Sabrina aprendeu a nadar (lua cheia em gêmeos)

Inspiração é essa urgência de nascer.

Em saltos, porosa de necessidades, vem a réplica da vida anunciar a estrada, ainda que desconhecida, nublada, é pra lá que a seta aponta. A firmeza desse arco namora com paixão desmedida.

Adiante são os fogos de artifício. Finito, dilatado. Por aqui, falo aos montes desses filhos desgarrados da mãe, que escolhem seu trajeto - e cabe a criatura se pertencer.

Esta lua cheia que algo ilumina aciona as asas das minhas fraquezas, sorrir é confiar nesse voo.

As gargalhadas que mantém no ar são as ideias que ensinam a nadar.

Sabrina disse que precisava cantar. E também dançar. Mas antes tomou nota de alguns instantes. Registrava os fatos antes de acontecerem, como se sua palavra em grafite pudesse mover o tempo. Ela escrevia as horas. Os segundos, respirava. 
Chegou certo dia a meditar e suspendeu com diálogos imaginários. Posteriormente, ao se realizarem defronte, bebia água para escutar o comércio da sua mente. Ela mesma cliente de si, foi assim que entendi:

- Sou ferramenta, a máquina, sou parafuso, sou nada. Sou gota, o espaço, o tempero, oxidado. Sou acima, acuado, enxergo o que não foi dado. Sou embora, escancarado, é escuro, impenetrável. 
_É honesto esse vômito de voz atrás do pensamento_
Está um pouco atrás de mim o que está um pouco a frente. E um pouco em cima, o que percebo cá embaixo. 
A beleza do momento de olhar sua semente como aliada: enraizada dança a morte, convidada pela vida, onde escolhe fazer morada.

Sabrina aprendeu a nadar só para chegar a ilha. Tesouros desimpedidos perfumam o Jardim Sedutor, o aroma do avesso é o encanto do recomeço. Nem ela sabe o que vai acontecer ao por os pes no chão, escreve para oferecer o caos da percepção. Finalmente vai dizer sim ao que sempre, por não polinizar, disse não.

Pólen em ação.

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