Atentados e conspirações: para lembrar a História
Investigações e narrativas sobre alguns eventos que abalaram o Brasil no século 20: Plano Cohen, Bomba no Aeroporto dos Guararapes, Sequestro de Abílio Diniz e Atentado do Riocentro

O Plano Cohen
No dia 30 de setembro de 1937, o general Góes Monteiro, chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, revelou a descoberta de um plano cujo objetivo era derrubar o Governo e instalar uma ditadura comunista. Houve intensa perseguição à esquerda e, no dia 10 de novembro, implantou-se a ditadura do Estado Novo, que duraria até 1945. Depois se descobriu que se tratava de uma farsa: o plano foi escrito pelo capitão Mourão Filho, para simular uma ameaça iminente de golpe comunista.
A bomba no Aeroporto dos Guararapes
No dia 25 de julho de 1966 uma bomba explodiu no saguão do Aeroporto dos Guararapes no Recife, onde era esperado o general Costa e Silva, anunciado como sucessor do marechal Castelo Branco na presidência da República. Morreram o jornalista Édson Régis e o almirante reforma Nelson Fernandes e houve vários feridos. Os órgãos de segurança prenderam e torturaram dois comunistas — Ricardo Zarattini e Ednaldo Miranda –, apresentados como autores do atentado. Somente em 1979 o crime foi esclarecido: um dirigente da AP — Ação Popular revelou ter sido integrantes de sua organização os responsáveis, agindo por conta própria. Posteriormente, foram identificados o militante Raimundo Figueiredo, o Raimundo, como executor do atentado, e o ex-padre Alípio de Freitas, como o mentor.
O caso RioCentro
Na noite do dia 30 de abril de 1981, policiais e militares contrários à abertura democrática em andamento armaram um plano terrorista: explodir quatro bombas dentro do Riocentro onde se realizava um show pelo Dia do Trabalho, de viés esquerdista. As consequências da ação seriam trágicas, pois havia milhares de pessoas na plateia. Uma das bombas detonou acidentalmente dentro do carro dos militares do Exército, capitão Wilson Dias Machado e sargento Guilherme Pereira do Rosário, ferindo gravemente o primeiro e matando o segundo, abortando assim o plano. O inquérito oficial apresentou os terroristas como vítimas e tentou incriminar a esquerda.
O sequestro de Abílio Diniz
O empresário foi sequestrado no dia 11 de dezembro de 1989, por integrantes do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), do Chile, e libertado no dia 16, véspera do 2º turno das eleições presidenciais, disputado por Lula e Fernando Collor. A polícia exibiu os sequestradores vestidos com camisetas do PT. Toda a imprensa abriu largas manchetes e divulgou massivamente a imagem. Somente depois de proclamado o resultado das eleições, a imprensa divulgou desmentidos por parte das autoridades de qualquer envolvimento do PT com o fato. O líder do grupo, o chileno Humberto Paz, revelou perante o juiz que foi obrigado a vestir a camiseta do Partido dos Trabalhadores pela Polícia de São Paulo.
