Um picolé de limão: Baby Driver (Em Ritmo de Fuga)

Não tem como escapar do ritmo frenético de Edgar Wright

Um carro carrega três assaltantes carregados de armas até os dentes. Os três saem do veículo, entram em um banco e promovem um assalto com direto a reféns e tiros. O motorista aguarda em um carro vermelho a saída dos bandidos, deixando no ar um pequeno detalhe: o motorista é um jovem, que de posse dos seus fones de ouvido se deixa levar por uma canção agitada. A canção é Bellbottoms do The Jon Spencer Blues Explosion. Agitado, ele chacoalha os braços, ombros, bate a mão na cabeça, enquanto os assaltantes estavam em ação. Assim que saem no banco, entram no carro, o garoto não é mais o mesmo. Sua habilidade em dar partida, acelerar, dar ré, entrar em vielas e se desvencilhar da polícia, se da enquanto ainda ouve a canção, enquanto o seu rosto mostra o quão compenetrado ele se encontra. O seu nome é baby. B-A-B-Y.

Em um dos raros momentos recentes na história dos filmes de verão americano, Baby Driver (Em Ritmo de Fuga no Brasil) entrega um roteiro engraçado, divertido, com cenas de ação de tirar o fôlego, não chateia, nem perde tempo. O diretor aqui é o cara que nos entregou um dos melhores filmes da década passada, Shawn of the Dead (Todo Mundo Quase Morto), Edgar Wright. Seu feeling para misturar doses de cultura pop e trilha sonora arrebatadora encontra em ‘Baby Driver’ o seu ápice. Sobretudo na sua qualidade como diretor, dosando as melhores cenas de ação com carros, com ótimos personagens e escolha dos atores perfeitos para o papel. O estreante Ansel Elgort entrega uma atuação bem bacana como o protagonista Baby (O atendente de uma cafeteria parece não acreditar no nome).

O melhor em Baby Driver é a prova de como o cinema pode entregar coisas boas e originais sem apelar para maniqueísmos e histórias repetitivas. O que torna a sessão um deleite, um prazer para quem senta na poltrona, algo que não se via tão facilmente em tempos em se tratando de blockbusters.

Desejo que não haja continuação desse filme. O grande prazer em Baby Driver é o do cinema sem aproveitamento barato de histórias antes originais e tornado em um produto ou franquia. O prazer de acompanhar um evento assim é difícil de aplausos.

A trilha sonora é o combustível aqui. Havia esquecido o quanto é legal a canção ‘Easy’, do The Commodores. O filme se transforma em um grande revisionismo da grandeza das canções e melodias dentro de um filme. Elas abraçam a concepção da obra e cria um ambiente agradável de estar. Quando baby põe os seus muitos Ipods e passamos a estar dentro de sua cabeça dirigindo carros, a música passa a ser um combustível. E é nesse ritmo que ele encontra Débora (a graça de atriz Lily James) em uma cafeteria. O amor passa a tomar conta de sua vida.

Para ser assistido no cinema, esse filme supera qualquer grande expectativa já colocada depois da exibição no SXSW desse ano. É uma experiência deliciosa para um filme e sem dúvida pela ousadia do diretor já é colocado com um dos grandes filmes do ano. Um primor.

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