Lixo industrial

Todos os resíduos sólidos são uma ameaça ao meio ambiente e à saúde do homem, mas um tipo de resíduo é mais agressivo, podendo atingir o organismo através das vias respiratórias, da pele ou ingestão: os resíduos químicos.

Os resíduos químicos, segundo a Resolução CONAMA n° 358, são “todo material ou substancia com característica de periculosidade, quando não forem submetidas a processo de reutilização ou reciclagem, que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxidades”. São os lixos e efluentes de indústrias hospitais, institutos de pesquisa e outros.

A contaminação pode ser evitada com procedimentos de segurança que muitas vezes não são atendidos. O lixo químico deve ser acondicionado de acordo com a compatibilidade química dos resíduos entre si e com os materiais de embalagens, para evitar uma reação química entres esses componentes.

No entanto, o crescimento industrial é um dos maiores causadores da poluição excessiva de resíduos químicos no meio ambiente. Existem muitas indústrias que não obedecem às regras de segurança de embalagens contaminadas. Falta tratamento e eliminação correta e os resíduos acabam contaminando o solo, o ar e a água, se tornando uma grande ameaça à saúde pública.

Os grandes rios que abastecem grandes regiões do Brasil frequentemente recebem esgoto industrial em suas águas. A Bacia do Rio São Francisco, em Minas Gerais, sofre com atividade mineradora da região. Estudos apontam altas cargas de arsênio, um semimetal perigoso, que está ligado a ocorrências de câncer em humanos. Outros metais foram encontrados em menos concentração, como o chumbo, cromo, mercúrio e zinco. Tudo isso vem de atividades industriais da região de mineradoras, frigoríficos, fábricas têxteis usinas de ligas metálicas e siderurgia.

Toda a contaminação das águas no mundo causa cerca de 10 milhões de mortes todo ano, pelo consumo de águas impróprias, que podem conter inúmeros vírus, bactérias, protozoários e vermes. A solução é o tratamento da água, onde são realizados procedimentos físicos químicos para que ela se torne própria para consumo.

Antes de chegar as nossas casas, a água passa cerca de três horas numa estação de tratamento (ETA), onde passam por etapas de decantação, filtragem e adição químicos. No Brasil, 83,3% dos brasileiros tem abastecimento de água tratada, o que significa que mais de 35 milhões pessoas no Brasil não tem acesso a este serviço.

Mas para resolver o problema, tratar as consequências pode não ser o suficiente. É preciso tratar a causa. Precisamos refletir sobre o papel do lixo, seu significado e contextualização cultural e o tipo de relacionamento que escolhemos ter com ele. Muitos empresários ainda veem o lixo que gerou como um custo adicional, deixando passar despercebidos o potencial de lucro e economia que a reciclagem, redução, e tratamento podem trazer.

As empresas precisam, então, investir na manutenção de condições saudáveis de trabalho, treinamento dos funcionários, contenção ou eliminação dos níveis de resíduos tóxicos, elaboração de entrega de produtos ou serviços de forma a agredir menos o meio ambiente e a saúde pública. Dessa forma, os benefícios podem ir além do bem comum, e trazer ganhos para a própria empresa.