Melhores Filmes de 2019

Levando em consideração apenas lançamentos do circuito brasileiro e home video/VOD.

25 — Eu não me importo se entrarmos para história como bárbaros (Radu Jude, 2018)

Em tempos em que a extrema direita se encontra em ascensão em todo o mundo, o cinema tem se voltado a refletir sobre as possíveis razões para esse fenômeno. Em seu exercício sobre memória e nação, patriotismo e política, Jude faz um dos mais potentes filmes sobre fascismo contemporâneo. Um povo escolhe aquilo que quer lembrar e o que convenientemente prefere esquecer.

24 — Fourteen (Dan Sallitt, 2019)

Dan Sallitt é um dos autores mais interessantes do cinema independente estadunidense contemporâneo — e um dos poucos que merece ser considerado realmente independente. Com um trabalho de direção de atores bastante particular, ele conquista um raro equilíbrio entre formalismo, estranhamento e capacidade de comoção. Em seu mais recente filme, Sallitt traça um retrato muito genuíno sobre depressão e amizade na vida adulta.

23 — As filhas do fogo (Albertina Carri, 2018)

Um road movie queer latino pós pornô. Simplesmente tudo pra mim. O tipo de experiência cinematográfica que se torna cada vez mais rara, mas que ainda é capaz de ser realmente transgressora e potente.

22 — Uma mulher alta (Kantemir Balagov, 2019)

Um amigo me disse que esse filme faz bem feito o que tentaram fazer em A vida invisível, e fez completo sentido pra mim. O corpo enquanto lócus do trauma e das expressões de vida. O século XX reconhecendo os rostos de suas mulheres.

21 — Entre facas e segredos (Rian Johnson, 2019)

Um filme extremamente original e contemporâneo que ao mesmo tempo consegue ser muito fiel ao estilo tradicional de um bom filme policial whodunit. Um elenco inspirado, um roteiro delicioso e engraçado e a direção de um dos melhores (e mais desvalorizados) diretores de Hollywood atualmente. Num mundo ideal, esse seria o tipo de filme que ganha 11 oscars.

20 — Holiday (Isabella Eklöf, 2018)

Impecável trabalho de estreia, o filme de Eklöf complica e desconstrói as teorias feministas do cinema. Se o rape revenge thriller pode ser a cara do feminismo girl boss, Holiday retira qualquer romantização do empoderamento feminino e analisa a categoria mulher enquanto um serviço precário. É um filme que buga o que a gente entende por boa representação feminina no cinema.

19 — Divino amor (Gabriel Mascaro, 2019)

Melhor filme brasileiro de 2019 e uma das melhores reflexões sobre o Brasil atual. A ficção científica de Mascaro nos lembra que a distopia de alguns é a fantasia utópica de outros.

18 — Fora de série (Olivia Wilde, 2019)

Embora tenha sido lido como uma versão feminina de Superbad, o filme de estreia de Wilde na direção compartilha muito mais com um certo cinema adolescente dos anos 80, ao mesmo tempo em que concilia sensibilidades muito contemporâneas. Um humor bastante ingênuo lidando com discussões muito maduras.

17 — Um amor impossível (Catherine Corsini, 2018)

Um melodrama em três tempos que acompanha meio século da vida de uma mulher, vivida com maestria pela sempre excelente Virginie Efira. E como todo bom melodrama, faz uma reflexão excelente sobre o pathos da maternidade no século XX.

16 — Vidas duplas (Olivier Assayas, 2018)

O declínio do império americano de Assayas, discute arte, tecnologia, política e futuro de uma maneira incrivelmente madura, rica e sem simplismos. E pra deixar tudo ainda mais delicioso, traça uma rede de infidelidades entre seus personagens da alta elite.

15 — O mau comportamento de Cameron Post (Desiree Akhavan, 2018)

Um dos melhores filmes a discutir homossexualidade e religião e um dos coming of ages mais bonitos do cinema recente. O cinema queer segue vivo e vivaz.

14 — Maus momentos no Hotel Royale (Drew Goddard, 2018)

Em um curto espaço de tempo e em um único cenário, Goddard consegue concentrar tudo que a virada dos anos 60 representou para a cultura norte-americana. O Era uma vez… em Hollywood que fez bem a pesquisa do período histórico que retrata. E Cynthia Erivo merece mais reconhecimento.

13 — O peso do passado (Karyn Kusama, 2018)

2019 foi o ano em que Garota Infernal finalmente recebe o reconhecimento que merece. Espero que O peso do passado siga essa tradição e que daqui 10 anos essa obra-prima de Kusama seja compreendida como deve.

12 — Poderia me perdoar? (Marielle Heller, 2018)

The queer art of failure.

11 — Velvet Buzzsaw (Dan Gilroy, 2019)

O filme mais camp do ano e o melhor episódio de Black Mirror. A vingança da arte contra a mercantilização de suas sensibilidades.

10 — As golpistas (Lorene Scafaria, 2019)

A classe do trabalho sexual vai ao paraíso. O Coisas belas e sujas do capitalismo tardio.

09 — Longa jornada noite adentro (Bi Gan, 2018)

Eu sempre fico contente em ver um bom uso do 3D no cinema. Quando o 3D está aliado a um plano sequência de 50 minutos perfeitos, aí a gente tem certeza que está vendo história ser escrita.

08 — A favorita (Yorgos Lanthimos, 2018)

Lanthimos desconstrói a biopic histórica e revisita a História como um filme adolescente dos anos 90.

07 — Faca no coração (Yann Gonzalez, 2018)

O giallo sempre foi marcado pela presença de personagens queer e uma estética camp. Finalmente alguém se apropriou do repertório giallo para fazer um filme queer.

06 — O professor substituto (Sébastien Marnier, 2018)

A angústia da geração Z e o medo que os adultos tem das crianças em um atmosférico texto queer.

05 — País da violência (Sam Levinson, 2018)

A revolta dos perseguidos não precisa ser punitivista. O apocalipse digital mostrando caminhos para a possibilidade de construção de novos mundos.

04 — Amor até as cinzas (Jia Zhangke, 2018)

Godard disse que o cinema se faz com uma mulher e uma arma, mas Zhangke leva isso para outro patamar enquanto reflete toda uma década.

03 — Jessica Forever (Caroline Poggi e Jonathan Vinel, 2018)

Um exército de amantes jamais será vencido.

02 — Atlantique (Mati Diop, 2019)

Os fluxos migratórios enquanto filme de horror; o fabulismo e a mitologia regional como meio de reconciliação com o passado.

01 — Vox Lux (Brady Corbet, 2018)

Para alguns é muito prepotente um filme que se autodeclara como o retrato do milênio, mas eu realmente acho que Corbet cumpriu muito bem essa tarefa. Terrorismo e cultura pop enquanto fundamentos do zeitgeist.

Henrique Rodrigues Marques

Written by

“Eu sempre exagero. Esta é minha única qualidade.”

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade