
Depois de uma sequência de acontecimentos desencadeada por péssimas decisões — influenciadas diretamente pelo teor alcoólico presente em meu organismo e combinado ao cansaço de várias noites mal dormidas — finalmente vem surgindo uma pontinha de esperança no horizonte. Dessas que ajudam a continuar enfrentando a vida e até mesmo, por que não, acreditar em dias melhores.
Ainda sem celular, mas agora com um cartão de crédito provisório, já sinto segurança o suficiente para romper minha casca de ansiedade e desespero. Sorrir para as pessoas a minha volta, confiar na bondade do próximo e até na do Universo.
Certa vez, alguém em quem eu decidi confiar — precipitadamente, talvez, mas o que é que eu posso fazer? São dias difíceis para os sonhadores. — me convenceu de que sentir-se confortável era extremamente importante. Claro que, naquele momento, a dica tinha mais relação com o fato de eu estar reclamando da minha meia molhada pela chuva do que com qualquer possível metáfora metafísica. Hoje, após essas últimas semanas — perdoem meu linguajar — de merda, sofrendo antecipadamente e copiosamente por tudo, consigo enxergar a importância do conforto e da tranquilidade.
Que ninguém consegue ser alegre o tempo inteiro, vá lá. É mais do que justo. Mas a busca por conforto e uma mente tranquila me parece cada vez mais essencial. Não estou dizendo que desvendei O Sentido da Vida ou que descobri a América, mas, sentada em meu mais novo café preferido de Curitiba, rodeada de sofás e poltronas aconchegantes, funcionários simpáticos e atenciosos, comendo um pedaço de pavê de doce de leite e tomando um suco de acerola num copo bonito — tudo isso por um preço super justo — só consigo me sentir cada vez mais feliz e disposta a buscar esse ideal de vida.
Essa energia boa, compartilhada e recarregada não tem preço. E acho que vai ajudar muito daqui a pouco quando eu precisar voltar pra dentro das luzes artificiais do shopping em que trabalho. Parece que realmente precisamos tentar manter a calma e aprender alguma coisa com experiências ruins. Nem sempre vai ser fácil, mas quem disse que seria, não é mesmo?
