O poder de um isso


Desde os primeiros dias de vida estabelecemos diversos laços de amizade. O vínculo com os pais é criado desde o ventre, inclusive, quando a comunicação se da através de pequenos chutes que são trocados por carinho e beijos em uma enorme barriga. Com o passar dos anos, o afeto pelos familiares se da quase que instantaneamente. Das partidas de futebol com os primos até os bolinhos de chuva em um dia cinza, na casa da vó. Férias na casa dos padrinhos, visitas ao zoológico, veraneios em uma casa de praia na companhia de 15 pessoas, enfim, toda e qualquer atividade em família é sempre muito bem vinda, quando somos pequenos — e algumas permanecem prazerosas depois de anos. Eis que, ao atingir certa idade, criamos afinidade por pessoas de fora do grande circulo. Pessoas as quais encontramos no caminho da vida. Seja na escola, no time de futebol, em uma locadora de vídeo games ou nas ruas do bairro. São ingênuas e inconstantes, mas que nos enchem de alegria por anos e anos — às vezes meses, às vezes dias, horas -, mas que parecem ter prazo de validade. Tudo flui com normalidade, até que um dia “boom”, o mundo gira com tanta velocidade que nada parece estar no seu devido lugar. Uma nova escola ou um novo bairro fazem tudo mudar. De repente, nos vemos tão solitários que choramos com o rosto no travesseiro por não ter mais aquilo que tínhamos antes da tal mudança. E é neste momento que tudo acontece. A grande mágica da vida, ou pelo menos, uma etapa que promete ser incrível: a adolescência.
É nesta fase, em meio a mudanças, descobertas e criações, que um novo rumo parece ter sido traçado pelo doutor destino. Conhecemos algumas pessoas, que nos apresentam outras pessoas e, quando menos esperamos, nos vemos inseridos em um novo mundo. Um grupo de pessoas que passa a conviver junto, frequentar as casas uns dos outros, conhecer os pais, as famílias e uma série de outros acontecimentos. Com o passar do tempo, algumas destas amizades acabam caindo no esquecimento, ou se afastando por qualquer motivo que seja. Em contrapartida, outras são fortalecidas e criam raízes tão profundas que nem em sonho conseguimos imaginar até onde podem chegar. As barreiras são cada vez menores e os limites tornam-se pó na imensidão. Até que chegamos ao ponto onde não conseguimos mais explicar onde tudo começou ou como foi que chegamos até onde estamos. Só sabemos que sentimos os melhores sentimentos por estas pessoas, e queremos que elas sejam imensamente felizes e realizadas em suas vidas. Queremos viver mais e mais momentos juntos, sem ver um fim para isso tudo. Tentando entender este processo, buscamos explicações lógicas e racionais para entender como e porque estamos aqui hoje. Sem sucesso. Aí entram os ideais, os pensamentos e as vontades. Ora, como não vamos entender algo que nós mesmos ajudamos a construir. De repente, em meio a conversas calorosas e regadas à sorrisos, estamos falando sobre um sonho a ser realizado e, ao terminar a frase, todos se olham e dizem: “É isso”. E sim, realmente, é isso. Todos temos nossas particularidades, nossas formas de pensar e enxergar a situação, porém, quando falamos em um grande objetivo de vida que englobe todos daquele circulo de amigos, as diferenças tornam-se mínimas e o nós reina soberano acima do eu.
A felicidade só é real, quando é compartilhada.
