Como o trabalho remoto ajudou em minha recuperação

Domingo de carnaval de 2015, estava minha família e eu na praia de Guaecá, em São Sebastião/SP, quando um evento totalmente improvável mudou a rotina de meus familiares por um ano, e minha vida para sempre.
Parece até mentira, mas sabe aquela história de que os barcos são como jet skis? Acontece de verdade. Mas esta já é uma outra história. Resumindo: Uma lancha passou por cima de mim; a hélice bateu em meu joelho; múltiplas fraturas expostas; hospital; cirurgia, pinos de titânio; da cama pra cadeira, da cadeira para a cama, por meses.

Como qualquer outra recuperação, eu precisava de muito repouso (que explica como eu atualizei todas minhas leituras e séries naquela época hahaha). Mas depois de um tempo, eu me sentia mal por estar “inútil”, não bastando eu estar totalmente dependente dos meus familiares. Eis que eu tive uma ideia!
Naquela época, eu estava em meu primeiro emprego como desenvolvedor, com menos de 6 meses de experiência e cheio de vontade de demonstrar serviço. A empresa onde eu trabalhava estava precisando de alguém que me substituísse neste período, por terem muitas coisas para terminar. Foi então que, contra a opinião da maioria dos que me cercavam, eu sugeri ao meu gestor não me afastar pelo INSS, e me ofereci para trabalhar remotamente, sendo a primeira experiência de home office, tanto da empresa quando minha.
No mesmo dia recebi a resposta de meu gestor por e-mail, me avisando de que, se o médico liberasse (o dr. liberou!), eu poderia retomar ao trabalho!
Um fato engraçado foi passar pelo INSS, e, ao contrário da grande maioria, eu queria convencer o médico perito que eu poderia trabalhar. Eu tinha todo um discurso na manga, mas ele acabou nem olhando pra minha cara direto.
Então, na mesma semana meu pai passou na empresa para trazer o notebook pra casa, e no mesmo dia, eu já estava commitando código. 😀

As vantagens de voltar ao trabalho foram inúmeras. O tempo passava mais rápido, eu voltei a praticar/aprender novas coisas, não tive o salário reduzido pela merreca que o INSS oferecia, a cabeça ficava distraída (e isso é ótimo quando a dúvida de que se sua vida vai voltar ao normal te assombra), e por alguns momentos eu até esquecia da dor.
Outra coisa que qualquer pessoa que trabalhe com TI sabe, é que nessa área cada mês vale por um ano ou mais, no avanço da tecnologia. Então dá pra imaginar o prejuízo que é um desenvolvedor ficar seis meses parado, ou um ano! Eu não sabia quando iria voltar a andar.
O impulso foi enorme! Eu ficava muito menos tempo deitado, aproveitava cada hora do dia naquele quarto, que foi o meu mundo naqueles três primeiros meses, e até fiz um blog com uns camaradas, projeto que eu estava adiando fazia tempo.
Aprendi muito sobre disciplina, que envolvia principalmente o gerenciamento de tempo. E também ajudou na recuperação, pois a disciplina se aplicava principalmente na alimentação e na fisioterapia.
Infelizmente durou pouco, pois felizmente tive uma recuperação fantástica. Meus primeiros passos sem muleta vieram no terceiro mês, e alguns meses após eu voltar a andar ,ainda com certa dificuldade, tive a oportunidade de trocar de emprego, e troquei, visando meu crescimento profissional.
Mas ainda sonho com os dias de trabalho remoto, quando uma pausa para o café era também uma pausa para ficar com meu cachorro, o Thor. Lembro dos dias em que pegava minha moto, colocava a mochila nas costas, e decidia que naquele dia eu ia trabalhar da cafeteria, tomando um chocolate em Campos do Jordão, ou até da praia!

Abordei na maioria do tempo o trabalho remoto e suas vantagens no meu caso em específico, mas, sendo específico ao meu caso, não só o trabalho me levou a esta incrível recuperação. Dedico este texto aos meus familiares e amigos, e todos que cuidaram de mim e me cercaram de boas energias!