Um picolé de limão: Memento

Um quebra-cabeça de cenas filmadas embaralhadas em nossas cabeças…

Não é simples ficar a vontade e ver o segundo filme do consagrado diretor Christopher Nolan sem encarar a busca frenética por sentidos na cabeça como se o diretor pegasse as todas cenas do filme, transformasse em peças de um quebra cabeça e colocasse sobre nós, espectadores.

Para Leonard, ou Lenny (Guy Pearce) se preferir chamá-lo como a esposa dele o chamava, sua vida não passa de uma montanha russa, desde quando um evento acabou com a sua existência: dois sujeitos mataram e estupraram a sua esposa. O que fica claro para ele é que um sujeito de nome John G. é o culpado e para piorar no momento em que a tragédia ocorreu, ele levou uma pancada na cabeça e agora já não se lembra de mais nada que acontece em curto período de tempo, que ele não gosta de chamar de amnésia. É algo ainda pior, tornando difícil acompanhar o que acontece.

O filme possui uma estrutura narrativa arrebatadora e que nos deixa atônitos indo do final ao começo, apostando numa história com um fim que começa a ter sentido no final. Final esse que é ainda mais embaralhado. O grande mérito de Nolan aqui, num roteiro baseado numa história criada pelo seu próprio irmão Jonathan Nolan, é tornar ainda mais difícil entenderemos tudo, quando tudo é simples demais… mas não o bastante para entendermos tudo. Se parece confuso, acredite é assim que o filme se apresenta. Ao refletir sobre a necessidade humana em se refletir em espelhos para ver a figura que se apresenta, nas cenas finais, Memento se apresenta como um espelho ao refletir sobre muitas imagens e reflexões. A vingança aqui é o de menos, o importante é saber quem ele é e o que resta afinal.