ONE TEAM. ONE FAMILY. ONE DREAM

Nos últimos 3 anos, o futebol americano aconteceu no Rio Grande do Sul. Antes que velhos atletas protestem, alegando, com razão, que existem times gaúchos com mais de 7 anos de existência, explico: de 2013 para cá, o Estado ganhou cinco equipes totalmente equipadas, uma Federação constituída e duas edições de um campeonato regional bem organizados.

Além das 10 equipes federadas, ainda existem aquelas que vivem às margens dos holofotes. Essa é a breve história de uma delas.

Porto Alegre, janeiro de 2014

Em meados de 2014, quando a febre do futebol americano começa a subir no Brasil, um grupo em Porto Alegre decide criar uma equipe para disputar a X-Legue.

A competição, importada da America do Norte, seria disputada na modalidade Indoor, que, entre as diferenças em relação ao tradicional, é disputado com 8 jogadores para cada lado, sem linha lateral ou punt.

O campeonato estava marcado para estrear em março, restando ao grupo pouco mais de dois meses para se organizar, arrecadar jogadores e importar equipamentos de proteção.

O grupo organizou um treino. Na verdade, não passava de um coletivo, ou melhor, uma pelada entre duas dúzias de jovens interessados no esporte. O segundo treino, porém contava com 4 atletas.

Duas semanas depois do primeiro encontro, o torneio foi cancelado. O motivo? Falta de estrutura e organização.

Campo do Parcão, em uma de suas melhores formas (Foto: Leandro Behs/Arquivo Pessoal)

À época, o conjunto de jogadores era pequeno demais para ser chamado de ‘time’. Talvez, até mesma a alcunha de ‘jogadores’ não era merecida. Mesmo assim, a equipe acertou um amistoso contra outro time novato. No dia 16 de fevereiro de 2014, o primeiro adversário seria o Viamão Raptors, equipe da região Metropolitana de Porto Alegre.

Na época, muitos dos treinos eram realizados com 3 ou 4 jogadores. Um deles, emblemático, contou com a presença de 2.

A vontade de entrar em campo era a única coisa que mantinha a meia dúzia - literalmente - de jovens unidos. O grupo se reunia no campo de futebol do Parcão, pelo menos três vezes por semana no final da tarde e domingo pela manhã.

INFRAESTRUTURA

No lugar de cones, ficavam mochilas, garrafas d’água e galhos caídos de árvores. Voavam, em dias de sorte, duas bolas durante os treinos. Uma oficial, e a outra menor, quase metade do tamanho ideal.

Por flagrante ironia, o mês de janeiro reservou aos porto-alegrenses semanas seguidas de chuva, que ensopavam os jogadores e alagava o campo de treinamento. Além disso, uma greve de motoristas de ônibus dificultava o deslocamento para o treino.

O NOME

Paralelamente aos treinos, a escolha do nome estava em voga. E se os treinamentos juntavam até 12 pessoas em um belo domingo de sol, a discussão para decidir como a equipe iria se chamar parecia dividir a opinião de 100 homens. A um mês da primeira partida, a recém formada equipe precisava de um nome. Algo que além de ser reconhecido, impusesse medo nos adversários.

Dentre as opções, estavam Porto Alegre Maragatos, Black Devils, Crows e outros 17 nomes sugeridos pelos jogadores. No dia 10 de janeiro de 2014, Porto Alegre Crows foi eleito, com 50% dos votos, o nome oficial da equipe.

A lista da votação:

UNIFORMES

Com o jogo a menos de uma semana, a necessidade de um uniforme ainda não tinha sido considerada pelo Crows. A falta de tempo e dinheiro - também conhecidos como ‘falta de organização’ - impediam o time de contratar uma gráfica para confeccionar as camisetas.

Nesse momento foram consideradas duas opções: manufaturar uma camiseta com tinta e pincéis ou arranjar uma padrão, que todos tivessem ou pudessem comprar.

Após alguns testes e avaliando as habilidades artísticas dos envolvidos, o grupo decidiu, por bem, jogar com uma camiseta branca, de algodão, e calções escuros, a escolha de cada jogador.

O PRIMEIRO JOGO

O futebol americano indoor é disputado com 8 jogadores no ataque e outros 8 na defesa. Pelo menos essa é a ideia. No dia que antecedeu a partida, o Crows contava, oficialmente, com 12 jogadores. Horas antes do jogo, um dos atletas avisou que estava viajando, e não podeira comparecer. Sobravam 11.

O jogo estava marcado para as 9h, no Planet Ball. Para evitar atrasos, o time decidiu se encontrar antes, por volta das 8h na frente do complexo esportivo. Aos poucos, os 11 jogadores iam chegando, ainda trazendo em seus rostos a noite mal dormida, agitada pela ansiedade da estreia.

Um dos jogadores, Darrô Cardoso, não chegou a passar do portão de entrada. Ele confundiu o horário do jogo, achando que estava marcado para às 8h. Como ele deveria atender a um compromisso profissional às 9h, teve que abandonar a equipe antes de o jogo começar. Sobravam 10.

A BATALHA

Com apenas 10 jogadores, o Crows entrou em campo contra pelo menos 16 adversários. Apesar de o jogo ter sido em Porto Alegre, a torcida era predominantemente visitante. Cerca de 15 apoiadores.

Em um jogo confuso e com ânimos acirrados de estreia, o Porto Alegre Crows venceu milagrosamente o Viamão Raptors pelo placar de 12 x 8. Mas vou deixar o blog Prime Time contar os detalhes:

Em pé: Arthur Cepik, Henrique Jasper, Bruno Beidacki e Luda Gosch Agachados: Carlos Granolati, Eduardo ‘Ladaia’ Gomes, Cadu Bins (torcedor), Leonel Zilli e Wendell Ferreira

Nota do Editor: Na abertura da temporada 2016, apenas 4 jogadores continuam no elenco do time.

O PÓS-ESTREIA

Embalado pela vitória na estreia, o Porto Alegre Crows respirava novos ares. Uma seletiva realizada dias após o jogo arrecadou mais de 10 atletas pra a equipe, dobrando a quantidade de jogadores do elenco inicial.

Crows antes da derrota para o Mustangs, em São Leopoldo

A próxima parada era São Leopoldo. Apesar de a cidade da região Metropolitana ser próxima, a ida não foi fácil. Os jogadores se reuniram na estação de trem para irem até a cidade. Chegando na estação de destino, um ônibus da Unissinos, levou os atletas até o a campo da Universidade, onde chegaram atrasados para o jogo. Sem aquecer, a equipe entrou em campo, e brigou de igual para igual. Faltando 3 segundos para o fim do jogo, o placar era 18 x 14 para o adversário. O Crows tinha a bola posicionada na linha de uma jarda do campo adversário. Há poucos centímetros da vitória. Corrida pela direita, fumble, e derrota da equipe de Porto Alegre. Foi a primeira grande decepção da equipe.

Jogadores reunidos após a derrota para o Pelotas Ants

Na sequência, a equipe de Porto Alegre buscava a reação contra a equipe do Pelotas Ants, uma equipe pouco conhecida pelos Corvos. Além do Ants, o time enfrentava a dificuldade da longa viagem. Reunir o elenco para entrar em campo, juntar dinheiro para pagar o transporte eram algumas das dificuldades extracampo.O Crows foi, literalmente, patrolado pelo Ants em Pelotas. A equipe da Capital perdeu o jogo por 47 x 17. A derrota arrasou o time.

MIGRAÇÃO

Após as duas derrotas, o time se desmobilizou. Grande parte dos jogadores deixou o time, e a equipe voltou a ter poucos atletas para disputar partidas. Nesse momento a Diretoria da equipe decidiu tomar uma posição. Era o momento de escolher: encerrar as atividades ou evoluir.

A decisão foi de migrar para o futebol americano 11 x 11, fazer uniformes decentes e investir na marca da equipe. Em um tryout realizado após a decisão, quase 20 atletas foram recrutados para o elenco, tornando possível a completa migração.

A primeira partida da nova fase foi marcante. Depois de uma viagem de 5 horas de ônibus até a cidade de Tapejara, a equipe entrou em campo contra o Dragons sabendo que o futuro do Crows dependia deste resultado. A atuação você confere abaixo:

A partir do ano de 2015, o Porto Algre Crows perdeu uma partida e venceu três seguidas. No ano de 2016, o primeiro jogo será um amistoso contra o Porto Alegre Warriors, no fim do mês de abril.

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