Como são os rituais e comunicações de Produto na Ramper

Henrique Machado
Nov 8 · 5 min read

Sempre tive por costume, a praticidade ao by-the-book — ou como gosto de brincar internamente, o famoso “modo Corinthians”. Em muitos eventos, benchmarks e mentorias, noto que as pessoas hoje em dia preferem seguir a cartilha do Spotify, Google, Facebook e tantas outras grandes empresas, mas esquecem que na prática a teoria é outra — o momento da empresa é diferente, o timming, as pessoas, a gestão e o modelo de negócios.

Aqui na Ramper nós utilizamos uma espécie de ScrumBan no processo de desenvolvimento mas, não temos reuniões de planning, dailys, retrospective ou coisas assim. Também não temos formalidades no compartilhamento da informação ou até mesmo uma burocracia para alguém saber o que está acontecendo em produto. Para nós funciona e explico um pouco de como fazemos na prática!


Voltando ao by-the-book, é comum ao estruturar um time, nos preocuparmos muito em fazer tudo da forma certa, utilizar as ferramentas de forma certa e os rituais de forma certa. Entretanto, acabamos por esquecer o que de fato essas metodologias empregam: agilidade. Na Ramper, nós sabemos como time, qual a prioridade da empresa e para onde estamos seguindo. Sendo assim, por que fazer uma reunião para decidir quando será a próxima reunião? Ninguém gosta de parar um dia produtivo para cumprir tabela de uma reunião sem propósito.

No passado, chegamos a fazer plannings que duravam o dia inteiro (aquelas em que se compram pão de queijo e coca-cola para aguentar o dia longo e cansativo), com pausas para falar sobre o que cada membro do time está sentido, se está feliz, se está triste, escrevendo assim um rostinho no post-it e colando na parede. Feito isso, ele tinha alguns minutos para falar o por que do seu post-it estar daquela forma. Nós somos um time pequeno, onde todos conversam o tempo todo sobre tudo — precisamos mesmo de um dia na agenda de todos para falarmos mais do mesmo? Converso sempre com os membros do time e sei o que está pegando de cada um. Além disso, mensalmente, faço 1:1 com todos eles. O 1:1 ajuda a endereçar muitas coisas, não apenas a evolução do profissional. E assim, é possível evitar conflitos entre pessoas e áreas, darmos direcionamentos, ouvirmos as críticas e tomarmos decisões em conjunto.

Hoje, nossos únicos rituais de produto são: alinhamento semanal entre eu (CPO), PO e UX. Dessa forma, decidimos as prioridades de UX (que logo após irão para desenvolvimento), alinhamos as demandas e prioridades do time de desenvolvimento, olhamos indicadores de produtividade e fechamos com o follow-up dos itens definidos para entrega no quarter. Na sequência, o PO comunica a prioridade à todos e seguimos — ágeis!

Fazemos, também, um ritual de apresentação das novidades para toda a empresa, semana sim, semana não. Nesse, mostramos os itens que foram entregues nos últimos 15 dias e quais os itens que estão “no forno”. Para mim, esse é o melhor alinhamento que podemos fazer. Deixamos a empresa toda na mesma página e falamos sobre o futuro.

Na Ramper, passamos por alguns problemas de comunicação entre produto e empresa. O produto era visto como uma caixa preta e que só aparecia por e-mail para falar o que tinha sido “deployado”. Hoje temos um novo posicionamento e a apresentação das novidades foi um dos muitos moves que deram certo.

As features hoje nascem de várias formas e entram na priorização de quarter. Definido o que entra e o que sai, UX faz todo o trabalho de Pesquisa e Validação para entender se faz sentido e qual a melhor forma de ser feito. Esse trabalho, além de ser com clientes, é feito internamente também. Dessa forma, as pessoas são envolvidas no início da demanda, sendo ouvidas e sentindo-se parte ativa do produto. CS e Vendas passaram a ter muita participação no processo de produto, por exemplo.

Aqui, mudamos a forma de olhar “entregas”. Uma feature não inicia e acaba em código. Nós temos o cuidado em envolver as pessoas no início da demanda, e pensamos MUITO em como entregá-la para o usuário final. Nós temos um ambiente onde beta-testers recebem com prioridade as novidades e validam o que foi feito. O marketing é envolvido para pensar na estratégia de como entregar tais novidades com valor para o usuário: se faremos um product-tour, se lançaremos campanha em redes sociais, se apenas um alerta no Intercom resolve e por aí vai.

Nossos rituais hoje na Ramper envolvem todos, sem exceção: da concepção à entrega. As pessoas passaram a olhar produto de uma outra forma, não apenas como responsáveis técnicos da demanda, mas sim, como uma das áreas mais estratégicas da empresa.

Criei, por hábito, compartilhar TUDO o que é feito em produto. As pautas da reunião de produto e do time de suporte são compartilhadas com toda a empresa, semanalmente.

E, tenho por costume também, em toda virada de mês, escrever um puta resumo de como foi o mês para o time de produto. Nesse texto, abordo basicamente 4 tópicos: pessoas, processos, produto e números. Cada um dos tópicos eu descrevo as evoluções que tivemos nele:

Em pessoas, falamos sobre quem entrou, quem saiu, quem foi palestrar fora, quem foi mentor e onde, mudanças estratégicas, promoções etc.

Em processos, descrevo melhorias que fizemos ao decorrer do mês, como mudança de ferramentas e novidades (como mudança de desenvolvedores back/front-end que agora são full stack).

Em produto, falo sobre as melhorias e correções que fizemos, do porquê, como, onde e quando.

E fecho com números de destaque do mês, enfatizando ações que tomamos e que geraram essas melhorias, tanto em retenção quanto em receita.

É preciso ter disciplina para manter essa rotina de anotar TUDO que aconteceu no mês para não esquecer de nenhum detalhe. Mas é prazeroso quando se vê o retorno que isso trás. Por mais que meus e-mails são extensos, detalhados e ricos em informação, hoje em dia, sinto prazer em “prestar conta” sobre tudo que acontece em produto.


Nota-se que nossos rituais são simples, práticos e ágeis: alinhamentos semanais, pautas compartilhadas, apresentação de novidades e resumo do mês. Para nós, no momento atual da Ramper, funciona. E com a escala de pessoas, não vejo porque mudar: o básico, prático e ágil funciona — aquele famoso “less is more”.

A burocracia engessa as pessoas e os processos e com isso, os rituais padrão voltam, a empresa perde velocidade de crescimento e produto torna-se a trava e não mais o acelerador. Em uma empresa cada vez mais product-drive como a Ramper, velocidade dita e puxa o crescimento da empresa.

E você, como tem tocado a batida de produto por aí? Vamos falar sobre isso?

#GoRamper

Henrique Machado

Written by

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade