A ignorância política é um problema de saúde pública: Kaspar Hauser, Bolsonaro e empatia.

Vai fazer sentido, eu juro.

Você conhece o enigma de Kaspar Hauser?

Em uma produtiva conversa que acontece semi-regularmente em nosso escritório compartilhado, o canto de um bar, eu, um amigo estudante de medicina e uma amiga estudante de psicologia dividimos uma reflexão.

Você conhece o enigma de Kaspar Hauser?

Kaspar Hauser foi uma pessoa real, com passado envolto em mistério. Encontrado com aproximadamente 15 anos de idade em 26 de Maio de 1828, em uma praça de Nuremberg, na Alemanha, tendo como posses somente um livro de orações e uma carta destinada a um capitão da cidade, Kaspar Hauser não possuía linguagem e, conforme descoberto posteriormente, foi criado em uma prisão desde que nasceu e não tinha contato algum com outros seres humanos. Exceto seu suposto pai, que ia diariamente alimentá-lo de pão e água.

O que é interessante de Kaspar Hauser é que, acidentalmente ou não, temos o experimento perfeito de como seria uma pessoa sem a influência da sociedade ou o contato com diversas interações e relações sociais. Apesar de com o tempo ter sido ensinado várias coisas em níveis razoáveis, como a falar, Hauser inicialmente tinha várias deficiências cognitivas, psicológicas e sociais. Não bastasse não ter adquirido linguagem e não conseguir diferenciar sonhos de realidade, não tinha qualquer ideia de como interagir com outras pessoas. Algumas versões dizem que ele andava como um animal, por ter um cavalo de brinquedo com quem tinha mais contato que humanos.

Após a morte de Kaspar Hauser, também sob circunstâncias estranhíssimas, uma autópsia de seu cérebro revelou diferenças físicas gritantes do cérebro de um indivíduo civilizado, com uma redução significativa da massa de algumas áreas. Há mais de 400 livros sobre o assunto.

O que esse exemplo ilustra perfeitamente? Que nós nos desenvolvemos por espelhos.

Minha única referência ao nazismo nesse texto vai ser essa

Parte significativa do descobrimento e a construção da consciência e do caráter se dá assim, por reflexo, por feedback. Nós somos como aquela cena do bar de Bastardos Inglórios, quando os personagens jogam “Quem sou eu?”. A dinâmica do jogo é simples: você pega, sem ver, um cartão com o nome de um personagem escrito, cola na testa e vai fazendo perguntas até descobrir quem é. Nossa construção é basicamente assim, mas não só para quem somos como também como nos relacionamos com o mundo, as nossas definições, os nossos valores, os nossos conceitos, os nossos preconceitos. Nem que seja pra discordar, precisamos do contato com as coisas para respondermos a elas.

E é aí que entra o Bolsonaro e a empatia.

É muito óbvio para qualquer um que não seja um bolsominion que o problema desta corja é uma aguda ignorância. Vocês, bolsominions, simplesmente não sabem de várias coisas. Vocês, bolsominions, vivem em seus próprios guetos ideológicos, com pessoas de mesma classe social, renda, costumes, gostos, cor, credo e alinhamento político. Pra vocês, a realidade é essa cela aí. Vocês são todos Kaspar Hauser, mas em conjunto. Vocês podem ter aprendido a falar, a se vestir, a apoiar a ditadura e a dar pitaco na vida alheia, mas é óbvio que vocês não desenvolveram a empatia. E falo isso fisicamente, também. Por isso digo que é um problema de saúde.

Este rapazinho aí acima é o sitema límbico. O sistema límbico é o responsável pela capacidade de refletir sobre sí mesmo e sobre o próximo e a partir disso formular compreensão e possibilitar cooperação e aprendizado com o próximo. Esta área do cérebro, que é menos desenvolvida nos autistas, é o que possibilita a interação social. Quer ler mais sobre? Toma o blog da Scientific American.

E é esse o seu problema, bolsominion. Você é um autista social. Eu aposto um lanche que testes comparando a diferença de massa cerebral entre você e alguém de bom senso mostraria sérias alterações nesse setor.

Sim, bolsominion, eu sei coisas que você não sabe. Sim, você está errado. Você está afogado em ignorância e a única coisa decente a se fazer é calar esta porra desta boca.

spitting image

Já viu como o filho do Bolsonaro é uma cópia cuspida e escarrada dele? Não só em aparência como em ignorância. Os dois são contra homossexuais e a favor da militarização e da intervenção da igreja no estado e no armamento da população e os dois acham que dois pretos no escuro são a mesma coisa (bandidos, que estariam melhores mortos). Se você não acha que esses dois são uns trogloditas é porque eles são pra você o que o cavalinho de brinquedo do Kaspar Hauser era pra ele: seu único contato com o mundo, o seu parâmetro, o que te ensina a andar.

Mas calma, tem cura. Ainda dá de trabalhar empatia. Arranje um amigo gay, ou negro ou pobre ou de outra religião. Você vai se surpreender quando descobrir isso, mas eles também são gente.

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