Neuroses Modernas

Como sobreviver depois de perder o celular

Não sei como funciona para vocês, mas o meu telefone carrega a minha vida. Finanças, trabalho, vida social, entretenimento, mobilidade, organização, produtividade, enfim, tudo! E, na quarta feira, perto de dois grandes eventos da minha empresa, eu esqueço o meu celular dentro de um 99. Sim, isso mesmo. Primeiro pensamento: Como eu falo com clientes? Putz… só tenho os telefones na agenda do celular. Será que eles leem e-mails? (Ninguém mais lê e-mails com frequência, não se você tem mais spam que e-mail de verdade).

Segundo pensamento: Vou localizar meu telefone no google, mandar aquele trem apitar até o motorista me devolver. Achei, está em gaivotas, vou mandar apitar, tá apitando, ele visualizou a 1 minuto, vou ligar, ele não está atendendo, PORQUE ELE NÃO ESTÁ ATENDENDO? Ele quer meu telefone. Vou bloquear. O QUÊ???? O telefone desligou? Ele tava com 15% de bateria. Seu telefone já desligou com 15% de bateria. ELE QUER MEU TELEFONE!

Terceiro pensamento: Já perdi meu telefone. Se em dois dias ele não me ligar, vou limpar os dados e comprar outro. Acione o telefone reserva. Sabe aquele… o velho, pai de santo, que eu tenho para emergências e shows. Nossa! Todos meus contatos estão sincronizados. EU AMO O GOOGLE! Nossa! Todos meus aplicativos estão sincronizados! EU AMO O GOOGLE!

Percebeu a paranoia? Isso tudo aconteceu em 30 minutos depois da separação. Mandei 5 emails, para 5 empresas diferentes, vendo o que fazer para bloquear os dados. Achei que estava tudo perdido, olhei preços de telefone e já me planejei para Black Friday.

Consegui me virar com o reserva, os dados na nuvem são uma benção e uma preocupação. Mesmo com o telefone reserva minha vida não foi exatamente a mesma. Tive que avisar fornecedores, clientes e amigos que perdi o telefone (contar o como é a pior parte). Não participava dos grupos e, daqueles que eu era a administradora, não tinha nem como pedir para me adicionarem, haha. Quis chamar outro “táxi”(não aprendo rápido), mas descobri que meu cartão de crédito não estava cadastrado e deveria fazer tudo de novo, mas estava sem o cartão. Quis assistir alguma coisa no Netflix e descobri, “putz… tenho que fazer download”. Nenhuma das minhas redes sociais estava no telefone antigo… Então, bora reconfigurar a vida.

Não tinha percebido o quanto eu estava ligada a esse retângulo fino feito de vidro, plástico e semicondutores, até ficar sem. Estranho porque, em 2007, não tinha telefone celular de qualquer tipo, até 2012 não tinha um smartphone e 5 anos depois eu me sinto um verdadeiro pária sem um. Jobs revolucionou a vida moderna.

Gostaria de deixar claro que isso não se trata de saudosismo barato. As coisas mudam. Sem juízo de valor aqui. O passado não é nem melhor, nem pior, somente diferente. E hoje, pelo menos para mim, um smartphone é essencial. Simplesmente por não querer ir ao banco, ter telefone de taxista, ligar para pedir comida, assistir filmes no computador, ser impedida de mandar whats e milhares de outras coisas, pequenas ou grandes.

A parte feliz é que o motorista me devolveu, disse que ele não tinha visto o telefone e que as crianças acharam. Fico muito grata! Existem pessoas boas no mundo. Além disso, consegui rodar os projetos, graças ao celular reserva e aprendi que tê-lo não é neurose, é uma necessidade da vida moderna. (Tá bom, é um pouco neurótico, mas também é antifrágil). Devo manter o pai de santo por mais tempo. Redundância é a grande amiga dos imprevistos.

Já a triste é que a culpa bateu por pensar coisas ruins. Sinceramente, quem não pensa? Mesmo assim, não é desculpa.


E você? Qual é a sua história neurótica moderna?

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