Cortar o mal pela raíz

O gráfico é do Observador e a fonte do ICNF (dados de 2016). Se somarmos as causas, em 25.2% encontramos o uso de fogo, 21.6% o incendiarismo e 13.6% os reacendimentos, totalizando uma responsabilização (directa, indirectamente/por negligência) de 60.4%. Isso: Mais de sessenta por cento(!). O que conclui que a maior parte dos incêndios são, no mínimo, de intervenção humana, pois ainda encontramos uma margem de 34.7% por determinar.

É mais confortável apontarmos as culpas para tudo o resto: a prevenção, os meios de combate, o ordenamento (e reforma) do território florestal, a responsabilização política do executivo (este ou os governos dos últimos 42 anos). Não nego que sejam de tamanha importância, é certo. Neste momento a desonestidade é tanta que vale tudo para se espalhar o ódio após os incêndios terem lavrado a dimensão que se conhece. O conselho é que guardem essa força para a raíz do problema: Indignem-se pela impunidade de quem comete tais actos. A maior parte dos incendiários apanhados em flagrante estão em liberdade ou, como já o disse, são tratados como se padecessem de uma doença desculpavel. Num mundo justo (leia-se, onde a justiça funciona), aplicava-se a pena idêntica de um terrorista. Enterrava-se de vez o conceito de “maluquinhos coitadinhos”, pois, quer queiram ou não, eles são os nossos “Isis” ou os “Mass Shooters”. Tal como em outros assuntos, enquanto encolhermos os ombros na inércia do “deixa andar”, eles vão continuar a matar pessoas e a destruir a vida de cidadãos. Até um acto como atirar uma beata acesa para o chão ou uma queimada aparentemente inofensiva é a causa de tudo o que se está a passar, por isso, se testemunharem, façam o favor de ser activos e participar às autoridades.

Até não resolvermos a raíz do problema, infelizmente, este vai continuar por largos anos.

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