Consumo x Sustentabilidade

Sustentabilidade se tornou um conceito de destaque no século XXI. Ela significa o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a qualidade de vida das gerações futuras. Essa ideia tem ganhado força desde da metade do século passado, mas se tornou imperial nos últimos anos na medida que a consciência social ainda é limitada em relação aos problemas que nosso modelo de desenvolvimento apresenta. Podemos afirmar que não há desenvolvimento econômico sem desenvolvimento social e ecológico.

O relacionamento da sociedade com o meio ambiente tem se agravado com o crescimento populacional e com o maior poder aquisitivo dos países emergentes. Isso tem elevado o consumo, e consequentemente a produção de bens e serviços. Desde 1950 a população mundial mais do que duplicou, passando de 2 bilhões e 500 mil, até atingir 7 bilhões em 2011, e ainda deve chegar a 8 bilhões em 2050 de acordo com a UNFPA. E de acordo com o Ministério das Cidades, 35 milhões de pessoas entraram na classe média entre 2002 e 2012, o que soma mais de 100 milhões de brasileiros. E a previsão é que até 2020, 117 milhões de brasileiros farão parte da nova classe média.

Sabemos que o consumo fortalece nossa economia. Mas além do crescimento da população e a melhora do poder aquisitivo da população, a demanda cresce com novas necessidades criadas por meio de estratégias de marketing, que não são necessariamente bens que precisamos. Na minha opinião devemos redefinir nossos padrões de consumo vindos de países desenvolvidos, e traçar outros que respeitem o meio ambiente e a saúde humana, fatores realmente essenciais para nossa vida.

O Balanço Contábil das Nações já alertou que o planeta não vai comportar essa população se os modelos atuais de extração, produção, distribuição, consumo e descarte, continuarem fundamentados na crença de que os recursos são abundantes e inesgotáveis. Mas a realidade é que os recursos naturais e não renováveis estão se esgotando e os resíduos se acumulando. Está claro que o ciclo da natureza foi quebrado.

Os novos produtos tecnológicos, em especial, chegam ao mercado e criam necessidades que antes não existiam e não são essenciais. Eles são criados para serem descartáveis, com pouco tempo de vida. É planejado que seu notebook, por exemplo, dure cerca de dois anos, e novas tecnologias surjam criando novas necessidades num ciclo que parece interminável.

O resultado de tanto consumo ficou bem expresso pelos dados do Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil. Em 2014 o Brasil gerou um total de aproximadamente 78,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, o que significa um aumento de 2,9% em relação ao ano anterior — índice maior que a taxa de crescimento populacional no país no período, que foi de 0,9%. O índice de cobertura de coleta neste mesmo ano foi de 90,6%, o que mostra que 7 milhões de toneladas de lixo tiveram destino impróprio.

Para evitar que o problema continue se agravando, é preciso diminuir a geração de resíduos sólidos. O nível de consumo deve mudar e para isso acontecer uma nova conscientização precisa surgir. Enquanto existir o crescimento econômico voltado para a satisfação de demandas por bens de consumo não essenciais, é improvável que alcancemos um processo de desenvolvimento ecologicamente sustentável. Os fabricantes desses produtos devem pensar na reciclagem do material e como causar menos impacto no meio ambiente.

É aí que entra a Lei 12.305 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que traz o conceito de da responsabilidade pós-consumo, isto é, a destinação final do produto. É um desafio a implantação da logística reversa de produtos e embalagens, mas que traz para as indústrias e outros atores da sociedade a responsabilidade compartilhada. Precisamos de investimentos e políticas públicas, mas todos nós precisamos fazer nossa parte.