Tirando a Poeira

Durante muito tempo escrever me ajudou a ser uma pessoa melhor, eu escrevia, era prazeroso, era gostoso fazer aquilo, simplesmente as histórias saiam pelos meus dedos e era o melhor que eu fazia.

Comecei com histórias, depois passou a ser biográfico. Era engraçado tirar sarro de mim mesma, contar as coisas malucas que aconteciam no meu dia-a-dia, e aconteciam coisas, muitas, tantas que eu pensava em escrever um livro.

Eu também pensava em ser uma grande executiva de uma grande empresa, casar com meu namorado, ganhar muito dinheiro e sair da miséria que era a minha vida. E claro que nada disso aconteceu. Eu era péssima com pessoas, ainda sou, ele me traia e eu continuo tendo uma vida sem dinheiro e miserável, só que muito pior.

Não sei quantos anos, não quero contar. Eu só comecei a escrever de verdade quando levei essa voadora com dois pés no peito. Final de um relacionamento longo, começo de uma vida nova, muita coisa acontecia, tantas emoções ao mesmo tempo, amigos, festa, histórias, pessoas novas, lugares novos, viagens, e tudo isso estando num trabalho que eu odiava, com pessoas que me sugavam e pagavam mal, mas quando eu penso em vida, eu só consigo pensar que começou ali, ali eu comecei a virar “gente grande”.

Eu não me sustentava, eu não me sustento hoje, mas ali, eu tinha o mundo nas mãos. Por um período de poucos anos, eu tive uma subida vertiginosa ao que eu queria, pelo menos o que eu achava que eu queria.

Eu subi, eu fiz quase tudo que eu queria ter feito, e não podia enquanto namorava e aceitava uma relação abusiva, e abusiva de ambos os lados, abusiva porque era como eu acreditava ser amor, era aquilo que eu achava que era feito em uma relação, uma gaiola.

Quando tudo foi se desconstruindo ao longo dos anos eu conseguia ver, inclusive pontuar cada frase e cada atitude que hoje eu abomino. Mas não é por isso que eu estou aqui, fuga ao tema talvez seja um defeito que eu adquiri devido aos muitos anos sem ter a coragem de escrever, por isso “Histórias mal contadas”, porque elas são bagunçadas e contadas de forma estranha, sem pé nem cabeça, talvez isso melhore conforme eu volte a escrever com frequência, talvez isso se torne característica que eu use como “licença poética”, eu não sei.

É como “O Diário de Anne Frank” onde ela dizia que ninguém ia ler os pensamentos de uma menina de 13 anos. Eu não quero que me leiam, eu não quero que saibam quem eu sou, eu só quero escrever, porque um dia isso me ajudou, em uma época que tudo era mais fácil e divertido, e eu só quero voltar a ter uma forma de levar a vida fácil e divertida.

Por aqui, nesse texto, é só.