Ciúme 1:1 Amor

“Disse pra eu valorizar as crises de ciúme dela, porque se o ciúme dela sumisse o amor sumia junto”. Pensa numa menina errada. Ciúme não tem relação com amor, tem relação com posse.

Eu já fui muito ciumenta, muito mesmo. Eu era ciumenta no nível copiar o histórico de conversa do MSN em um pen drive pra ficar lendo em casa depois. Psychogirlfriend total, eu sei. E não só isso, eu também sabia todas as senhas do meu namorado na época e me achava no direito de sair excluindo todas as meninas que EU não gostava e que eu julgava que estavam dando em cima dele, e como eu era, não só insegura, mas imatura, controladora e possessiva, eu ficava vendo todas as conversas e TUDO para mim era dar em cima, logo eu excluía todas as meninas.

Foram pelo menos 3 anos onde eu sofri MUITO. Vocês não tem noção do quanto é estressante todo esse processo de sentir raiva, se sentir menor, frustrada porque outras pessoas estão “dando em cima” do seu namorado e a tristeza de não poder impedir isso. Por que eu ficava assim? Por que ele era MEU namorado, eu não enxergava ele como uma pessoa que podia se relacionar com outras e que poderia ter amigas, não, ele era MEU namorado e fim. Percebe como isso era ruim?

Ele era MEU namorado e eu me sentia no direito de fazer toda essa tortura (porque é lógico que rolavam inúmeras brigas por conta dessa neurose) com ele, por ciúme. E eu achava que quanto mais ciumenta eu era, mais significava que eu amava ele. Amor e ciúme em proporção 1:1.

Enquanto eu sofria com meu ciúme possessivo, eu também causava um puta transtorno na vida do menino. Nesse namoro não só eu era ciumenta e possessiva, eu também sofria com o ciúme que ele sentia, que no caso era um ciúme possessivo machista, que também é péssimo. Eu tinha uma lista de coisas que eu não podia fazer porque não eram coisas que uma “mulher de respeito” faria, segue a lista de coisas que eu não podia fazer:

  • Usar saia;
  • Usar vestido;
  • Usar regata (mostrava o ombro);
  • Usar decote, tanto na frente quanto nas costas (mostrava as costas ou peito);
  • Usar shorts;
  • Usar biquíni na praia (sim);
  • Conversar com muitos homens;
  • Ter amigos homens;
  • Fazer tatuagens que chamam muito a atenção;
  • Postar uma foto onde apareça demais qualquer parte do meu corpo que não fosse meu rosto;
  • Beber;
  • Fumar;
  • Ver meu irmão de cueca;
  • Ir em baladas;
  • Ir em festas de amigos;
  • Sair com meus amigos;

E ACHO que parava aí a lista, mas a desculpa dele pra me proibir de tudo isso era que se eu fizesse qualquer uma das coisas acima, principalmente com relação as roupas, era que as pessoas iam olhar muito pra mim. Ué, mais fácil do que impor tudo isso era só me trancar em uma bolha em casa né? Nos éramos ciumentos ao extremo e com dois tipos de ciúme que mais faziam mal pra relação do que bem, e incrivelmente esse namoro durou 4 anos, obviamente que nenhum dos dois obedeciam e isso era motivo de inúmeras brigas, inúmeras mesmo. Eu passei a não obedecer as imposições, e como só de sugerir que eu iria, por um shorts no verão pra sair, por exemplo, já virava briga, eu fazia do mesmo jeito, porque a briga compensava. Em compensação, como eu controlava tudo ma vida dele também, ele passou a esconder tudo de mim.

Aí vem a principal pergunta: isso era bom pra quem? Isso era amor pra quem? Era uma relação de estresse, desgaste, cansaço e brigas que faziam bem pra quem? A única coisa que ganhei com isso foram noites mal dormidas e uma gastrite. Então porque continuar? Já que nós “confiávamos um no outro, só não confiávamos nas pessoas” pra que tanta regra?

Foi então que eu me dei conta (e de novo, conversando com muita gente, porque não dá pra superar isso sozinha) que sentir ciúme ou não, controlar a pessoa ou não, não vai impedir que ela faça algo. Toda essa posse era o que? Medo de perder a pessoa? Medo de traição? Provavelmente, mas pra isso não adianta um ciúme doentio, basta entender que pessoas são pessoas e que se for pra trair ou terminar o namoro isso vai acontecer, independente do quanto você controle a pessoa ou tente obriga-la a ser quem ela não é, aliás ninguém tem que forçar ninguém a ser quem ela não é.

O que eu sentia era só um medo incontrolável de a pessoa deixar de ser minha e aí é que está ela não era minha coisa nenhuma! Ninguém é dono de ninguém. As pessoas tem livre arbítrio e consciência para fazerem o que bem entender, você confiou nela e ela te traiu? Paciência, essa pessoa não era de confiança o suficiente e vida que segue.

“Fácil falar Maria, você não namora, não sabe como é não sentir ciúme.” Na verdade sei sim. Eu voltei a namorar o mesmo menino e consegui sentir zero ciúme na segunda vez. Por que? Porque eu passei a confiar realmente nele, se alguém der em cima dele, cabe somente a ele cortar a pessoa e me respeitar. Bom, ele me traiu de qualquer forma e hoje está namorando a menina com quem me traiu. Eu fico mal com isso? Nem um pouco, lógico que quando descobri a traição fiquei arrasada, dói no ego que vocês não tem noção, mas resolvi dar uma nova chance e não adiantou nada, terminamos o namoro de qualquer forma. Se eu me arrependi de ter confiado nele? Nem um pouco! Foi 1 ano e meio de pura tranquilidade, sem brigas por ciúme (do meu lado, ele ainda implicava com as minhas roupas) sem ficar neurótica pensando em tudo o que ele estaria fazendo enquanto a gente não estava junto e isso foi ótimo! Sem gastrites, choros e noites mal dormidas!

Mas não só com ele, com todas as pessoas que me relaciono nos últimos 3 anos eu não sinto mais ciúme, inclusive com quem estou agora. Não consigo mais ficar preocupada com isso, aprendi que não adianta controlar a pessoa e que isso só irrita, eu odiava ser controlada, pra que vou controlar alguém? Odiava que tentassem me mudar, pra que mudar outra pessoa? Ao invés de tentar mudar a pessoa para que ela seja como eu quero, é muito mais fácil eu mudar de pessoa e encontrar alguém que de fato me faça bem.

“Nossa Maria, mas você deixa fulano sair com os amigos dele?” Ué, se ele é maior de idade, independente e tem o dinheiro dele, por que eu tenho que deixar alguma coisa? Eu não sou ninguém pra proibir nada. Quer sair? Sai. Quer usar vestido que mostra o útero? Usa. Faz o que você quiser da sua vida desde que não interfira no livre arbítrio de ninguém. Todos nós temos o direito de ir e vir pra onde quer que seja e não temos o direito nenhum de interferir nisso. E isso não diminui o quanto eu gosto da pessoa só porque não sinto ciúme.

“Ah então você é a fodona dona da maior auto-estima e segurança do mundo” Não, muito pelo contrário, ainda sou insegura e ainda tenho medo de que as pessoas que as pessoas que eu gosto me deem um fora, que encontrem alguém mais interessante por aí e acabem desistindo de ficar comigo. Mas pessoas são pessoas, e isso pode acontecer, independente se eu morrer de ciúme ou controlar a vida dela ou não. Vai da pessoa.

Eu realmente não sei o que fez com que eu simplesmente não tivesse mais ciúme, mas sei que conversar muito sobre isso me ajudou muito. Fazer uma auto análise sobre o que estou fazendo e o quanto eu não gostaria do que fizessem comigo também me fez mudar de idéia. Aliás, essa é uma das frases que levo pra vida: não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você. E isso também me ajudou a diminuir toda essa possessividade.

Se você quiser conversar sobre ciúme, seja para diminuir o seu ou o que você sofre, pode se sentir a vontade para me mandar DM no twitter, inbox ou até me chamar no whats se tiver meu número, eu converso numa boa sobre isso principalmente porque consegui superar toda a neurose. Eu estou aberta pra falar, mas se você preferir, também acho super válido buscar ajuda profissional, conversar com um psicólogo para ajudar também a entender mais seu tipo de ciúme e tentar se livrar dele de vez. Ciúme faz mal pra relacionamento? Faz. Mega mal, mas faz pior ainda pra quem sente.

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