AGORISMO vs ANARCO-CAPITALISMO. Conhecendo as Diferenças

Herman Shad
Nov 6 · 10 min read

(Escrito por: Nayan Couto)

Tenho visto nos últimos dias muitos Libertários e pessoas análogas ao meio libertário mas interessadas pelo assunto do Agorismo como alguns vlogueiros, blogueiros, entre outros em questão confundindo o Anarco capitalismo com a Teoria Agorista, e muitos até então adicionando a segunda na primeira como se fossem a mesma teoria, o que de fato não é, pois são em suma teorias austro-libertárias concorrentes. Muitos destes me perguntam ultimamente desde que passei a me assumir publicamente como AGORISTA “Qual a diferença entre o Anarco capitalismo/Capitalismo Libertário e o Agorismo e o que significa esse termo?”. Visto isto, resolvi fazer esse artigo com alguns resumos básicos sobre as diferenças conceituais entre as duas teorias libertárias austríacas.

Vamos começar primeiro pelo problema do termo “Capitalismo” e sua repulsa social.

CAPITALISMO, SOCIALISMO E MUTUALISMO, REVISANDO CONCEITOS.

. A confusão começa toda aí, no significado dos termos. Em suma, no mesmo espaço de tempo, duas escolas concorrentes nominaram com termos iguais duas coisas diferentes (o mesmo ocorreu com o socialismo). A Escola Clássica e sua herdeira a Escola Marxista (mainstream) nominou como capitalismo o sistema econômico baseado na moeda bancária, na fomentação do desenvolvimento industrial, no redistributivismo de renda trabalhista e no poder do estado como protetor da economia e da propriedade privada (1). Para Escola Subjetivista, e sua herdeira a Escola Austríaca, isso é definido como Trabalhismo Corporativista, Estatismo, Protecionismo, a base do Comunismo “(…) Três sistemas de espoliação: A sinceridade daqueles que abraçam o protecionismo, o socialismo e o comunismo não é aqui questionada. Qualquer escritor que quiser fazer isto deve estar agindo sob a influência do espírito político ou do medo político. Deve ser contudo apontado que o protecionismo, o socialismo e o comunismo são basicamente a mesma planta, em três estágios diferentes de seu crescimento. Tudo o que se pode dizer é que a espoliação legal é mais visível, por sua particularidade, no protecionismo e, por sua universalidade, no comunismo.(…) – A Lei” (2), sendo tal parte da teoria Keynesiana (3), descendente e herdeira do Malthusianismo e dos economistas e filósofos políticos adeptos da Humanidade Passiva e do Determinismo Social. O Capitalismo para a Escola Austríaca, ao contrário do que a Escola Clássica e Marxista teoriza, é o sistema de economia privada baseada em trocas voluntárias e na propriedade privada jus-natural e racional como ponto de início a priori das relações econômicas e sociais humanas, fomentada pelo Ativismo Individual e pelo Fatalismo Humano. Ou seja, liberalismo econômico Laissez Faire, Laissez Aller, Laissez Passer. Sendo que assim para a escola austríaca “A Lei é Força (…) A Lei defende a Espoliação Legal (…) A espoliação legal pode ser cometida de infinitas maneiras. Possui-se um número infinito de planos para organizá-la: tarifas, protecionismos, benefícios, subvenções, incentivos, imposto progressivo, instrução gratuita, garantia de empregos, de lucros, e salário mínimo, de previdência social, de instrumentos de trabalho,gratuidade de crédito etc. E é o conjunto de todos esses planos, no que eles têm de comum com a espoliação legal, que toma o nome de socialismo. (…) Socialismo é Espoliação Legal (…)” Tendo vindo o conceito de capitalismo para a Escola Austríaca a ser formado como “Espoliação Nula” “(…) Espoliação nula: é o princípio da justiça, da paz, da ordem, da estabilidade,da harmonia, do bom senso. E até o último dos meus dias eu proclamarei com todas as minhas forças a existência desse princípio. (…)” – A Lei, Frédéric Bastiat. Para a Escola Clássica, esses princípios éticos do capitalismo de Bastiat se tornam presentes e adaptado pelos conceitos econômicos objetivistas e clássicos no que se conhece como Mutualismo, a economia cooperativa de indivíduos diferentes trabalhando juntos em um sistema voluntário de aliança de ajuda mútua, autonomia e autogestão, buscando um mesmo objetivo, o de melhorar sua qualidade de vida, conquistar e acumular riqueza e conquistar assim sua liberdade da opressão dos capitalistas e do estado, desenvolvido por Pierre Joseph Proudhon que era amigo de Bastiat, sendo ambos ocupantes do lado esquerdo do Parlamento Francês (daí o conceito de que anarquismo e liberalismo clássico eram de esquerda), levados em conta as teorias do valor trabalho e do objetivismo econômico entre outros tradicionais da Escola Clássica. (4) Sendo assim temos formados o conceito de Capitalismo, Socialismo e Mutualismo.

ANARCO CAPITALISMO VS AGORISMO.

. Agorismo, do Grego Ágora (ἀγορά), que significa assembléia e reunião, sendo este um local onde os Gregos se reuniam para realizar comércio e decisões importantes em seu dia a dia, feira livre de indivíduos, ou mercado individual, é uma fundada por Samuel Edward III (SEK3), um Anarquista Mutualista, que provêm da fusão do Mutualismo de Pierre Joseph, com o Voluntarismo de Lyssandr Spooner e com o Egoísmo de Max Stirner, reciclados, reformulados e atualizados pela ótica econômica Laissez Faire, Laissez Aller, Laissez Passer, da Escola Austríaca de Economia, em especial, ao Libertárianismo Ético do Professor Doutor Murray Newton Rothbard.

Anarco-capitalismo é uma teoria criada pelo Professor Doutor Murray Newton Rothbard, que havia sido Anarco-comunista antes de se tornar um Capitalista Liberal. Esta teoria provem da fusão do Conservadorismo Anglo Saxão de Edmund Burke, do Voluntaryismo de Lyssander Spooner e do Individualismo de Gustave de Molinari adicionado à economia pura Laissez Faire da Escola Austríaca, mais exatamente, do Professor Doutor Ludwig Von Mises (5).

O Anarco capitalismo, apesar de uma boa teoria, tem certos vícios econômicos em sua teoria herdados da tradição Liberal-Conservadora, que o impede de ser Anarquista de fato, o mantendo apenas como Capitalismo Libertário (Em suma, Rothbard tinha esse conhecimento prévio, o que lhe impedia de nomear o Capitalismo Libertário dele de Anarco capitalismo, além do fato de os Anarquistas Ricardianos, que eram considerados Comunistas, nos EUA, terem apossado para si o termo Anarquista, e os Anarco-Comunistas, que estavam mal vistos na sociedade americana devido seu ativismo violento por ação, mas acabou cedendo a pressão dos seus seguidores mais a esquerda e adotou assim o termo (6)), a pesar do imenso trabalho desenvolvido pelos Professores Doutores Hans-Hermann Hoppe, de Jesus Huerta de Soto e Walter Block para resolver esses vícios, alguns como o da privatização direta que beneficiaria corporações multinacionais fomentando trustes (em comparação a privatização por apropriação mutualista-cooperativa do Agorismo), e até possibilitando que se renasça o governo como Cidade-estado, que é um vício no Anarco-capitalismo que não foi ainda resolvido (até onde se tem conhecimento) se mantêm. E se incluí nisso a velha questão do problema da Hierarquia Vertical vs Hierarquia Horizontal. O Anarco capitalismo possibilita a criação de hierarquias verticais voluntárias em seu sistema econômico e social ao possibilitar a formação de cidades-estado, mesmo que voluntárias (principalmente no conceito de utilitarismo de David Friedman (7) e no conceito Neo-Feudalista/Micro-Monarquista de Hans-Hermann Hoppe(8)), sendo esse o mesmo problema da Hierarquia do Anarco comunismo e do Socialismo e Comunismo Libertário, e das. demais filosofias do chamado Anarquismo Social(9). Enquanto isto, no Agorismo, a formação de hierarquias mesmo que não seja proibida seria impossível, pela forma que a sociedade e o mercado são formados, de forma completamente individual e egoísta, horizontalmente, e por manter o princípio cooperativista e mutualista de Proudhon na sua essência, mas sem o autoritarismo do mesmo, e entendendo que a sociedade e sua economia não são estáticas, a humanidade não é passiva, mas evoluem naturalmente e de forma autônoma, sem a necessidade de interferência de um poder fomentador como o governo e o estado, até o porque este é antiético, imoral. (Mesmo sendo Agorista, tenho um grande apreço pelos escritos econômicos e filosóficos do direito dos grandes teóricos Anarco capitalistas, em especial os Professores Doutores Hans-Hermann Hoppe, Jesus Huerta de Soto e Walter Block, e acredito no potencial intelectual deles para resolver esses problemas.) Em suma, Agoristas são anti-capitalistas, pois compreendem o capitalismo com a ótica da escola de clássica, visto que são descendentes intelectuais direto do anarquismo clássico. (10)

. A teoria Anarco capitalista difere da teoria Agorista em uma questão chave importantíssima de se ter em mente quando se opta por alguma corrente. Muitos Anarco capitalistas ao defenderem de forma totalitária o direito à propriedade privada, ignoram que ao longo da história a maior parte dos grandes detentores de propriedade e de recursos econômicos fizeram uso do estado para obter seus bens, e portanto a defesa do gradualismo pelo Anarco Capitalismo tradicional rumo a uma Sociedade Libertária é falha e se contradiz em sua própria base ético-moral, por possibilitar arranjos e meios, dando armamento e munição, no caso, a economia de mercado liberal e a riqueza gerada por esta, para que os grandes capitalistas corporativistas aliados a políticos protecionistas e socialistas possam se reorganizar para fortalecer o estado, massacrando assim ainda mais a sociedade, tornando também esta mesma humanidade passiva para os problemas ao colocar-la numa situação de conforto como ocorreu em Singapura, que se tornou uma ditadura monopartidária de livre mercado, com um governo fortemente autoritário e opressor, e mais recentemente em Hong Kong, cujo os cidadãos aceitaram passivamente voltar baixo das leis da China Comunista, refutando em si totalmente a teoria gradualista de que Mais liberdade econômica numa sociedade de estado socialista ou fascista possa libertar a sociedade, e provando assim que a teoria do Professor Doutor Hans-Hermann Hoppe, Teórico Libertário Brutalista, que o Estado Mínimo inevitavelmente levará ao Estado Máximo, violando assim todos os princípios éticos do Libertárianismo. Portanto devido a isso eu posso inclusive afirmar que os Gradualistas são a escória filosófica que atrasa o Movimento Libertário e o dispersa (11). Na luta democrática contra o estado, eles, os gradualistas, tornam por legitima-lo mais e mais, criando uma situação inversa a desejada.

O caminho democrático nunca funcionou nem nunca funcionará. Libertários devem lutar para empobrecer o estado, atacar nas bases que o sustentam, a base econômica, a arrecadação dos impostos, ajudando a desequilibrar a receita do estado, explorando-o, corrompendo-o, descredibilizando-0, destruindo a crença da sociedade e dos indivíduos nele, na sua necessidade, na sua força, no seu poder, e atuando também com a consciência clara de que desobedecer as leis injustas do estado é uma das armas mais importante nesse caminho, pois “(…)a Lei do estado é a raiz da injustiça(…)”(2), sendo que “(…)Para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raízes.(..) – H. D. Thoreau.”(12) para poder assim aniquilar-lo com um golpe direto e fatal.

A Teoria Anarco capitalista tradicional apresenta de forma inconsistente alguma solução prática para aquele indivíduo desabastado que precisa melhorar de vida, enquanto que o Agorismo, em suma, proporciona solução imediata, a prática da contra economia como ferramenta radical para uma revolução anarquista. Outro ponto que difere a teoria Agorista da Anarco capitalista, é que na teoria Agorista a Propriedade Privada ela é absoluta, mas somente enquanto ela não violar os direitos individuais naturais de terceiros. Ela pode ser tanto individual, quanto familiar, como também comunitária. Não existe um impedimento natural definido para isto, sendo que vai do aspecto filosófico de cada um dos Libertários Agoristas. Ela também pode deixar de existir quando se deixa de aplicar trabalho, força, uso por necessidade ou dar causa a ela. Enquanto alguém manter posse sobre ela e destino de sua utilidade, ela é inviolável (Enquanto que no Anarco capitalismo a propriedade, que só é concebida como de fato como privada, é eterna e infinitamente hereditária, fixa, inviolável, não tendo fim a partir de seu começo, a não ser que seja desfeita por seu dono. Uma vez apossada, ele detêm o monopólio do uso dessa propriedade eternamente e infinitamente, mesmo que não a dê utilidade, uso, mesmo que não tenha necessidade dela, a propriedade o pertence até que ele tome uma decisão quanto ao seu fim). Uma propriedade abandonada não pode ser considerada uma propriedade com dono, logo é uma área livre para ser apossada (levando-se em conta o princípio natural a priori do Direito das Sucessões). Da mesma forma em um empreendimento econômico, comercial, financeiro, industrial e afins que utilizou do estado ou da violência para manter monopólios, oligopólios e privilégios, ou cometer qualquer crime contra os direitos naturais dos indivíduos. Essas seriam confiscados e tomadas por seus funcionários ou por aqueles que foram diretamente prejudicados por tais atos, como forma de retaliação e restituição. A partir dai se vão vários tipos de interpretação de como essa retaliação deve ser levada, sempre obedecendo os princípios da Proporcionalidade e da Justiça Social. Isso é explicado no Manifesto do Novo Libertário de SEK3 (13). Devido a tal, Agoristas são considerados por SEK3 os verdadeiros Libertários Radicais que devem guiar a humanidade para o extermínio do estado e das suas relações, conduzindo o mundo para a Ordem Social Libertária.

OS CAPITALISTAS PARA A TEORIA AGORISTA E ANARCO CAPITALISTA.

Para a filosofia Agorista existem três tipos de capitalistas. Aonde os anarco capitalistas geralmente se referem ao livre mercado como “capitalismo”, os Agoristas fazem a seguinte distinção em três partes:

O empreendedor (Apesar de um empreendedor não ser necessariamente um capitalista); (Bom); Indivíduo inovador, aventureiro, produtor; a força motriz do mercado livre;

O capitalista que se arrisca (venture capitalist), capitalista não estatista, investidor do mundo financeiro; (Neutro); donos de capital, não necessariamente informados ideologicamente; “relativamente drone-like non-innovators”;

O capitalista pro-estatista, socialista, corporativista, político, fascista; (Mau); “O principal mal no reino político”;

O QUE É CONTRA-ECONOMIA?

. SEK3 define o seguinte sobre Economia e Contra-Economia: (…)A função da pseudo-ciência econômica do Establishment, ainda mais que fazer predições (como os adivinhos do Império Romano) para a classe dominante, é mistificar e confundir a classe dominada quanto a para onde sua riqueza está indo e como ela é tomada. Uma explicação de como as pessoas mantêm suas riquezas e propriedades longe do Estado é, então, a economia do Contra-Establishment, ou Contra-Economia, abreviadamente. A prática real das ações humanas que evadem, evitam e desafiam o Estado é a atividade contra-econômica, mas da mesma forma escorregadia que “economia” se refere tanto à ciência quanto ao que ela estuda(…) – SEK3.

. SEK3 conclama em seu manifesto que os Libertários Radicais devem se unir na ação direta contra o estado. Essa ação é por meio do ativismo contra-econômico e pela difusão dos ideias libertários. Também convoca aos Agoristas a educarem outros libertários para a prática da contra-economia, onde eles estiverem. Nesse sentido, quem são os Aliados Naturais dos Agoristas? Os Libertários Brutalistas, os Libertários Georgistas, os Libertários Transumanistas, Os Anarco individualistas, os Mutualistas e os demais Antiestatistas.

Uma associação dos novos libertários deve se formar para espalhar os ideais contra-econômicos e recrutar possíveis libertários e proto libertários, o qual ele chama as escolas anarquistas clássicas e seus pensadores, para o Agorismo, lutando contra o sufrágio e clamando a todos a combaterem e boicotarem as eleições, partidos políticos, e a utilizar as ferramentas mantenedoras do poder do estado contra ele mesmo, devendo sempre se manter o tripé filosófico do Novo Libertárianismo, proclamar o seu juramento todos os dias, O Triplo A, para todos os Anarquistas, espalhando assim a filosofia novo-libertária.

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