Sobre ser Autêntico

Lá estava eu, cantarolando pela linda Budapeste, quando me deparo com uma feira gigante na Praça da Liberdade, ou Szabadság tér, se preferir. (Não, não bati a mão acidentalmente no teclado.)

Depois de tendas e mais tendas de comidas com carnes penduradas logo a frente se destacou um curioso chapéu pontiagudo de gnomo bem grande e felpudo no meio da multidão.

Debaixo daquele chapéu estava um sujeito que tiraria de mim grandes sorrisos dentro de alguns poucos minutos.

Esse simpático homem, habilidosamente tocando seu violino de brinquedo com uma colher de madeira enquanto fazia sons engraçadíssimos com a boca, capturou minha atenção de maneira mais instantânea que miojo.

Não só porque ele estava tocando seu singelo instrumento com um respeitável chapéu de cone — mas porque eu senti que tudo aquilo era tão singular, natural e divertido que sua presença me contagiou.

E carambolas, COMO eu fico feliz de me deparar com artistas assim.

Sr. Gnome em sua performance virtuosa

Não conseguia conter meu sorriso ao ver crianças de todos os lados vindo interagir com ele, enquanto ele mesmo as estimulava a apertarem seu nariz e puxar suas orelhas, que emitiam maravilhosos sons de relógico cu-co.

Depois de alguns segundos ficou claro daonde vinha toda aquela minha admiração: aquele dito gnomo húngaro era extramemente autêntico.

Em outras palavras: eu não precisava medir esforços pra gostar do que ele estava fazendo. Aquilo tudo parecia tão sincero e pessoal pra ele que magicamente esse sentimento se transferiu pra mim.

Foi assim que cheguei a conclusão de que para ser autêntico você precisa ser visceralmente pessoal consigo e sua arte.

Com o Sr. Gnomo eu aprendi que ser autêntico não tem nada a ver com fazer algo totalmente inovador e absurdo — mas sim algo tão pessoal pra você que as pessoas não conseguem deixar de notar.

Köszönöm, György Zathureczky — continue com o trabalho inspirador, sempre! ⚓