VONTADE

Meu gosto pútrido te dá náusea, ânsia e desespero
Teu rosto melancólico me ronda da janela da tua casa
Passei a noite em claro, babei o travesseiro
Senti teu perfume de rosa e não reclamei de nada
Apaguei teu medo, destilei teu suor com água
Não houve queixas: te pedi um beijo

Mas me fala: o que eu ganho com isso?
O pecado de ver as tuas costas de fora e teu olhos vidrados
A luxúria pedindo incenso no quarto
Pestes, pragas, vírus que não se comparam ao teu charme
Mas me entrego por inteiro e tu m’engole,
Pouco a pouco me domina
Eu dilato tuas pupilas; tu devora minha carne!

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