Peter Hook bebendo uma Skol?!

Foto tirada em 02 de agosto de 1979 por Jill Furmanowsky, no camarim do Joy Division, no primeiro festival de rock alternativo de 4 noites no Prince of Wales Conference Centre, em Tottenham, Londres.

Você pode achar estranho ver Peter Hook bebendo uma Skol, mas é verdade. O baixista foi flagrado nessa foto tirada em 1979, antes de um show do Joy Division na Inglaterra, bebendo Skol numa “modernosa” lata de alumínio. É, turma, a cerveja preferida pelo brasileiro médio foi lançada há mais de 50 anos na Europa, e é um dos resultados mais estranhos de marketing global que se tem notícia.

Skol Lager.

Sua história começa em uma pequena cidade escocesa no lado norte do estuário do Forth. Em 1959, numa fábrica de Alloa, Willie Granhan, criou a marca de cerveja lager Skol, que é uma palavra derivada do norueguês/dinamarquês/sueco “skål”, que significa o brinde “saúde”. Em 1964, após uma fusão de 4 cervejarias do Reino Unido, surgiu a Skol Pilsen, depois da assinatura de um acordo de criação da empresa Skol International. Em Maio de 1967, começou a ser fabricada no Brasil pelo grupo Caracu. Em 1980 foi adquirida pela rival brasileira Brahma, que posteriormente se fundiu à Antarctica, em 2000, para formar Ambev. Então, em 2004 se fundiu com a Ambev Interbrew da Bélgica para formar a InBev — agora, depois da aquisição da Anheuser-Busch, AB InBev. Além do Brasil atualmente é a maior cerveja na África, além de ser vendida em grandes partes da Ásia e da Índia.

Curiosamente, enquanto isso, na Grã-Bretanha, apesar da Skol ter sido uma das marcas que fizeram a chamada revolução lager — quando uma nova geração de bebedores rejeitou as cervejas seus pais bebiam — chegando a abocanhar 21 por cento do mercado lager do Reino Unido em 1967, começou a decair devido a mudanças em sua fórmula, com adição de cereais mais baratos. Em 1984 foi substituída pela marca Allied como principal lager. Em 2004, quando já tinha tinha mais de 30 por cento do mercado brasileiro de cerveja — tendo sido a maior marca no país desde a década de 90 — foi descrita na Grã-Bretanha como “uma antiga marca barata de supermercado”. Sob a posse da Carlsberg, que tinha adquirido o antigo império da cerveja Allied, em 2011, deixou de ser fabricada na Grã-Bretanha.

Mas o pioneirismo se mantém até hoje, no sentido de que foi a Skol que introduziu no mercado a lata em folha-de-flandres, em 1971, e depois a primeira lata de alumínio — conforme se observa na foto lá em cima — em 79. Em 1993 lançou a lata de 500ml e a garrafa long neck com tampa de rosca. Depois, em 1996, lançou a embalagem long neck de 355ml de conteúdo e em 97 trouxe ao mercado a primeira lata com boca redonda.

Então, Skol, nascida na Escócia, uma vez muito popular na Grã-Bretanha, agora é rejeitada em casa, mas é a queridinha do Brasil, justamente pelo fato que a fez ser desprezada: ser uma cerveja leve e barata, feita com cereais não maltados, que vende a bagatela de 9 bilhões de garrafas por ano no mundo todo.

Depois disso, sua opinião sobre a Skol mudou ao ponto de pedir uma no bar hoje? Não? Que bom. Porque boa é só a história mesmo. Cerveja boa é a que não desce redondo…

Fontes:
https://zythophile.wordpress.com/2012/05/11/how-brazils-favourite-beer-arrived-from-scotland/
http://mundodasmarcas.blogspot.com.br/2006/05/skol-cerveja-que-desce-redondo.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Skol