Shanti, shanti, shanti…

Bruna Rother
Nov 5 · 3 min read

Nunca entendi essa necessidade de um Deus para explicar o mundo ou justificar o que não tinha explicação. Era cética para acreditar quando falavam que havia “algo maior”, achava perda de tempo se doar para algo que não era palpável, a gratidão deles me fazia revirar os olhos, mas não percebia que essa descrença era falta de fé: em tudo, mas principalmente em mim mesma.

Há um ano, cheguei mais descrente do que nunca ao @gajayogabrasil, sai da sala e não consegui desligar o botão de lágrimas que as posturas haviam desencadeado. Voltar para o yoga? Nem pensar. Dolorido demais, era mais fácil tomar uma pílula por dia e seguir ignorando a voz. O problema era que já não era capaz de ignorar a voz, ela havia tomado conta de mim. Não havia espaço para o novo, pois ela falava mais alto: você é fraca, não é capaz, essa serenidade não é real, eles vão te julgar.

Sempre desisti de tudo nesta vida, porque não desistir do yoga? Porque o Universo já estava de saco cheio de mandar sinais e ser ignorado, dessa vez ele gritou (com muito amor e carinho). E eu continuei… A primeira vez que entendi que dava para conversar com a voz dentro da minha cabeça e abaixar o volume foi ‘magnificent’, estava em lótus quando a chuva começou a cair do meu rosto para o tapetinho e depois de vários meses, eu finalmente ouvi o que aquele ‘shanti, shanti, shanti’ estava tentando me dizer.

Hoje completo um ano sem julgar os outros e a mim mesma. Poderia dizer que o yoga mudou minha vida, mas na verdade me ensinou a viver: fora da minha cabeça, com conexão, amor e propósito, uma vida com força (física e mental), uma vida iluminada. Parece só mil maravilhas, né? Mas não é, só é gratificante o bastante — o trabalho diário dentro da sala e fora do tapete.

Ontem mesmo a voz saiu do controle, fumei alguns cigarros, tirei o esmalte da unha, duvidei de mim mesma, não consegui dormir, impedi o amor de chegar perto o bastante para me acalmar. Quando estava quase doendo o maxilar de tanto pensar em tudo ao mesmo tempo (e julgar), lembrei de uma das coisas mais importantes: respirar. Respirei até voltar a mim mesma, respirei até a gata parecer mais calma (energia, né?), respirei até conseguir voltar para cama e dormir de conchinha com quem mais amo no mundo: eu, ele e uma mente serena.

E não é que existe algo muito, mas muito maior que nós mesmos. Como eles dizem mesmo? Ah é: gratidão 😊

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