Dear diary: this is my last entry.

Oito temporadas. 171 episódios. Uma porrada de mortes e uma porrada maior ainda de ressurreições. Vampiros, lobisomens, doppelgängers, híbridos, bruxas, clãs, sereias, diabo. Um mundo inteiro dentro de uma pequena cidade.

Em 2009, quando estreou, The Vampire Diaries foi apontado como o “Crepúsculo da TV” — os criadores já afirmaram várias vezes que, sim, pegaram carona no sucesso da autora Stephenie Meyer. E se temos que começar com uma lista de agradecimentos, aqui vai: obrigada, Stephenie Meyer. Mas quaisquer comparações são infundadas.

TVD alcançou um sucesso estrondoso logo de cara. Era simplesmente impossível não sentir a compulsão de acompanhar a história da jovem garota que perdeu os pais em um trágico acidente de carro e que, justo quando estava no fundo do poço, encontrou forças pra viver por causa de um cara estranhão e misterioso que apareceu no colégio.

É engraçado, hoje, perceber o quão clichê tudo isso soa…uma vez que todo o resto não foi tão clichê assim.

Semana passada nós tivemos o último encontro com esses personagens com os quais, à essa altura, sentimos ter tanta intimidade.

Embora estivesse ciente desse fim desde o meio do ano passado, quando a notícia foi dada pela Julie Plec durante o painel da série na Comic-Con de San Diego, nada pôde me preparar pro baque que senti quando a ficha finalmente caiu.

O coração já batia a mil por hora durante a primeira cena e eu literalmente achei que não sairia viva até a última. E eu nem posso afirmar 100% de que saí, na verdade. Tenho lá minhas dúvidas.

Resolvi comentar um pouco sobre o fim que cada personagem teve ao invés de passar pelo episódio como um todo — ainda não sei se essa escolha é boa ou não. Mas vamos lá.

Bonnie, você foi uma das personagens cujo fim mais me preocupava. Dentre todos, você foi uma das que mais cresceram nessa trajetória que acompanhamos desde o começo. Nós literalmente a vimos passar de uma adolescente assustada com o dom que tinha até ser a responsável por SALVAR O MUNDO. Dá pra imaginar? Fora que você foi a que mais sofreu desde sempre. Quantas vezes quisemos pegá-la no colo e dizer que tudo ficaria bem? Quantas vezes quisemos esmurra-la para que parasse de ser tão trouxa e se colocasse em prioridade pelo menos uma vez na vida? Quantas vezes torcemos para que alguém se dispusesse tanto a salvar os amigos quanto você fazia?
Nesse 8x16, mais uma vez, Bonnie, você salvou o dia. Depois de tanto sofrimento, foi justíssimo essa honra ter caído em suas mãos. Agora, não é só tristeza e dor que você carrega dentro do peito — acima de tudo, é o orgulho e a felicidade de saber que a ordem foi mantida por sua causa.
Bom, por sua causa e de mais uma penca de bruxas Bennett. Aliás, essa cena foi claramente feita com o intuito de causar ALTAS crises de choro nos telespectadores. Tão forte e tão delicada ao mesmo tempo. Tão poderosa e tão sensível. Tão necessária, tão linda.
Em sua última cena, você arrumou as malas e disse que ia conhecer o mundo. Então vá, menina Bonnie. Mas saiba que nem isso é o suficiente. O mundo inteiro não é o suficiente pra você. Você merece conquistar o universo e, mesmo assim, talvez ainda seja pouco.
“I’m a witch.”
Matt, que difícil é falar de você sem que meu coração se aperte! Muita gente sabe que, desde o início dessa história, você é meu protegido. Foi extremamente incrível acompanhar a trama do adolescente que era o quarterback do time de futebol do colégio e que se tornou o guardião da cidade em que nasceu e cresceu.
Quem diz que não gostaria de ter um amigo como você claramente mente. Alguém que entra no seu quarto, no meio da madrugada, pela janela, só porque sabe que você está mal e precisa de um abraço. Alguém que é fiel consigo mesmo durante o tempo todo e se recusa a ser engolido pelo mundo sobrenatural que o cerca, mesmo que isso, muitas vezes, coloque sua própria vida em risco. Alguém que não tem a mínima estrutura familiar e, mesmo assim, preserva um coração bom, enorme e cheio de lealdade para com aqueles que ama.
Você é bom, Matt. Sempre foi e sempre vai ser. Foi, durante muito tempo, a única representação nossa que tivemos dentro dessa história. Embora eu tenha honestamente gostado do fim que te deram, seria legal vê-lo criando uma família dentro da cidade que tem tanta coisa para contar.
Ahhhh, Caroline Forbes…aquela que também atende por DONA DA SÉRIE INTEIRA. Eu não me lembro de ter amado tanto uma personagem durante toda a minha vida como eu te amei. Eu sinceramente não consigo contabilizar quantas vezes eu chorei e sorri por sua causa. De coração, mesmo. A cada cena, a cada ato, a cada gesto era uma reação da minha parte. Eu nunca, em nenhum momento, consegui ficar indiferente a você. Gritei, torci, bati palma, chorei, gargalhei, quis te bater, quis te abraçar, quis pedir pra você nunca ir embora. Depois de oito anos eu não sei como as coisas vão ser sem ter você como válvula de escape para todas as emoções que eu adquiro aqui no mundo real. Não vai ser absolutamente nada fácil.
Vê-la passar de uma adolescente mimada para uma mulher tão forte e tão protetora foi uma das coisas mais lindas que The Vampire Diaries nos proporcionou. Nunca houve decepção. Nunca tivemos medo em relação a você — sempre soubemos que a atitude certa seria tomada. Foi um final bonito e digno. Sua mãe, assim como todos nós, tem MUITO orgulho de você. Muito.
Stefan. Ah, Stefan…seu cabelo de herói nunca fez tanto sentido. Quantas vezes você tentou salvar o dia? Quantas vezes se dispôs a fazer tudo ficar melhor? Eu honestamente tinha medo do final que você teve. Já tinha pensado em várias formas possíveis de você partir, e nenhuma delas me agradava. E, de primeira, o modo como tudo aconteceu também não me agradou. Mas depois, depois do choque, tudo o que ficou foi essa sensação de que nenhum outro final poderia ter sido tão lindo e merecido quanto esse. Foi você que começou tudo. Foi você que terminou tudo. Sua jornada não foi nada fácil e nós acompanhamos isso. Ver você tomando aquela decisão dificílima e depois encontrando a tão merecida paz trouxe paz para nós também. No primeiro episódio te ouvimos falar que “essa era a sua história”. E foi. Foi uma LINDA história de erros e de redenção.
Damon…quem nunca te criticou que atire a primeira pedra. Quem nunca te amou loucamente que atire um milhão. Aprendemos a te venerar quando te vimos no pior estado, no começo da série, sendo egoísta, egocêntrico, irônico, sarcástico e sem o menor resquício de escrúpulo, e terminamos essa jornada te amando quando você provou ser o ‘melhor homem’. Alguns tropeços no meio do caminho não fizeram com que você diminuísse de tamanho — começou e terminou como um gigante. Poderia ter dependido menos de uma outra pessoa pra ter uma história épica? Poderia. Mas erros e acertos te levaram ao encontro com a paz e, no fim, é isso que importa.
E Elena…sua lixo humano :) Começou sendo alguém por quem eu tive empatia, mas antes do término da primeira temporada se tornou provavelmente a personagem que eu mais detestei nessa minha vida. Só Deus sabe o tanto de diferentes formas de mortes lentas e dolorosas eu imaginei pra você nesse tempo. Eu comemorava com uma palma a cada vez que eu pensava em algo pior. Ter sido capaz de assistir duas temporadas inteiras sem ver esse teu rosto de parede sem reboco foi incrível. Quantas pessoas conseguem assistir uma série sem a personagem que menos gosta, ainda mais quando ela é a “protagonista”? Pouquíssimas! E eu tive essa sorte. Fico feliz por mim. Ao mesmo tempo, não posso dizer algo negativo sobre você em relação a esse último episódio por um único motivo: eu gosto de gente que sabe reconhecer as coisas. Eu dou valor para quem sabe a quem agradecer nessa vida. Ter agradecido ao Stefan por ter tido uma história épica foi algo que me tocou bastante. Se você pôde viver “feliz para sempre”, com ou sem o Damon, foi por causa DELE. Isso tanto em relação ao começo, onde ele salvou sua vida, quanto no final, poupando a vida do irmão.
E eu acho seguro dizer que essa série nunca foi sobre você. Eu sempre soube disso, mas é bom que todos saibam agora. The Vampire Diaries nunca foi sobre um triângulo amoroso ou sobre a história de Elena Gilbert. Por algum motivo você se transformou numa coadjuvante que acabou ganhando mais espaço. The Vampire Diaries sempre foi sobre os Salvatore e, se tivermos mesmo que escolher um protagonista, é o Stefan.
Sempre foi o Stefan.
E Defan…foi lindo ver os sacrifícios.
Sim, no plural. Damon, porque se DISPÔS REALMENTE a deixar tudo para trás e Stefan porque FEZ isso.

Considerações finais:

  • O episódio contou com um número AVASSALADOR de referências às origens da série. Desde citações (“Don’t Damon me”, “That’s for me to know and for you to…”, “Dear Diary, today will be different…”, “I was feeling epic”…) até personagens extremamente necessários e que apareceram uma única vez (quem lembra do avô da Tiki e do que ele significou para a história se desenrolar sabe do que estou falando…). Foi o melhor presente que os roteiristas poderiam ter nos dado.
  • Jeremy Gilbert, Jo, Lexi, Jenna, os pais da Elena, tio John, Vicki, Kelly Donovan, Tyler, Liz Forbes, Ms. Cuddles…foi extremamente emocionante ver essa homenagem a todos que ajudaram a escrever essa história.
  • Uma das cenas mais emocionantes, sem dúvidas, foi a despedida entre Elena e Stefan no “além”. Foi a recriação da primeira cena dos dois, o começo de tudo. Corredores do colégio, um trombando no outro…foi algo de partir o coração. E, caso não tenham reparado, o diálogo ao fundo é exatamente o que rolou nesse momento inicial. “Esse é o banheiro masculino?” / “Sim. Desculpe…é uma longa história”
    Sim. Foi uma longa, longa história. Naquela época, mal sabíamos quanta água ia rolar debaixo dessa ponte.
  • Julie Plec deixou claro, com a cena final da Caroline, que não dá ponto sem nó. Há alguns anos, quando Klaus fez sua aparição na formatura do colégio de Mystic Falls, ele disse à Caroline que pretendia ser seu último amor. O tempo passou, Steroline se tornou algo oficial (com casamento e tudo) mas, com a mudança dos ventos, e sob a narração do Matt, ficamos sabendo que tem uma outra história a ser contada. Ric e Caroline abriram a escola Salvatore para as crianças “talentosas” e, logo na inauguração, receberam um cheque bem generoso do Klaus. Junto ao valor, podemos ler a seguinte carta: “Eu sempre imaginei os caminhos que a sua vida tomaria, mas o futuro que você escolheu é mais nobre do que eu jamais pensei. Por favor aceite esta contribuição para sua causa virtuosa. Eu anseio vê-la pessoalmente, um dia. Independente do quanto demore. Sinceramente, Klaus.” E aqui eu espero que todos se lembrem da promessa feita pelo híbrido no passado (“Ele foi seu primeiro amor, e eu tenho a intenção de ser o seu último”). Podemos, sim, esperar por ela em The Originals. Vamos ter Klaroline SIM. Como? Ninguém sabe. Talvez seja por temporadas inteiras, talvez seja apenas para o episódio final. Eu mal posso esperar para ver a dona da minha vida de novo.
  • A trilha sonora sempre foi um espetáculo a parte (já contei que eu tenho, hoje, 171 pastas no meu computador com TODAS as músicas de TODOS os episódios? Não? Pois é), mas ter colocado “Never Say Never”, do The Fray, na cena de despedida da Elena com o Stefan foi a facadinha final no nosso coração (que, para quem não lembra, foi a música que tocou no final do episódio piloto). Lágrimas rolaram e rolaram RUDE.
  • The Vampire Diaries nunca focou realmente no que era ou não era o paraíso. Tivemos a chance de saber um pouco mais sobre como funcionava o inferno no final dessa última temporada, mas o paraíso…nunca recebeu destaque. E me agradou DEMAIS a ideia de que paraíso/paz é relativo. Cada um tem o seu, e varia de acordo com o que a pessoa mais preza na vida. O fato de não terem mostrado Delena (que viveu uma vida longa e feliz juntos, mas que GRAÇAS A DEUS não mostrou nenhuma cena digna de comercial de margarina com casamentinho e filhinhos) juntos no ‘outro plano’ me deixou extremamente satisfeita. Ao invés, reuniram-se com suas famílias. Nenhum final possível dos dois juntos poderia ter sido mais lindo do que isso. Elena com a família (incluindo a Jenna e o John) na casa que reduziu às cinzas depois da morte do Jeremy e Damon de volta à mansão dos Salvatore na companhia do Stefan. Família. É isso que todos prezam no final do dia. É pra ela que sempre voltamos, independente de onde estivermos e de quanto tempo leve.

O final de The Vampire Diaries me é tão doloroso por ser, também, o final de uma parte importante da minha vida. Eu tenho um orgulho imensurável em dizer que acompanhei a série desde o primeiro episódio, lá em 2009, e não me desliguei em momento algum. Tivemos alguns tempos difíceis (alô, quarta temporada), mas a maravilhosidade sempre se sobrepôs. Nesses oito anos eu conheci um punhado de pessoas boas, algumas pessoas ótimas e outras pessoas indispensáveis na minha própria história, tudo por causa de “um simples seriado de TV”.

Eu honestamente não consigo descrever o tamanho da importância disso tudo pra mim. Em 2009 eu estava terminando um ciclo e começando outro. Depois, esse ciclo terminou e outro começou. Uma das poucas coisas constantes? A série. Eu, junto com o Matt, a Caroline e a Bonnie, fiz a transição da adolescência para a vida adulta, cheia de responsabilidades, problemas e glórias.

Eu fiz parte de cinco sites relacionados a TVD, diariamente tendo contato contínuo com o universo que se desenrolava em Mystic Falls através de postagem de notícias, entrevistas, vídeos, teorias, fofocas, spoilers, novidades, fotos. Pude abraçar alguns dos atores que deram vida a esses personagens que eu tanto venerava. Consegui meu primeiro diploma na faculdade com a ajuda de trabalhos que foram feitos baseados na série. Vivi histórias maravilhosas por causa do universo criado por aqueles roteiristas.

Eu não assisti The Vampire Diaries. 
Eu vivi The Vampire Diaries. 
De uma forma linda, completa e muito, muito, muito intensa.

Eu não sei se algum dia vou conseguir aceitar que tudo teve um fim. É uma sensação esquisita de estar perdendo alguém muito próximo, alguém real. Eu penso que sempre serei capaz de sentir o gosto da saudade bem na ponta da minha língua, mesmo daqui muitos anos. E olha que de saudade eu entendo.

Ao mesmo tempo, fico feliz por ter acompanhado tudo do começo ao fim. Feliz por ter tido a chance de entrar de corpo e alma nessa jornada, feliz por ter histórias pra contar por causa de uma história que foi contada a mim.

Que toda essa gratidão que eu sinto reverbere por aí até o fim dos tempos.

E vamos assistir tudo de novo.
E de novo.
E de novo.
E de novo.
E de novo.
E de novo…