De um blog para cá

Quando eu comecei a minha vida, lá, depois da voadora com dois pés, eu comecei a viver coisas, e tudo que acontecia era tão engraçado, ou pelo menos eu julgava isso, que comecei a ter ideia de escrever um blog, era a época “meio-fim” da famosa “blogosfera” ou seja lá como chamavam o mundo dos blogs. Eu sei que já não era tão comum ter blog, passava da fase de todo mundo ter para a fase de que só blogueiras remuneradas faziam isso ainda. Mas eu, atrasada como sempre, entrei na blogosfera, ainda estou nela, aliás, algumas coisas ficaram lá, o blog existe, mas foi abandonado e muita coisa foi apagada (história pra contar depois), ele não era mais eu, nada tinha de meu, porque tudo que eu queria e sabia fazer era sentir a alma tão dilacerada que nada tinha de engraçado pra contar, já não era pra mim, era para outros, e eu não nasci para entreter, eu não sei como fazer isso. Mas ok, estou colocando o burro na frente dos bois, eu preciso falar de como eu realmente comecei a ter motivação pra escrever, porque isso foi uma parte importante, sem isso eu não sei como eu teria começado a escrever um blog.

Quando uma pessoa fica solteira, ah, é tão notável, principalmente se é alguém que passou muitos anos ao lado de alguém, principalmente se essa pessoa namorou a adolescência toda, perdeu as festas, perdeu pegação, perdeu shows, brigas, etc. Não que até os meus 16 anos eu já não tivesse muita bagagem pra contar, eu tinha, mas aquela bagagem juvenil, aquela que pode ser contada para meninas de 14 anos, aquelas histórias batidas de filme americano em que uma menina sofre na escola, fica mal falada ou sofre implicância de certos grupos. Tudo isso eu passei, mas as histórias que a gente vê em filme adulto, aqueles que podem ir pra lista de concorrer ao Oscar, ah, essas histórias só depois do primeiro pé na bunda mesmo.

Então eu tinha 20 e poucos e minha experiência com a solteirisse só tinha ido até os 16, que lástima, que triste, que gatinho! Quero! Festa? Tô dentro! Cerveja? Caipira? Vinho? Me dá.

E no alto de ter começado a ser “gente grande”, eu não era tão grande assim. Era de uma imaturidade para escolher/ser escolhida por alguém que eu preferia os mais novos, os inexperientes, aqueles angelicais, os cheios de adolescência correndo nas veias. Eu ainda hoje, tocando nesse assunto, me pego tentando entender o porque desse encanto com os “novinhos”, que volta e meia, ainda sou atraída por alguns, mesmo que eu saiba que não é isso que eu procuro.

No decorrer desse frenesi de adolescente recém solteira tinha um novinho, no meio do novinho tinha uma adolescente recém solteira. Louca pra se apaixonar, porque além de provar que é possível sobreviver depois de um pé na bunda de um namoro longo, você precisa arranjar alguém rápido, pra não ficar para trás porque pra quem tá na situação, tudo parece uma corrida maluca pra quem supera mais rápido, pra quem prova mais rápido que tá pouco se fodendo pra você.

(Só pra constar ele venceu a corrida maluca na primeira semana assumindo o namoro com a menina que ele já ficava, ainda namorando, mas isso também é história pra mais tarde)

E esse novinho que virou especial que me mostrou uma escrita desenvolta, alegre, cheia de gírias e palavras novas e engraçadas. Tudo que eu escrevia era muito pesado, pesado mesmo. Eu era uma menina de 20 e poucos anos, que tinha sido largada pelo namorado, numa relação de 4 anos, em meio a um momento delicado da minha vida, que descobriu com os próprios olhos que a terra há de comer que ele já tinha uma namorada nova antes mesmo de terminar, que trabalhava num emprego horrível e ganhava uma miséria. Tudo era pesado porque eu tinha uma carga de mágoa enorme, dolorosa e muito triste. Toda essa carga bloqueava todas as coisas boas que eu tinha pra escrever, e ver a forma como aquele jovem menino escrevia me deu uma inspiração para escrever coisas de uma forma leve, mesmo com tudo de ruim que acontecia, eu ria, eu comecei a fazer muita graça de tudo. E foi assim que eu encontrei o meu próprio estilo de escrita, não foi uma cópia dele, foi uma ajuda a achar o meu jeito de começar a falar da minha vida de uma forma descontraída mas que me ajudava a refletir sobre tudo. Por muito tempo foi a minha forma de terapia.

Na época eu já tinha depressão, desde que eu me entendo como ser humano eu tenho depressão, quando meu primeiro namorado me deixou, eu estava em depressão, e por muitos anos eu consegui não entrar em fundos de poços escrevendo, claro que em algum momento isso não bastava mais, mas, serviu por alguns anos.

E foi assim que eu comecei a escrever num blog.