po(br)emas

Eu filho, tú filhas

A madrugada é a ouvinte das minhas dúvidas.

Somos amantes há tempos.

Ela está prenha de 14 meses.

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No início da relação, era tudo livre, não havia limites

Todo aquele espaço, um convite ao desembaraço

Papeávamos sem medos e sem pudor

Alí podia-se tudo e, assim, explorávamos o nosso amor.

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O mundo às 3 da manhã tem um cheiro de calma

Uma brisa leve com som de alma.

Com tanta abertura me empolguei

E sem camisinha, falei.

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Agora, na barriga estufada, não cabe mais nada

Ansioso pelo parto, questiono o que vai ser.

Esse ser desconhecido, fruto de um verbo não-interrompido

Está prestes a nascer.

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Serei pai e estou com medo

Pois sei, que nunca mais dormirei cedo.