Aos homens de minha vida

Ana Rita Martins
Sep 3, 2018 · 3 min read

Peço perdão, primeiramente, pela sinceridade e crueza com que tento delinear uma singela declaração a todos os homens que já passaram pela minha vida, àqueles que vieram há muito tempo e não muito se demoraram a ir embora, àqueles que vieram, foram embora, voltaram e foram embora de novo, àqueles que nunca vieram de fato e, porque não, àqueles que virão.

Eu me apaixonei por você.

Pode ter sido por causa da sua inteligência, do seu sorriso, da sua história, do seu beijo, do seu sexo, do seu carisma, do seu humor, de uma mistura de tudo isso. Pode ter sido por um mês, uns meses, uns dias, umas semanas, um ano, uns anos, um tempo. Pode ter sido real, pode ter sido platônico. E mesmo sendo real, pode também ter sido platônico, a minha cabeça não para em apenas uma mensagem de “oi, tudo bem”, quando me pego, de repente, já imaginando como seria o pedido de namoro.

Eu sou um pouco intensa e vivencio o relacionamento de uma maneira única, afinal de contas, eu sou única e não saberia vivenciar qualquer coisa a não ser com esse meu jeito único. Você pode nem ter percebido, mas nós tivemos alguma relação que me fez chegar a outra relação, que me fez chegar a outra, e assim, pulando de relação em relação, me vi assim: sozinha. Você pode não ter percebido, mas eu te amei bastante intensamente, mesmo que por segundos. Você pode não ter percebido, mas eu era o amor da sua vida. Você pode não ter percebido, mas eu faria de tudo pra trazer alegria, amor, afeto, carinho pra nossa relação. Você pode não ter percebido, mas eu tava ali. Mas você não percebeu, e aí eu fui embora.

Não, tá tranquilo, a culpa não foi sua não. Muitas vezes fui eu quem foi embora. Muitas é uma palavra bastante forte. Algumas vezes fui eu quem fui embora. Poucas vezes fui eu quem fui embora. Mas eu fui também, isso que importa. Mas não se sinta culpado, o amor não tem culpa não, meu amor. Foi que a vida fez com que acontecesse assim.

O que eu quero dizer bem aqui não é para que se sinta mal, então prossiga.

Você foi, para mim, a melhor das experiências amorosas, mesmo que tenha me trazido a pior das dores amorosas, ou talvez as piores dores amorosas. E, amorosamente, não digo isso para que faça parte de uma reconquista, longe de mim reconquistar seu coração, sua mente, seu corpo, seu tempo. Não. Você foi sim, uma experiência amorosa completa em sua completude momentânea. Momentaneamente inesquecível. Você tem nome, tem lembranças, tem músicas associadas (e devo confessar que alguns de vocês têm músicas conjuntamente associadas, pois a exclusividade não é uma permanência), tem cheiro, tem tempo, tem espaço. E mais do que isso, tem amor.

Você tem amor pela história que pude criar, mesmo que a história tenha sido criada somente na minha cabeça. Você tem o amor que teve de mim, pois que levou um pedaço e sei que se lembra disso, pois que eu também fiquei com um pedaço seu aqui. Você tem o amor que dedicou a mim, mesmo que tenha sido apenas aquele amor rápido, barato, trocado às pressas, à superficialidade. Você tem o amor que dediquei a você, e, como você pode ter notado ou não (e talvez nem tenha se dado conta ou nem mesmo se dê conta), mas foi bastante e o bastante para o momento. Fiz o que pude, talvez tenha feito até o que não podia, mas achei que poderia ser o certo a se fazer, mesmo sabendo inconscientemente que seria errado.

Em sinceros agradecimentos, que não sei muito bem como fazer, termino por aqui, por assim dizer, triste e feliz, nostálgica e saudosa, pensativa e reflexiva e ansiosa, sim, para que venha o outro homem da minha vida. E que talvez seja o último, mas que, se por puro acaso não seja, encaminho esse texto e meus sinceros agradecimentos. Com você, aprendi um pouco do amor.