Os cuidados com o descarte de medicamentos vencidos

O Brasil é um dos maiores consumidores de remédios do mundo. Nos últimos anos, Brasil passou da décima para sexta colocação no mercado farmacêutico mundial e a estimativa é de que em 2017 o país chegue ao quarto lugar. Nossa população, além de ter o habito de se auto medicar, tem o costume de comprar remédios para uma “farmácia caseira”. O resultado da compra de medicação sem critérios ou em grande quantidade são produtos envelhecidos e sem uso que enfim são descartados. Porém, pouco nos é ensinado sobre o que fazer com medicamentos vencidos e os seus malefícios no organismo e no meio ambiente. Remédios são substâncias químicas e sem o destino correto podem levar a contaminações do solo, da água e dos animais.

Muitos acreditam que jogar os medicamentos na lixeira, pias ou no vaso sanitário sejam boas opções. Contudo, via esgoto, o medicamento pode até ir para uma estação de tratamento, mas muitos não são totalmente degradados já que as estações não foram projetadas para eliminar micropoluentes químicos. Já existem formas de tratamento que visam eliminar os remédios da água, porém, são todas muito caras para um sistema em larga escala. O descarte de medicamentos pelo lixo comum é perigoso pois eles podem chegar em sua forma original aos aterros. Muitos não possuem impermeabilização adequada e os remédios podem contaminar o solo e o lençol freático em concentrações até maiores que via esgoto.

O problema do descarte de medicamentos é mundial e relativamente novo. No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada pela a lei n° 12.305/2010, visa entre outras coisas, o incentivo à coleta seletiva e à reciclagem, práticas educação sanitária e ambiental, incentivos fiscais e à logística reversa. E a norma ABNT NBR 16457:2016 visa especificamente regulamentar os procedimentos de logística reversa de medicamentos de uso humano vencidos e/ou em desuso. Destaco dois pontos importantes nos dois textos que são relacionados a medicamentos.

Primeiro: os resíduos devem ser destinados a locais adequados para minimizar os danos ambientais e à saúde humana, isso através da responsabilidade compartilhada. Ou seja, o descarte de um produto em um local inadequado é responsabilidade tanto da empresa quanto do consumidor. Segundo: a obrigatoriedade da logística reversa. As empresas devem oferecer opções para reaproveitamento de seus produtos em suas cadeias produtivas ou locais para a destinação correta dos mesmos. Por fim, a norma possibilita que farmácias e drogarias sejam pontos de coleta de resíduos de medicamentos para descarte pela população.

Por isso, informe-se nas farmácias do seu bairro se elas participam de algum programa de descarte de medicamentos. No site Ecomedicamentos há uma relação dos postos de coletas que estão espalhados em diversas regiões do país, a maioria drogarias e supermercados. A coleta é destinada a todo tipo de remédios, seja comprimidos, cápsulas, xaropes ou seringas. Caso não exista um ponto de descarte em sua cidade, as Unidades Básicas de Saúde possuem orientações de como fazer um descarte seguro.

Geralmente os resíduos de medicamentos e os objetos usados para seu uso têm como destino final a incineração ou são levados para aterros industriais, dependendo do procedimento adotado em cada município. Desse modo o Brasil avança em relação a suas políticas ambientais e foca na saúde a médio e longo prazo da população. Mas ainda é necessário investir em informação e educação ambiental e deixar a população ciente de suas ações. Muitas pessoas, por falta de informação, descartam medicamentos no lixo ou nas redes de esgoto. Conte para amigos e familiares que existem pontos de coleta espalhados pela sua cidade.