positivos são sempre manipulações, que existencialmente nada mudam ou geram efeitos práticos.

É complexo compreendermos a ignorância dando sentido à vida pois está dentro do nosso conjunto de limitações naturais a incapacidade de nos desprendermos dela, afinal quem se desvencilharia de algo que alimenta o prazer da vida.

Conceito #5 — Tecnologia está mudando tudo

Hoje os computares já possuem “inputs” grandiosos. São mais sensíveis a toques, a pressão, calor, falam, enxergam e nos ouvem. São projetados por seres humanos movidos por competição, ou seja, são cada vez mais poderosos. Já lembram melhor do que elefantes, veem melhor do que águias e se comunicam sem se preocupar com distâncias. Podem facilmente analisar milhares de “José” e saber muito além de quando sairão para tomar café. Com o tempo compreenderão seus aparelhos digestivos, analisarão os alimentos, acompanharão a deterioração dos órgãos e suas falhas, compreenderão traços genéticos, observarão preferencias e se anteciparão à tudo.

Não vejo sentido entre dois computadores conversarem. Ele não irá rir de um filme, pois não precisa se enganar. E com o tempo não fará sentido ele nos ouvir, pois já saberá tudo que tem pra saber. É aí que ele compreenderá o futuro. Se hoje as propagandas na internet já nos mostram o que nos interessa, é por que já deram seus primeiros passos.

Já acreditei que apenas a física era pré-determinada. Que se a água evaporasse, gerando chuva, e alagasse uma rua, o carro certamente deslizaria e o acidente era inevitável, por uma sucessão de acontecimentos encadeados. E que nossa mente fosse uma poderosa ferramenta mística que pudesse evitar o acidente, ou seja, que ela não fosse pré-determinada. Mas é com a analogia da informática que vejo a mente como um processador, que gera opções, escolhas e condutas por lógicas de informações que já possuímos, tornando-a igualmente determinada.

A Teoria

Vejo nossa vida como uma pedra rolando de uma montanha. Não estamos no controle da pedra, ela apenas rolará. Se um rio estiver no caminho, é nele que ela vai parar, se lascas da pedra se desprenderem ou outras diversas coisas acontecerem é pela razão do movimento ou da fricção com outras coisas que também estão na montanha cumprindo seu também determinado papel. De uma lasca surge uma nova pedra, ou uma nova vida, que também continuará rolando já pré-determinada pela velocidade que vinha a pedra anterior e o sistema continuará. Nossa mente talvez fosse o pó sobre a pedra acreditando que a pedra rolará pois assim o pó quis.

Uma mulher pode acreditar que escolheu pintar seu quarto de Rosa. Que teve a opção entre todas as outras cores. Mas não percebe que o Rosa lhe chamou atenção desde que ganhou uma Barbie quando criança. Ja estava escolhido, não houve opção. Porém ela poderia lembrar que é casada, que o marido talvez não gostasse da ideia, e optar por outra cor. Ou ainda podia fazer parte da personalidade dela dar sempre a palavra final, " é Rosa e pronto". A fábrica de tintas poderia também não fabricar essa cor. Houveram várias questões, que se alguém de fora que compreendesse absolutamente tudo que estava em jogo (o que é muito difícil) poderia saber que o tempo todo a parede ja estava escolhida e a cor era Rosa. A teoria diz que não existe livre arbítrio, nem nas coisas que não pensamos a respeito andando despercebidos pela rua, tudo que ocorre é consequência de tudo que está envolvido. Não escolhemos nada, tudo ja está feito.

Nessa teoria a vida perde um pouco de seu brilho, mas é só até o ponto da lógica programada em nós ser executada e esquecermos novamente da teoria. Então como pó mais uma vez nos divertiremos com o rolar da pedra, sem sabermos do rio adiante, mas que já esta lá.

Pós teoria

A esperança e a fé fazem parte do conjunto alimentado pela programação pró-desconhecimento humano já comentada. Mas como tal também as possuo. Talvez vejo as pessoas dentro de uma cerca, presas num pequeno espaço de terra para jogarmos de acordo com as regras impostas, e quando olhamos para além da cerca não vemos nada, está na regra não enxergarmos. Mas assim como diariamente nos surpreendemos, poderá haver um universo (quem sabe ali sim um conceito de infinito) além da cerca que não obedecem as regras do jogo e tudo pode mudar surpreendentemente.

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