Luz, tecnologia e narrativa

“Que se haja a luz.” Foi isso que foi dito por deus para o ato da criação do nosso universo segundo os textos judaico-cristãos, já a ciência diz hoje que tudo era uma grande massa de energia escura, sem luz até uma grande explosão da qual se configurou o universo como conhecemos. Desde as mitologias mais antigas, até o método cientifico, a luz é uma constante para a vida no universo.

by: Higor Hatano

E a luz sempre foi sinônimo de sabedoria, de conhecimento. Os grandes sábios do passado foram chamados de “iluminados”, mas não estou aqui pra falar dos sábios, estou aqui pra falar de luz, mais precisamente de fotografia, que vem de phos (luz) graphis (escrita) do grego, ou seja, escrever com a luz. Mas antes dos métodos dos quais estamos habituados, existiram pela história diversos “fotógrafos” dos quais escreveram, ou melhor, pintaram a luz. Criando as primeiras tecnologias para capturar luz, tecnologias das quais todas as câmeras possuem dentro de si hoje. A câmara escura, uma das primeiras técnicas para projetar uma imagem através da passagem controlada de luz através de um orifício dentro de um ambiente escuro e foi usada por astrônomos, cientistas e artistas do antigo mundo e também responsável pelo primeiro processo fotográfico conhecido na história. Até começar a estudar fotografia a sério, minha vontade de aprender física era praticamente nula, a fotografia e os fenômenos óticos me proporcionaram uma experiência única de literalmente enxergar o mundo com outras lentes. A escola nunca me provocou o tesão de querer entender melhor sobre o mundo a minha volta, desde as questões materiais/físicas que regem a vida, o universo e tudo mais, quanto as humanas/existenciais das quais nos perguntamos toda vez que nos sentimos perdidos em nossas vidas. Você já parou pra pensar o quão incrível é poder registrar um momento de modo tão simples como podermos agora?

Luz é foda, fotografia, incrível.

Nós estamos acostumados a isso e é extremamente simples, nunca foi tão fácil capturar momentos e a própria história quanto hoje e agora, mas já parou pra pensar o quão difícil era pra algumas gerações atrás o mesmo processo? Segundo Douglas Adams, “Qualquer coisa que já existe quando você nasceu é normal e ordinária e é apenas parte natural do modo como o mundo funciona”, pois não temos referencia de como o mundo era antes de virmos ao mundo, certo? Hoje é muito fácil capturar a luz por todas as inovações tecnológicas quais estão presentes em um aparelho em nossos bolsos todos os dias, mas e os grandes mestres das artes plásticas? Já pensou como eles precisavam observar e entender a luz para representar o mundo como eles enxergavam, suas obras são prova do quão foda esses caras eram, é tudo muito lindo!

Talvez vocês já conheçam e estudem fotografia/artes e tudo mais, mas lhes convido a enxergar com minhas lentes e se vocês estão aqui até agora, é que talvez tenha pego sua atenção. Queria poder falar sobre tantas coisas, mas o meu foco nesse texto é a luz… Você já pensou na luz como instrumento narrativo? Nós, Homo Sapiens que Sapiens, a mais ou menos 12.000 anos atrás nos tocamos que somos seres visuais, do qual aprendemos e entendemos o mundo a partir da observação e a compreensão do mundo a nossa volta e através de histórias, narrativas que representam suas existência, suas conquistas, medos, lutas e até mesmo o tesão de viver. Antes mesmo da linguagem oral ser estabelecida, o registro fora feito visualmente, então posso dizer que os primeiros “fotógrafos” da história estão nas cavernas? Talvez. Mas com o passar dos tempos fomos aperfeiçoando nossos métodos e técnicas de como registrar o mundo a nossa volta. Muito provável que Niépce no século XVIII não tenha pensado nisso quando criou o primeiro processo fotossensível qual nos permitiu literalmente registrar a luz como nossos olhos enxergam, mas o único problema é que demoravam algumas horas até isso acontecer, acredita nisso? Horas pra vocês conseguir uma imagem borrada e meio disforme? Meu celular captura instantaneamente.

Hoje vivemos em uma era privilegiada, não concorda? Você já refletiu sobre como você registra, enxerga e compartilha o mundo? De como a luz pode nos contar histórias e como ela pode nos trazer sentimentos? Vivemos na era da informação, milhares de imagens são compartilhadas a cada segundo e o que a sua difere de todas as outras? O que você trás consigo quando dá um pouco da sua visão do mundo para a rede? Entender a luz é comunicar melhor, conhecer a luz é poder mostrar ao mundo a sua visão da melhor forma possível .