Arte por Maggie Chiang

Relacionamentos, medos e suas peculiaridades

Porquê se relacionar é cada vez mais complicado?

Relações, ou interações, humanas são incríveis e complicadas. Cada um de nós possui uma maneira de levar as coisas, reagir à emoções, situações e principalmente pensar. Imagine o quão entediante e chato seria se todas as pessoas fossem iguais, ou melhor, robôs pré-programados para interagir entre si, sempre previsíveis e fáceis de lidar. Por um instante isso parece tentador, imaginar o tanto de problemas que assim poderiam ser evitados e relacionamentos de diversas espécies mantidos.

Cada uma destas características descritas acima são únicas, e consequentemente inerente a cada um de nós. Há algum tempo venho pensando nisso e conversando com uma grande amiga minha sobre essa magia singular, pois sempre ao final concordamos que relações humanas são complicadas e ao mesmo tempo curiosas. Principalmente se tratando de relacionamentos afetivos, visto que atualmente, amar ou demonstrar sentimento é algo muito raro.

Adentrar em um relacionamento hoje parece algo difícil, que demanda muita dedicação, tempo e principalmente que este cumpra todas as exigências que criamos em nossa cabeça, algo que ultimamente está fora dos planos de alguém, seja pelas muitas responsabilidades adquiridas ao decorrer da vida ou simplesmente pela falta dela, se tratando de sentimentos ligados a si próprio. Desde o o crescimento das redes sociais e o surgimento de apps para busca contatinhos desprovidos de afeto ou qualquer responsabilidade emocional, a tendência vem sendo única: se apaixonar pode ser algo complicado e com um preço muito alto a pagar, para nós millennials.

Logo, para que se arriscar e possivelmente se machucar, sendo que é muito mais vantajoso e fácil dar um match num singelo processo de escolha, marcar de sair, dormir com ela e na manhã seguinte dar tchau. Simplesmente sem prendimentos; sem saber se aquela pessoa gosta de cão ou gato, se fala biscoito ou bolacha mas apenas preenchendo temporariamente o quesito emocional e continuar em nossa zona de conforto.

Não venho criticar o uso desse método ou ditar regra de como as coisas devem ser, longe disso. Mas acredito que esse comportamento influencie muito quando pensamos em se relacionar seriamente com alguém.

Assim como no tempo em que vivemos, onde tudo corre em alta velocidade, as coisas são palpáveis, fáceis, transitórias e principalmente perfeitas — no sentido de encontrar um par que satisfaça todas as nossas necessidades, sejam elas emocionais, físicas, comportamentais e gustativas. Sem contar a difícil e quase interminável busca ao nos tornar bem sucedidos, a qual parece não haver espaço para mais um. Uma realidade líquida, digna de Zygmunt Bauman.

Em consequência, nos tornamos de certa forma mais solitários, numa constante procura por algo que parece inalcançável. Deixamos de lado a experiência que relacionamentos podem nos proporcionar, pois estamos esperando a perfeição bater a nossa porta, com uma caixa embrulhada para presente.

Compreender o motivo que nos impede de mergulhar em relacionamentos, sejam eles experiências boas ou ruins, parece uma tarefa complicada, talvez seja pelo fato de cada um de nós sermos singulares, e a tarefa de lidar com um indivíduo parece muito árdua e por isso, desnecessária. Ou talvez passaremos a entender quando deixarmos de buscar por modelos que supram todos os nossos desejos e gostos de uma só vez.

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