22:13

Pra variar eu tava em casa, sozinha, arrumando guarda-roupas enquanto o Vitor* está no bar bebendo chope com os amigos… de novo.

"E ai…" — chegou uma mensagem. Do Pedro*.

Nessa altura do campeonato o Vitor* que era bom não me respondia a horas. Respondi. Afinal, simpatia com a amizade de infância, não custa né.

Papo vai, papo vem, ele me chama pra ir no cinema. Só que isso era para um filme que tem estréia marcada para daqui 6 meses. Fiz a desentendida, mudei de assunto.

O Pedro* sempre foi muito galante… lembro quando éramos pré-adolescentes e eu já reparava que ele tinha um sorriso muito lindo, eu vivia pensando "Se ele for igual ao irmão, nossa, que sucesso!"… ele era melhor, a pegada era boa, só que eu não queria nada com ele. Eu queria com o Vitor*, que tava no bar e não me respondia.

"Qual sua culinária favorita?" — eu achei tão fofo o jeito que ele perguntou que quase respondi 'a que você quiser', mas falei que gosto muito de sushi e massas e que não comia fazia um tempo. Pedro* me chamou pra jantar.

22:30 — "eu já jantei, querido". É, fui simpática. Chamei de querido, e se eu chamei de querido, foi pra aliviar que falei 'não' pro segundo convite. Ele disse que poderia ser outro dia, concordei. Afinal, é comida. E eu inventaria outra desculpa se quisesse, porque eram 22:30 e eu não havia jantado de verdade.

Pedro* decidiu me elogiar. Que sou uma mulher muito admirável, viajada, inteligente, de futuro (eu juro que ele usou isso como elogio e eu ainda não sei se entendi bem o que quer dizer). Eu entediada. Nada do Vitor* me responder. Eram 23:00.

No meio de tantos elogios larguei uma de que "logo meu ego ficaria inflado demais" ele perguntou se eu aguentava, apenas ri. Aquela risada bem fraca "haha".

No meio desse verão todo ele decidiu perguntar afinal se eu não queria aproveitar a noite fresca a 2. Assim, direto. Alías, direto depois de me chamar sair 2x e eu contornar delicadamente, ele insistiu dizendo que "o clima está perfeito para atividades a 2".

Mandei print pra amiga. Ela apenas riu dizendo que perfeito que nem o inferno, afinal, "é verão, parceiro".

Pensei bem sobre essas atividades a 2. O beijo foi bom, apesar de ter sido a tantos anos atrás. O Vitor* nunca iria saber. Afinal, são 23:15 e ele não responde. Ele deve estar fazendo atividades a 2 em algum lugar enquanto espero ele responder.

Aí, saco! Agora ao invés de imaginar minhas atividades a dois com Pedro*, imagino o Vitor* interagindo com alguém. Puta ômi sem vergonha esse que fui arrumar.

"hahaha parece interessante, mas hoje eu passo essas atividades" — foi o que falei. Não ia fazer nada pela vingança de imaginar o outro fazendo, afinal.

Pedro* continuou insistindo. Eu continuei contornando. Fiquei de saco cheio. "Tchau, vou ver série". Ele mandou mais coisas. Amanhã de manhã eu visualizo e penso se respondo.

00:00 e nada do Vitor*.

Das duas uma: ou eu sou trouxa, ou eu sou muito trouxa. Vitor* mal sabe que o que é dele está guardado. Amanhã penso melhor nisso, porque agora o Netflix já está aberto.

*Nomes puramente fictios… ou não ;)