Pantera Negra: Conhecer sua força é revolução

Pantera Negra estreou nos cinemas brasileiros na última quinta feira, 15 de fevereiro, e faz parte do desenvolvimento do universo compartilhado dos heróis Marvel. O personagem de Chadwick Boseman fez sua estreia em 2016, no filme Capitão América: Guerra Civil.

Desde o anúncio do filme, até alguns minutos antes de entrar na sala de cinema, tive a certeza que Pantera Negra procuraria fortalecer todos os que se identificassem com sua história.

Se passando em Wakanda, reino fictício no coração da África, o filme nos apresenta toda a mitologia de um lugar fantástico e rico. Um elenco poderoso, que conta com nomes mundialmente reconhecidos, ajuda a contar uma história de identificação que, mesmo com décadas de existência, permaneceu escondida.

O elenco de Pantera Negra contém nomes de peso, como Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia), Michael B. Jordan (Creed), Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão), Angela Bassett (American Horror Story/9–1–1), Danai Gurira (The Walking Dead), Daniel Kaluuya (Corra!) e Letitia Wright (Black Mirror).

A riqueza do filme não vem apenas da tecnologia e do aspecto futurista da produção. Ela vem em sua forma mais pura: a cultura preservada por um povo que sabe seu lugar no mundo. Um povo que respeita as próprias diferenças e entende que cada um tem seu espaço, suas habilidades e seus papéis igualmente importantes.

Por um olhar técnico, a representação visual é impressionante. Mesmo com um design fantástico e futurista, a produção faz questão de colocar à frente dos personagens o dever com sua ancestralidade.

Esse cuidado em criar raízes importantes mostra a força de um povo que se une para sobreviver em um mundo hostil. Por este motivo, o filme deixa de ser apenas visualmente bonito. Ele traz ao público uma reprodução emocional e pessoal de uma história de luta e revolução.

Michael B Jordan (interpretando Killmonger) e Chadwick Boseman (interpretando T’Challa) se enfrentam como personagens com ideologias divergentes.

Outro aspecto importante do filme, é como ele fez um paralelo detalhado da vida de pessoas negras por todo o mundo.

Wakanda é um reino ideal, próspero e unido. O exemplo de uma comunidade que se ergueu com o sangue do próprio povo e honra suas tradições. Mas o resto do mundo não é assim. Mesmo se passando em um universo mitológico, Pantera Negra faz um paralelo importante com o mundo atual.

Através da história de personagens negros de poder, também conhecemos a história de pessoas que, ao redor de todo o mundo, não tem a mesma sorte. Pessoas oprimidas, julgadas e marginalizadas. Pessoas que vivem nos subúrbios e sofrem com a violência das ruas, e aquelas que têm todos os seus direitos negados.

O trabalho de Lupita Nyong’o e Michael B. Jordan é fantástico ao ser o ponto de convergência entre o que podemos ver e o que só podemos imaginar. Toda a dor de pessoas que se corrompem em busca de uma vida digna e daquelas que nunca tiveram a chance de se tornar alguém é demonstrada sem filtros. Essas pessoas existem, algumas até mesmo em nossa vizinhança.

Lupita Nyong’o, Letitia Wright e Danai Gurira.

Um questionamento importante, levantado de forma sutil durante todo o filme, é o de identificação. Afinal, quem somos no mundo? Qual o nosso papel em tornar a sociedade que vivemos melhor? O que devemos fazer?

A produção se apoia em escolhas fortes e divisivas para, no fim, mostrar as duas faces de uma sociedade aparentemente perdida. Os personagens enfrentam complicações que os levam a refletir o papel de cada um não apenas na sociedade que vivem, mas também naquelas sociedades que os rodeiam.

As personagens femininas da produção são tratadas de forma intensa. Em nenhum momento são fragilizadas. Sejam guerreiras ou integrantes da família real, elas sabem quem são, e quem devem ser. E sabem que tem um papel de importância na sociedade que vivem. Dominam a tecnologia, as estratégias e missões por toda a trama. Elas são a representação de mulheres que devem enfrentar ambientes hostis diariamente, e o principal exemplo para todas as pequenas garotas que não vêem pessoas como elas na TV.

No fim, a mensagem é clara. Em um mundo em que somos oprimidos, precisamos criar mudanças. Mas essa revolução não é alcançada quando tentamos dominar os opressores ou esperamos que eles evoluam por conta própria. A mudança chega quando nós encontramos nossa força e ajudamos a fazer com que outros também a encontrem.

Alguém sempre nos diz, desde crianças, que filmes, séries, músicas e livros tem a capacidade de nos transportar para lugares incríveis. Mas eles também podem nos mostrar que não estamos sozinhos. Que podemos mais.

Pantera Negra abraça essa premissa com todas as suas forças, e não surpreende o fato de que existem tantas campanhas para que comunidades carentes possam ver este filme. Todos deveriam vê-lo.

Sentir-se representado é muito mais do que ver alguém que se parece com você na tela do cinema. É ver alguém que tem orgulho de ser seu igual, e perceber que você também faz parte daquela história.

Pantera Negra está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.