Henrique Medeiros
Sep 6, 2018 · 4 min read

“Em busca de nós mesmos”

Estamos sempre em busca de nós mesmos. Mesmo inconscientemente, estamos sempre a procurar a nós mesmos nas coisas, pessoas e em novas experiências. Projetamos as nossas insatisfações, ausências ou mesmo o vazio que nos aflige no outro e em tudo o que nos cerca. Na tentativa de que o que é de fora, nos satisfaça e preencha este enorme hiato de nós mesmos.

Tapamos os olhos da compreensão, ante a realidade que se descortina diante de nós, não enxergando claramente. Ou ao menos em muitos casos, fingimos não enxergar a realidade de que por mais que queiramos, esta busca por nós mesmos tentando nos encontrar em tudo o que nos cerca e não onde deveríamos pautar a nossa busca real, nos traz grandes equívocos e sofrimentos.

As vezes demora-se uma vida inteira sem se encontrar verdadeiramente pelo caminho correto, da não projeção de alguém tão distante e impossível de se encontrar.

Na maior parte das vezes, enganamos a nós mesmos. Alimentando através da mente, a visão distorcida da realidade que incessantemente atua como censor e concentrador de atitudes autocentradas, na busca vã de alimentar em si, a realidade egocêntrica e irreal.

“Não pode a mente atender a demanda do Ser, de empreender transformações profundas em si mesmo.

Mas pode sim a transformação ocorrer, diante da entrega capaz de mover e o sorriso d’alma guiar,

o movimento do universo inteiro em ti, através do silêncio a falar”

Em determinado ponto, a vida lhe faz de alguma forma parar e recalibrar o GPS em nossa busca, a fim de que recalculemos o itinerário de nosso caminho.

Para que desta vez quem sabe, possamos sair em nova busca. Porém, agora, com a oportunidade de pegar uma nova estrada, mas seguindo ou enxergando melhor as sinalizações ao longo da viagem, a fim de realmente nos enxergamos como realmente somos, e a realidade que nos cerca como ela é.

E que assim, o faça em sincronia ou ressonância não só com as leis do universo. Mas principalmente, consigo mesmo, com a sua verdadeira essência. Em um espaço onde não há incertezas, dores ou sofrimentos. Onde o Ser estará presente, se interpondo ao desejo incessante de se ter e possuir. Neste espaço onde se sente em expansão e em consequência, abri-se ao universo, às experiências e a todos os seres.

Recalcule a vossa rota, baseando-se em seu mundo íntimo e em tudo o que esta viagem implica. Junto a novas descobertas, reconstruindo-se. Só que agora, com novos valores e sentimentos, certezas e concretizações. Dê-se esta oportunidade.

Como diz Rumi, o poeta sufi: “Talvez esteja buscando nos galhos, o que só se encontra nas raízes”

Buscamos nas periferias da vida, tentando encontrar aquilo que só se encontra em nós. Jaz profundamente guardado o tesouro no baú íntimo. Em um jardim secreto. Tão secreto à mente superficial e julgadora. Porém, disponível à busca sincera, passiva e volitiva.

Tenhamos a coragem de se por ante a estrada necessária à autodescoberta. Sem receios ou dúvidas. Munidos da fé e na certeza existencial desse tesouro em nós, guardado a 7 vontades.

“Batei e abrir-se-vos-á” orienta-nos Jesus.

A cada passo que damos nesta busca, a estrada se abre diante da força volitiva que infligimos a cada novo instante de renovação íntima da vontade.

“Conhecereis a verdade e ela vos libertará” diz ainda o Mestre.

Conhecereis a verdade sobre as leis maiores, através de vós mesmos e da realidade que vos cerca. E assim, compreenderás melhor vosso caminho e o desbaratar de vossas angústias, tristezas e dores.

Compreenderás que o cálice eterno da vida, ungido de abundante amor, aguarda por vossos passos em descoberta, a fim de que possais caminhar com as próprias pernas. Mas agora, não mais com vossos equívocos e o olhar turvo d’alma, a buscar-te nas coisas efêmeras e naqueles que por mais viagem convosco, não detém a mesma vontade, momento e aprendizado que ti.

Em tudo que experienciais ante a expansão de vossa alma, olharás com os olhos amorosos, sedentos apenas com a vontade de honrar e trabalhar através da vontade de Deus.

O caminho pode aparentar-te longo. As dores tomar-te-ão de arroubo. Diante muitas vezes, de inexplicáveis momentos.

Porém, acautela-te em tua fé, sem desviares da rota. Alimentando o combustível da alegria, como o viajante no deserto que descobre receber ao longo do caminho, o líquido a saciar a sua sede e a confiança solene de que o descanso devido aguarda-te no fim da vossa estrada escaldante, a resfriar-te a alma com os tesouros verdadeiros e infinitos do amor de Deus à todas as criações e filhos.

Recomece, recalcule, ponha o pé nas estrada sempre. Só não desista ante às intempéries presentes em vosso caminho.

“Em ti mesmo, encontra-se o mundo inteiro e, se você souber olhar e aprender, a porta estará aí mesmo e a chave estará em sua mão. Ninguém na Terra pode te dar a chave ou a porta para abrir, exceto você mesmo.”

J. Krishnamurti

Henrique Medeiros

Written by

Fisioterapeuta e Instrutor de Meditação

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