Você leu aquele comunicado interno? Nem eu.

Inteligência artificial e coletiva pode salvar a comunicação interna

Comunicação interna parece ser muito simples: Procurar gráficos bonitinhos e transformar textos ilegíveis em artigos amigáveis. Só que ao andar nos corredores, o que se ouve é… Nada. Ninguém leu, talvez um colega ache que leu a matéria no mês passado. No máximo, o chefe reclama de uma vírgula errada.

Na próxima reunião do departamento, esse chefe cobra mais relevância. “Que tal usar um programa de e-mail marketing para saber quem clicou? Ou postar um quiz sobre a notícia na intranet? Ou mandar um lembrete no holerite?”

A primeira reação é sempre “mais!”, mas será que não foi justo isso que causou a situação atual? Acredito que exista um outro jeito: Usar a tecnologia a nosso favor e deixar as ideas relevantes competirem livremente. Podemos reimaginar a comunicação interna?

O que deixa a comunicação tão maçante?

Demandas de propaganda

Comunicação interna muitas vezes é abusada para veicular notícias sobre projetos e iniciativas que agregam valor apenas para uma minoria — normalmente para os envolvidos e seus conhecidos (e carreiras). A não ser que haja uma escassez de matérias, demandas que se traduzem para “eu não sei mais para quem falar, me ajudem” deveriam ser rejeitadas.

Em um ecossistema funcional e competitivo, notícias se propagam naturalmente pelo valor oferecido ao usuário.

Em um ecossistema funcional e e competitivo de notícias, esta notícia não merece apoio e deve se propagar naturalmente pelo valor ao usuário.

Ações obrigatórias

Outras notificações não são opcionais: Prazos, treinamentos obrigatórios, exigências legais ou de segurança não podem ser ignorados. Mas justo isso acontece quando são misturados com outros tipos de conteúdo, como notícias.

Fragmentação de canais

A pior reação à indiferença da audiência é tentar vencer pelo cansaço. Comunicar várias vezes (“Lembrando!”) ou criar sempre novos canais de comunicação piora o problema. Será que o executivo, afogando em e-mails, vai gostar daquele movo aplicativo de publicidade?

Será que quem já bloqueou vários e-mails corporativos vai baixar o aplicativo de novidades?

Newsletters corporativos tiram do usuário o poder de decidir o que interessa. Afogam as poucas notícias de valor pessoal em ruído — e esse ruído acaba não sendo lido. Não vale a pena.

Sugestão: leilão de atenção

Centenas de milhões de pessoas usam Facebook ou Twitter, e todas as grandes plataformas de esforçam para entender os interesses dos usuários, afim de apresentá-los com opções relevantes. Um mundo de opções ilimitadas e tempo curto não permite outra saída.

Sugiro usar uma ferramenta similar nas empresas. O mercado já resolveu muitos problemas, e está na hora de aproveitar dessas ideas no mundo corporativo.

Deixa todo mundo postar

Colocar a criação de conteúdo na mão dos usuários possibilita que a audiência selecione o que a interessa. É o verdadeiro segment of one, o santo gral do marketing se realizando na comunicação. Não há conteúdo mais relevante para o usuário. Não há maneira mais econômica para a empresa de criar e divulgar conteúdo adequado.

Será papel da equipe de comunicação interna encorajar os usuários a criarem conteúdo e de intervir quando ultrapassam limites. De tempos em tempos, podem distribuir reconhecimentos.

A plataforma usada precisa permitir postagens e discussões públicas com autoria reconhecida. Participar deve ser fácil, imediata e dispensar de autorizações e censura. Necessariamente precisa ser segura e acessível em qualquer dispositivo, até para quem tem dificuldade com tecnologia.

Conteúdo acha os usuários

É importante que, em primeiro lugar, os usuários vejam notícias que os interessem. É importante fatiar os antigos newsletters e distribuir as notícias individuais para quem sejam mais relevantes.

Para isso, a ferramenta precisa estar suficientemente avançada para criar feeds para usuários, baseados nos interesses demonstrados no passado. Precisa permitir seguir categorias, autores ou equipes.

Canal unificado

Finalmente, deve ter uma única plataforma de comunicação interna. Ao lançar a plataforma, novidades em portais internos, intranets, redes sociais internas e newsletters devem ser abolidos. Isso gera a economia de implementar tal plataforma e junta autores e audiência em um lugar só.

A plataforma não pode concorrer com outros meios pela atenção da audiência e os esforços da equipe de comunicação. Ambos são limitados. É importante limitar a abstenção de usuários.

O novo papel da comunicação: facilitar diálogo

Onde fica a equipe da comunicação interna em todo esse mercado de ideas? Ela se transforma em facilitadora do diálogo continuo, interage com usuários, explica, fornece conteúdo avançado e narrativa oficial. Se transforma em coach para dar voz a quem tem a contribuir.

Ainda deve ser possível criar conteúdo oficial, e em casos limitado forçar anúncios a serem vistos (que tal se proteger com uma política contra isso?). Mas deve ser bastante reduzido.

Comunicação interna pode ser interessante, relevante e legal, para isso os profissionais entram em departamentos de comunicação interna. Mais escolha, mais vozes e um acompanhamento profissional devem criar um ambiente aberto e leve para uma nova época da comunicação interna que beneficia a empresa toda.