A peça mais premiada em Cannes é um carimbo.

Sendo muito sincero, não sou muito fã de Cannes, talvez por nunca ter ganho nada, nunca ter ido até lá, ou mesmo por nunca ter inscrito um projeto. Já viu quanto custa?

Bom, colocando meus mimimi's de lado, tenho percebido que a simplicidade vem ganhando força, mas para entender isso precisamos deixar os egos de lado.

Primeiro, desculpa, mas isso ai em cima é um carimbo, assim como no ano passado era uma estátua. Sim, teve filme manifesto, teve peça, tiveram influenciadores, folhetos, sites, eventos, programas de treinamento, mas a materialização criativa disso tudo era uma coisa bem simples.

Um carimbo diferente, que ganha sentido quando inserimos no contexto de um processo de imigração de um pequeno paraíso australiano, assim como uma estátua que ganha um novo sentido quando vira uma intervenção urbana em Wall Street.

São pequenas ações que começam grandes conversas com as pessoas, e precisamos de mais projetos simples como esses.

Esses projetos são do caralho, mas a forma como falamos sobre eles é uma merda. Enquanto chamarmos uma simples intervenção urbana de “A symbol of female leadership for today and tomorrow” e um simples carimbo de “The first of it’s kind immigration process for good” vai ficar difícil trazer projetos como esses para a criatividade do dia a dia.

Os jobs que recebemos são comuns e a simplicidade deveria ser o nosso cotidiano e não a nossa excessão.

Quanto custa para criar / produzir / aprovar e veicular um job comum, como um filme de 30'? E com essa grana quantos projetos como esses dois, tão premiados, a gente poderia fazer/testar/experimentar?

Já que projetos simples vem ganhando os maiores prêmios de comunicação no mundo, eles deveriam virar exemplo, não? Projetos simples já mostraram o seu valor, mas para trazer um pouco de simplicidade para o dia a dia precisamos simplificar, não só como pensamos, mas também a forma como falamos sobre as nossas ideias e projetos.