
O QUE VOCÊ NÃO SABIA SOBRE MÚSICA DIGITAL
O melhor da nossa conversa com a Tratore.
No dia 05 de Julho aconteceu a segunda edição do HBR TALKS, uma troca de ideias online via google hangout sobre temas relacionados à produção e consumo de música atualmente. Naquele dia, falamos sobre distribuição digital com a Tratore, empresa de distribuição especializada no mercado independente. Durante uma hora e meia, trocamos informações sobre o tema e como é possível tirar proveito dessa forma de consumir música que já não é mais novidade!
Se você está com tempo e quer assistir ao vídeo completo, vamos disponibilizar ele no final desse texto. Mas sabemos que nem todo mundo vai poder, então resolvemos escrever aqui as principais informações e dicas que tiramos dessa conversa. Tudo bem prático, pra já sair fazendo. Bora?
LÍDER EM MÚSICA DIGITAL
Logo nos primeiros minutos de conversa, surgiu um dado bem importante. Segundo pesquisas bem recentes, no primeiro trimestre de 2016, o Spotify e Apple Music ultrapassaram o Youtube como os preferidos quando se trata de busca por algum conteúdo musical. Esses são dados referentes ao mercado americano, mas bem relevantes porque mostram uma tendência de maior confiança e ligação entre os consumidores de música e as plataformas de streaming.
A IMPORTÂNCIA DOS DADOS
Muitos músicos não prestam atenção nesse detalhe (até porque a gente odeia qualquer coisa que envolva números e gráficos, né), mas uma das vantagens de existir digitalmente é que podemos ter a noção exata de quem é o nosso público e como ele se comporta através da análise de dados disponibilizados pelas plataformas. Assim, rola traçar seus planos de uma forma mais certeira, seja pra fazer uma tour ou um simples post no facebook.
Os próprios agregadores, como a Tratore, repassam informações dos serviços de streaming como datas, volume de consumo, geografia dos ouvintes, qual faixa mais tocada, etc. Porém, a maioria das redes sociais já nos dão números bem importantes.
No Spotify, por exemplo, é possível saber quantas pessoas ouviram suas músicas hoje ou no mês que passou. Além disso, ele nos mostra onde estão essas pessoas interessadas no seu som:



O Facebook também disponibiliza informações como essas. Claro que aqui os dados são referentes ao consumo dos seu conteúdo dentro da rede social, mas também muito importante pra você saber de fato com quem está falando. Olha que simples:



E esses são apenas alguns exemplos. A maioria das redes sociais nos dão dados assim, que são essenciais para um bom planejamento. A Tratore falou sobre isso em um dos seus posts, e nós recomendamos muito a leitura!
CURADORIA DE PLAYLISTS. COMO FUNCIONA?
Como a maioria já sabe, o Spotify e as outras plataformas de streaming têm playlists oficiais divididas por gênero musical, datas especiais, etc. Na real, tudo é motivo pra criar uma, já que é esse o tipo de comportamento que essas marcas querem encorajar no seu usuário.

Acontece que essa "curadoria" feita por eles pode alavancar qualquer música ou banda, já que essas playlists são ouvidas por milhares de pessoas, do Brasil todo! De repente, seu som está com muito mais plays do que o comum e a culpa é da própria plataforma.
Ou seja: torça pra que aquele seu novo single entre numa dessas…
Mas a gente só pode torcer? Sempre tive muitas dúvidas de como essas músicas eram escolhidas, e durante o hangout eu saquei uma das formas como a coisa funciona. É mais ou menos assim:
Agregadores estão sempre em contato com as plataformas e, no caso da Tratore, sugerem semanalmente algumas ideias e títulos para novas playlists que eventualmente acabam emplacando. Segundo eles, tentam ficar de olho em tudo que está entrando nos últimos tempos para colocar entre as sugestões, ou até entrar em contato com os artistas para avisar do movimento que está ocorrendo.
Porém, os artistas que distribuem através da Tratore têm liberdade de entrar em contato e fazer suas próprias sugestões. Avisar que uma música sua entrará nas plataformas lá pelo dia X (com no mínimo um mês de antecedência) e que você adoraria estar dentro de alguma dessas playlists pode ser uma boa. A iniciativa é sempre válida!
É importante ficar claro que não existe nenhum dinheiro envolvido nisso. O famigerado "jabá" é bem mal-visto quando se trata de curadoria na era digital. A inserção em playlists digitais parte totalmente de um engajamento da curadoria da plataforma.
PERFIL VERIFICADO
Outra coisa que muita gente não sabe é da possibilidade de verificar o perfil de artista em plataformas de streaming.

Porque alguém ia querer fazer isso? Acontece que algumas ações só podem ser feitas por quem tem um perfil verificado, como colocar capa em playlists, criar uma descrição para elas, alterar o nome do perfil, entre outras.
Eu particularmente acho isso bastante importante porque considero essas plataformas como mais uma entre as muitas redes sociais em que o público tem contato com o artista. Ali é possível criar conteúdo exclusivamente musical, mostrando suas referências, suas ideias, seu estilo, etc.
Ok, mas como se faz pra verificar um perfil de artista?
No Spotify, mais especificamente, é preciso que esse artista já tenha no mínimo 250 seguidores. Depois, ele pode solicitar essa verificação com o seu agregador através de um email ou, se preferir, fazer de forma independente. A Tratore escreveu sobre isso no seu post "Como Interagir Nos Serviços De Streaming", explicando verificar o perfil em diversas plataformas.
O ALGORITIMO
Vale lembrar que nem tudo que acontece dentro das plataformas de streaming é feito por mãos ou decisões humanas. Assim como o Facebook, esses serviços trabalham com um algoritmo que é responsável por curadorias como a da playlist "Descobertas da Semana" do Spotify, por exemplo. Aquelas músicas são escolhidas com base no seu consumo cotidiano.
Esse "robô" também é o responsável por definir os artistas relacionados, comparando o que os ouvintes de determinado artista gostam de escutar além dele, entre outras coisas.
A FÓRMULA
Muito se fala sobre como a música digital é desvalorizada em relação à venda de materiais físicos, e como os artistas são mal remunerados pelas plataformas de streaming, etc. A grande verdade é que muitos falam, mas poucos realmente tem conhecimento de como esse cálculo de quanta grana o artista vai receber realmente acontece.
Sempre achei que as plataformas pagavam por plays, mas não é tão simples assim. Existe até uma fórmula pra isso, saca só:

Essa é a fórmula usada por todas as plataformas. Olha só quantas variáveis!
Simplificando é mais ou menos assim:
A grana total que a plataforma gerou num determinado mês é multiplicado pelo número dos seus plays e dividido pelo número total de plays da plataforma naquele período. Essa conta vai gerar uma quantia em dinheiro. As plataformas ficam com 30% dessa quantia, e repassam o resto pra quem distribuiu a música (sua gravadora, seu selo ou, se você é completamente independente, pra você mesmo).
Recomendo muito que entrem nesse site. Ali existe bastante informação que não se acha tão facilmente em outro lugar, como esse gráfico aí em baixo que mostra os valores gerados por diferentes tipos e tamanhos de artistas em Julho de 2013:

MONETIZAÇÃO NO YOUTUBE
O Youtube também paga o artista pela reprodução de suas músicas, de duas maneiras diferentes. Você pode monetizar o seu canal, o que acontece diretamente dentro da plataforma, assim como vários vídeos tutoriais como esse no próprio Youtube ensinam.… ou através da ferramenta "Content ID" (identidade de conteúdo).
Essa segunda opção funciona mais ou menos como o app "Shazam" identificando padrões sonoros nas trilhas dos vídeos. Isso faz com que, para aqueles que criaram um Content ID, sempre que alguém usar a música como trilha de algum vídeo, o dono dos direitos vai receber por isso. Ótimo né? Sim! Tão ótimo que o Youtube não deixa qualquer um usar essa ferramenta.
Já pensou se alguém decide reivindicar os direitos das músicas de caras como o Michael Jackson, por exemplo? Ia ganhar muita grana ilegal bem rapidamente. Por isso, esse segundo tipo de monetização só é possível fazer através de agregadores, distribuidores, gravadoras ou editoras. Com a Tratore, por exemplo, ao distribuir um fonograma você já garante essa monetização automaticamente.
SINCRONIZAÇÃO
Um mercado que vem crescendo bastante com a cultura digital nos últimos tempos é o de sincronização, ou seja, o de ceder uma música para ser usada como trilha sonora em um filme, comercial, ou qualquer que tipo de produção audiovisual. Esse nome, sincronização, vem do simples fato de que a sua música vai ser sincronizada com imagens de vídeo.
Produtores audiovisuais sempre precisam de trilhas pra usar legalmente e, com a democratização das ferramentas de produção e distribuição, essa demanda aumentou muito.
Mas como fazer sua música ser escolhida por eles?
A própria Tratore, em parceria com empresas especializadas em direitos autorais e áudio publicitário, abriu uma plataforma especialmente para que os artistas pudessem disponibilizar suas músicas pra sincronização. O Kiwiii é o primeiro banco de trilhas originalmente brasileiro, e é realmente muito simples de usar. É possível upar suas músicas ali de forma gratuita e torcer para que algum dia alguém a escolha para ser trilha de alguma produção.
Dá uma olhada no site pra mais informações, e já aproveita pra cadastrar teus sons! Pouca gente sabe disso porque a plataforma é muito nova, e ainda nem foi divulgada pelos criadores.
HBR TALKS 2 / sobre distribuição digital (vídeo completo)
E assim foi a segunda edição do HBR TALKS.
O assunto "música digital" é tão importante que essa não é a primeira vez que a gente fala disso. Já realizamos uma pesquisa pra saber como o público consumidor se relaciona com essa nossa realidade. O resultado dessa pesquisa você pode ver clicando nesse link aqui.
Se você considerou esse conteúdo relevante, deixa um comentário aí embaixo e compartilha com quem pode se interessar também! Sabemos como é difícil fazer as coisas acontecerem na música independente, e todo o conhecimento pode ajudar a chegar um pouco mais longe.
Se quiser ter acesso a mais conteúdos como esse, deixa teu email nesse link aqui que a gente vai te mandar emails com vídeos e textos exclusivos. Já realizamos duas pesquisas e dois hangouts como esse durante o ano de 2016, e tem mais por vir!
Por hoje é isso. Até mais!
bzzzz
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Texto por Eduardo Panozzo