Sobre a vida e a morte

Quando criança me sentia imortal, imaginava que a morte era incapaz de me tocar e arrancar a vida que parecia tão extensa quanto o tempo necessário para marcar a pele enrugada de meus avós. Hoje, adulto e careta, qualquer dor física que eu sinta me faz pensar que posso morrer a qualquer momento, e meus pensamentos pairam sobre um estado de dúvida e extensa dor.

Pensar na morte me entristece, acredito que é preciso viver bastante tempo para aceitar que a existência com prazo de validade é um processo natural, algo tão certo quanto a incerteza do amanhã. Ainda tenho medo da morte, e apesar de pensar que tenho alguma vida pela frente, ela parece cada vez mais frágil.

Pensar na morte é pensar na vida, é pensar na ausência e no legado que deixamos para quem fica e para quem ainda virá. Acredito que a única forma de continuarmos vivos é manter acesa a chama da nossa existência na memória de nossos amigos, família e em tudo aquilo que produzimos de útil e aproveitável para sociedade.

Por fim, pensar na morte é deixar que ela tome nossa vida nos braços e nos deite sobre uma cama para enfim descansarmos de toda podridão, pois morrer é repousar para eternidade de algo que nunca desejamos, se pudesse escolher talvez não viria, se pudesse escolher talvez pularia essa etapa pra não ver o que vi e não sentir o que ainda me dói.

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