Obrigado, Zé Ricardo!

Você foi o técnico que fez o melhor trabalho com o Flamengo em muitos anos. E sou muito grato a isso!

Heric Dehon
Aug 8, 2017 · 5 min read
Zé Ricardo — Crédito: flamengo.com.br

O ano de 2016 foi mágico pra você

Começou ganhando a Copinha, em pleno Pacaembu. Lembro de saber que o Flamengo disputaria a final contra o Corinthians mas não fazia ideia de quem era o técnico da molecada.

Copa São Paulo de Futebol Júnior 2016

Assumiu o time principal do Flamengo interinamente pra substituir Muricy Ramalho e teve que encarar um time sem padrão de jogo, que não vencia nem convencia. Foi fazendo um bom trabalho como interino e acabou efetivado no cargo por conta dos bons resultados. Terminou o ano com mais de 60% de aproveitamento e a classificação direta pra Libertadores 2017. Seu desempenho foi reconhecido por todos. Até mesmo o lado mais ranzinza da imprensa.

Mauro César Pereira comparando os trabalhos de Muricy e Zé Ricardo

Ainda assim, muita coisa boa nos esperava em 2017

Tendo tempo pra fazer uma pré-temporada e condições de reformular o elenco, era natural que a torcida criasse grandes expectativas. No início do ano era comum ouvir de torcedores que o Flamengo tinha time pra ganhar o Brasileiro, a Copa do Brasil e a Libertadores. Nem tanto, né!?

O carioca

Há alguns anos que o campeonato carioca deixou de ter importância para uma temporada. É um campeonato que não diz absolutamente nada. Se o time ganha, fica com a impressão que se ganhou um torneio fraco e sem sentido, não fazendo mais do que a obrigação. Se o título vai pro adversário, fica a imagem que o trabalho é ruim e precisa de substituições no comando.

Carioca hoje é uma pré-temporada. Nada além disso. E não se deve cobrar títulos. A verdadeira necessidade é preparar a equipe para o que realmente importa no ano: o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. E se o time está jogando a Libertadores, o carioca passa ter ainda menos importância, servindo de teste.

A Libertadores

Mesmo tendo o título de 81 no currículo, podemos nos considerar um time fraco de Libertadores. Não temos uma campanha relevante há muito tempo. Por conta disso o sorteio acabou nos colocando no “grupo da morte”. E realmente foi pedreira.

A eliminação na Libertadores doeu demais. Ainda mais quando lembramos que jogamos bem e ganhamos as 3 partidas em casa, perdemos um jogo que foi todo nosso contra a Universidade Católica, no Chile e outro que foi um pouco melhor para nós contra o Atlético-PR, em Curitiba. Fomos pro último jogo, contra o San Lorenzo, na Argentina, com possibilidades de classificação em 8 de 9 possíveis combinações de resultados entre os dois jogos da rodada. E deu justamente a única combinação que nos eliminava. Foi o nosso único jogo ruim na competição e acabamos tomando o gol da eliminação no último minuto. Foi sofrido demais. Vida que segue.

O Brasileirão 2017

A queda na Libertadores se refletiu em campo. Começamos o Brasileiro um pouco perdidos. Começamos a nos recuperar, chegamos ao G4 mas nas últimas rodadas, mesmo jogando bem, o time não tem tido resultados esperados. E jogar bem não é nenhuma novidade para um time comandado por você. O problema é que não existe corneta mais barulhenta que a do Flamengo. A pressão de imprensa e torcida é enorme. Ficou insustentável.


Seu Flamengo era um grande time

O técnico mais badalado do futebol atual tem conceitos muito interessantes sobre a forma de fazer os seus times jogarem. Os times de Guardiola trocam passes e controlam a bola reduzindo ao máximo as chances do adversário construir jogadas. Seu Flamengo fazia isso. Segundo o Footstats, eram 93% de acerto de passes.

www.twitter.com/@footstats

Guardiola diz que a função dele é fazer a bola sair dos pés do goleiro, circulando entre os jogadores, até chegar ao “último terço” do campo — próximo à entrada da grande área adversária. Seu Flamengo também fazia isso. Ainda segundo Guardiola, no último terço do campo, o trabalho tático deixa de existir e a partir daí o que se espera é a criatividade dos atacantes para concluir em gol. O seu Flamengo ia bem até o último passe. Mas não conseguia ser tão eficiente nas conclusões. Enquanto um banco de corneteiros dizia que o time não criava ou era ineficiente, de acordo com estatísticas do Footstats, o Flamengo estava entre os que mais forçavam defesas difíceis dos goleiros adversários no Brasileirão.

www.twitter.com/@footstats

E agora?

Todo mundo conhece o script a partir daqui: talvez Jayme “vá ficando” como interino na tentativa de repetir a os resultados com a Copa do Brasil de 2013. Por sinal, naquele ano Jayme assumiu justamente pra atropelar o Botafogo na arrancada pro título. Talvez contratem um novo treinador agora.

Em qualquer um dos casos, quem assumir em seu lugar vai encontrar um elenco com grandes nomes, com toque de bola e padrão de jogo. Aí é só fazer 3 ou 4 substituições pra dar uma sacudida no elenco. Os jogadores vão dar o sangue pra mostrar serviço na tentativa de garantir a titularidade. Embalaremos algumas vitórias seguidas, passaremos fácil pelo Palestino e depois pegaremos a Chapecoense na Sul-Americana. Passaremos com um pouco mais de dificuldade pelo Botafogo na Copa do Brasil. Então passarão a chamar o novo comandante de gênio e ele vai ter um pouco de tranquilidade pra começar a trabalhar de verdade e fazer as mudanças que achar necessário. Terminaremos o ano com parte da torcida lamentando não ter te demitido quando fomos eliminados da Libertadores pelo San Lorenzo. Mas se a coisa desandar de vez, muita gente que está comemorando vai lamentar a sua demissão.

Em 2018 teremos mais mudanças no elenco, uma pré-temporada curta por conta da Copa do Mundo da Rússia e muito pouco tempo pra trabalhar. O Carioca, que deveria servir para ajustes, será motivo de cobranças de imprensa e torcida por força máxima, dividindo forças com a Libertadores. Uma hora a conta chega. De novo!

O brasileiro começará para o Flamengo como sempre começa: prováveis titulares afastados por contusão ou por desgaste de início de temporada e time com esquema capenga por conta desses desfalques. Seguindo a lógica, começaremos o campeonato com empates e/ou derrotas bestas. Perderemos pontos para times menores. Chegaremos à décima rodada com contestações ao trabalho do treinador. E será um milagre se ele terminar o ano como técnico.

Que um dia você volte pra onde não deveria ter saído. E que não demore.

Até breve, Zé Ricardo!
Heric Dehon

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Gordo, careca, feio, teimoso e chato. Flamengo, design, cinema, rock, tech, games, café, cerveja... tudo compulsivamente!

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