Meu percurso para me aproximar de Virginia Woolf e apreciar sua ficção levou anos, mas tem sido um instigante. Sinto tristeza ao perceber como suas observações sobre a vida das mulheres ou o tratamento sua ficção são atuais. No entanto, sua coragem, seu compromisso com a experimentação nos textos e o que dividiu com as mulheres que de dispuseram a ouvi-la foi muito rico. Ler Virginia Woolf pode ser um trajeto não linear, com avanços lentos, dúvidas, releituras e pausas…
Mrs. Dalloway é perpassado por um sentimento de inadequação diante do papéis sociais. Todos parecem conhecer a sensação de que falham em representar o papel que lhe cabe. Experimentam um descompasso entre quem são, como se sentem e o que parecem. Podemos não ser cativadas pelos personagens, mas suas questões despertam identificação, angústia, empatia.
Não há nada errado em procurar apoio em um livro. Equivocado é perpetuar nossa visão de que precisar de ajuda é não ser forte o suficiente. Ou a ideia de que existam pessoas fortes e outras pessoas que não são fortes — independente do gênero. Precisar de ajuda não torna ninguém menos forte; talvez apenas um pouco mais humanos.