Meu corpo em itálico que sobre o seu vela o hálito, tensiona-se, contrai-se em espirais animalescas e distorções ilegais.

Escorre e pinga o licor do meu esforço sobre o do seu esforço, antes que toque o plano evapora, tornando-se o ar que inebria e combus a força de impulso dos saltos que damos.

Desejo abocanhar-te e ferir-te profundamente a alma sem, contudo, profanar sua carne. Bato a testa nos paradoxos do seu umbigo; portal florido e cheio de mangueiras.

Respondo às suas tentativas de arrancar-me as costelas à unha numa vã tentação de romper-te pelas pernas.

Deito minha boca sobre as montanhas dorsais do seu ser, te aspiro, expiro e desmaio. Te reciclo, despido e me calo.

Toco as cordas de seu cabelo e o som oco me rompe os nervos, as veias e os pulmões. Vejo nas galáxias de seus olhos os meus próprios, reverberando tremores, ardores e amores daqui até o fim.

Hilário Zeferino escreve porque o instante existe.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.