Trincheiras opostas

Eu até entendo as razões políticas, de classe, psicológicas, de idade etc. daqueles que um dia estiveram de um lado e hoje estão de outro. Autocrítica, decepção, oportunismo, choque de realidade, retorno ao leito paterno, pressões sociais, desencanto, raiva, prosperidade… muita coisa pode fazer alguém que defendia uma causa passar a negá-la em nome da modernização, do pragmatismo, das novas realidades. Mas não deixa de ser chocante presenciar quem marchava ao lado dos trabalhadores justificar as reformas trabalhistas e previdenciária em curso, quem aplaudia dom Hélder criticar dom Fernando Saburido e a CNBB por posicionarem-se contra o retrocesso, quem jogava pedra na cavalaria nas passeatas de 68 atacar os vândalos de Brasília, quem era contra a ditadura pedir o Exército contra as manifestações populares. E então penso no poema “Aos que virão depois de nós”, de Bertolt Brecht: “Eu vivo num tempo sombrio”.

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