HQ da Vida #11 LGBTTs: Amanda Maravilha

Descrição da Imagem:: Selfie passada em um filtro de tons pastéis em que Amanda de Aguiar está com o cabelo solto na lateral esquerda do ombro e de óculos escuros. Na imagem lê-se: “HQ da Vida” e “#11: Amanda Maravilha”.

Nesse maravilhoso episódio do HQ da vida, contamos a história da Amanda de Aguiar. Nesse bate papo, pudemos conversar sobre bissexualidade, casamento, religião e também sobre igrejas inclusivas.

Indicação do programa:

A série Grace and Frankie — Netflix

Links e indicações da Amanda:

Site do Podcast SAD NO AR

Perfil no facebook da Amanda:

Podcast Lado Bi com as pastoras lésbicas Rosania Rocha e Lanna Holder

Podcast da Erika: Erika’s Small Talk”

Agradecimentos:

André Lacerda — Edição de áudio

Créditos: Músicas: Christophe Heral, Billy Martin e Pegboard Nerds.

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TRANSCRIÇÃO DO ÁUDIO

(Nota: a transcrição é um recurso de acessibilidade que viabiliza o acesso para pessoas com alguma deficiência auditiva, além de ser um mecanismo eficiente de consulta para o conteúdo do podcast. Não pretende, portanto, substituir a audição do programa, mas, sim, complementá-la)

TRANSCRIÇÃO — HQ DA VIDA #11 LGBTTs: Amanda Maravilha

Vinheta de abertura: entre efeitos sonoros de impacto, uma voz com reverberação anuncia “HQ DA VIDA, o seu podcast sem quadrinhos.”

(Trilha sonora de Background alusiva a histórias em quadrinhos)

Dan: Olá, pessoal. Aqui é Dan Carreiro.

Sidney: E eu já nem sei mais quem sou… Mentira, eu sou Sidney Andrade.

Dan: Pessoal, a gente tá fazendo isso porque a gente gravou a entrada umas 10 vezes. Mas a gente está com o nosso 11º HQ da Vida. E como alguns não sabem, nós temos o HQ da Vida, o HQ de bolso e o HTreta no nosso feed. E o HQ da Vida é um podcast que tem como objetivo contar histórias, histórias de super LGBTs. E esperamos que você ouça esse programa maravilhoso, curta, compartilhe e nos deem críticas. O seu feedback é muito importante para nós. Né, Sid?

Sidney: É sim. E esse episódio é muito maravilhoso porque, olha só, a nossa convidada é a minha particular diva, musa, deusa, feiticeira, de um podcast que eu amo, que vocês vão conhecer agora, que é a Amanda Aguiar, também conhecida como Mandy Minage, Amanda Nudes e outros pseudônimos lá do seu consultório virtual.

Dan: Êê! Se apresente, Amanda.

(EFEITO SONORO: VOZERIO DE CRIANÇAS COMEMORANDO, SEGUIDO DE APLAUSOS)

Amanda: Meu nome é Amanda Aguiar. Eu tenho 34 anos. Eu trabalho com TI, pra quem é de TI e sabe o que se desdobra lá dentro, eu sou DBA, numa agência online de viagens, que eu não vou falar o nome, porque não tá pagando pra vocês, então eu não vou falar (Dan ri). Eu moro no Rio de Janeiro desde que me entendo por gente, e espero morar aqui pra sempre.

Sidney: Sim. E para os fins de determinação, é bi, mas com alma viada, não é mesmo?

Amanda: Exato. Queria isso, só que não deu.

Sidney: E Amanda é de um outro podcast, que eu e Danilo… Eu amo, e ensinei Danilo a amar, que é o SAD No AR, né, Amanda?

Amanda: Exato. Que é o SAD DO Ar… Do ar, não. No ar. (Dan ri)

Dan: É do ar, é no ar… Ou com ar…

Amanda: É, é do ar, do ar, subir, subir… Não. (risos) Ele é o antigo SAD No Ar, e agora é Seu Alívio no Divã, o nome completo dele. Maravilhoso.

Sidney: Nome e sobrenome, maravilhoso.

Amanda: Exato.

Dan: E explique pros ouvintes como que é esse programa, em síntese, rapidão.

Amanda: Esse programa é um programa de comédia. Mas, na verdade, a gente consegue aprofundar alguns assuntos. Mas ele, basicamente, é um programa de comédia, onde as pessoas mandam barras de vida pra gente, né. Desde problemas profissionais, a problemas anais, e problemas… (risos)

Sidney: Principalmente anais…

Amanda: … De família… Exatamente. Problemas, né, sei lá, de doenças ginecológicas, de tudo…Mas a gente… E aí, a gente tenta aconselhar, ou pelo menos fazer a pessoa rir da própria barra de vida, que a gente sabe que barra de vida todo mundo tem. Então, se a gente puder, pelo menos, ajudar a pessoa a rir um pouco, a gente tá fazendo um bom trabalho, eu acho.

Sidney: Ai, maravilhoso. Se não resolve meus problemas, mas pelo menos me faz esquecer, sempre.

Amanda: Exatamente. Alguns problemas que a gente recebe são problemas sérios, e alguns a gente nem pode levar pro ar porque, né, compromete até um pouco a integridade física de pessoas, enfim. Mas a gente sempre… Quando o problema é sério, a gente sempre tem o cuidado de fazer o disclaimer, e tal, de pedir a pessoa pra procurar uma ajuda profissional que, no caso, a gente não é. Infelizmente.

Dan: Enfim, é um programa que… Eu estou fazendo maratona SAD. Estou amando. Indico o programa 27 e 28, né, Sidney? (Sidney ri)

Sidney: (todos riem) Olha aí o favoritismo, tá vendo, Amanda. Esses foram os que eu mandei uma barra de vida lá, inventada, porque eu não tinha barra pra mandar. Aí, inventei barras, vocês acabaram lendo.

Amanda: ah!

Dan: Foi o teste do sofá com o SAD. Vocês passaram.(risos)

Amanda: Não, mas a gente recebe muita barra inventada, que a gente sabe que é inventada, né. Quando vem aqueles absurdos, assim, a gente fala, gente, isso realmente é inventado. A gente lê assim mesmo, que o lance é fazer rir.

Sidney: E são fanfics maravilhosas, eu acho que vocês devem ver só pelo valor literário (ele ri)…

Amanda: Claro… E as pessoas se empolgam, gente, escrevem textos gigantescos, né, que começam assim, “vou tentar resumir”. (Sidney ri) Aí, quando a gente vê, são três laudas.

Sidney: Sim, sim.

Amanda: Muito bom.

Dan: Oh, Amanda, antes da gente começar a falar da questão mesmo sobre a Amanda, primeiro, só uma pergunta. Existiu uma barra que vocês leram que vocês… Tirando aquela que vocês fizeram o disclaimer da menina com ansiedade, e tudo o mais, mas que vocês leram e ficou muito fanfic mesmo, assim, cara de fanfic original, sabe?

Amanda: Olha, teve uma que eu mandei, que eu escrevi…

Sidney: (rindo) Já começa bem…

Dan: Eles acreditaram?

Amanda: Não, não era fanfic. Que era real, e quando eu contei…

Sidney: Real original…

Amanda: … Na real, eu contei pro Leo, e o Leo falou assim, “Gente, você tem que escrever isso e mandar pro SAD”. Eu falei, “Não, não vou escrever isso”. Aí, ele falou, “Pelo amor de deus! Porque ninguém nem vai acreditar”. Que foi o lance do… Da pessoa que morava com alguém que transava com alguém que parecia que tava matando cachorrinho.

Sidney: (risos) Ai, sim, lembro.

Dan: Eu já ouvi.

Amanda: É, essa é uma barra real, menino.

Sidney: São os clássicos do SAD já, né, já tem…

Amanda: Pois é.

Sidney: Fazer um Top Hits

Amanda: Eu acho que essa foi o… Essa foi, assim, uma que quando eu contei pras pessoas, né, do SAD, eles falaram, “Ah, tá de zoa!” E aí, um dia, a Erika ouviu. E a Erika falou, “Gente, tô horrorizada!” (risos)

Sidney: Ela ouviu ao vivo.

Amanda: … O massacre dos cachorrinhos. Sim, ela ouviu ao vivo.

Sidney: Nossa…

Amanda: Uma barra.

Sidney: Muito barra.

Dan: E deixa eu te falar, eu vou de… Não, não, vou falar nada não. (risos)

Sidney: Que é isso? Como assim? Não se… Olha, Danilo já aprendendo a se podar.

Amanda: Fala! Gente…

Dan: Então, é… então, sigamos. E aí, depois eu explico pra vocês (risos).

Sidney: Depois a gente volta no SAD. Vamos agora para Amanda. Amanda…

Dan: Isso, de Amanda para Amanda.

Sidney: De Amanda para Am… Assim, a gente vai começar, primeiro… É uma barra que eu tenho, quando a gente fala sempre de bissexualidade. São dúvidas e questões que eu me preocupo muito… eu, sujeito gay, né, do meu lugar aqui, de não apagar a bissexualidade, porque é uma barra que vocês passam mesmo, né.

Amanda: Sim.

Sidney: E, assim, como é pra tu essa história do apagamento? Essa história de bissexualidade ser vista como indecisão, confusão… tu já sofreu… Já teve barras… A gente vai usar o termo “barra” muito aqui, né. (risos)

Dan: É, eu vou usar esse termo porque eu estou contaminado pelo SAD (Amanda ri). No último programa, eu entrevistei falando “barra”.

Sidney: Barra…

Amanda: Adoro!

Sidney: Mas a metade das minhas gírias são do SAD, então vão lá pra captar de onde saiu.

Amanda: Ai, gente, eu tô muito em casa. Tô me sentindo em casa.

Sidney: Então, aí, assim, Essa história de apagamento, como é que tu lida com isso, como é que é pra tu?

Amanda: Então, assim, é muito complicado explicar pras pessoas. Então, eu não explico mais. Eu deixo as pessoas tirarem a conclusão que quiserem. Tem gente que acha que eu sou hétera, tem gente que acha que eu sou sapatão, tem gente que acha que eu tô ali numa fase, sabe. E aí, eu falo, gente, assim, se quiser tentar entender, eu explico. Mas eu não tento mais ficar explicando pras pessoas, entendeu, que, “Ah, porque eu gosto de menino e de menina”. Porque, aí, começa assim, “Ah, mas o que você gosta mais? Porque não é 50/50”. “ah, mas você gosta mais…” Gente, tem coisas que eu gosto mais com homens, tem coisas que eu gosto mais com mulheres. Também depende do homem, depende da mulher. Assim, atração física, eu sinto pelos dois. “Ah, mas quando passa, assim, na rua, um homem e uma mulher bonita, você olha pra quem?” Sabe, esse tipo de…

Sidney: Aff, que horror.

Amanda: Eu falo, gente, sabe, pra quê?

Dan: é muito reducionista, né.

Amanda: Sim.

Sidney: E o que acrescenta, né, na vida da pessoa?

Amanda: Nada. Em nada. Se você não tá me conhecendo mais, tentando entender como a minha sexualidade funciona. E eu pouco me importo como a sua sexualidade funciona. Então, assim, não vamo ter essa conversa? Vamo ter outra conversa? (risos)

Sidney: Outra mais interessante, né.

Amanda: Pois é. Mas é difícil, por exemplo, pra minha família, que é uma família bem tradicional, eu estou lésbica. Entendeu. Eles não conseguem entender esse conceito de bissexualidade. Então, pra eles, eu estou lésbica, mas amanhã posso não estar. E aí, eu tento explicar pra eles que é isso, é simples assim, hoje eu estou com uma mulher, amanhã eu posso estar com um homem. Pra mim, é natural e sempre foi natural. Então, vamo superar isso. Só que, ah, quer me chamar de sapatão, chama. Quer me chamar de lésbica, chama. Quer me chamar de viado, chama. Eu realmente já cheguei naquela fase que eu não ligo mais. Mas que é uma barra sempre que começa essa história de sexualidade e ter que explicar pras pessoas que, ah, eu tenho uma namorada, mas eu não sou lésbica. “Ah, como assim?” (ela solta um riso) Né, sempre é uma barra.

Sidney: Uhum. E como foi a tua descoberta, Amanda. Foi cedo, foi tarde? A tua autoconsciência, né, disso.

Amanda: Eu acho que… A minha autoconsciência foi bem cedo. Eu sabia que eu era diferente, assim, com dez anos. Apesar de só ter beijado menininhos no colégio, com dez anos. Eu sabia que eu sentia algo diferente pelas meninas também. Só que como, dentro do meu universo, o universo LGBT não existia, eu não cogitava. Apesar de saber que eu queria beijar menininha também, eu falava assim, “Ah, deve ser outra coisa”.E aí, ignorava.

Sidney: Você diz que não existia universo LGBT no seu universo por causa do seu ambiente familiar, como era?

Amanda: É, tanto meu ambiente familiar, quanto meu ambiente social, assim. A minha família é uma família evangélica tradicional, em sua maioria, dentro de denominações evangélicas tradicionais. Então, eu cresci dentro da igreja, e tal. E dentro da igreja, naquela época, pelo menos, a gente não… Não se falava muito em homossexuais, a gente não via. E no colégio também não. Tinha aquele minininho que era viado, parecia viado, que a gente zoava de viado, chamava de viado, blá-blá-blá. Mas não era uma coisa, assim, que sei lá, que gritava na nossa cara. Então, não se falava sobre isso. Essa é a verdade, na minha época, a gente não falava sobre a homossexualidade. E eu era muito blindada dentro de casa, também. Eu passei… Eu nasci em 83, que era uma época… Foi uma época de explosão, boom de AIDS, então se falava muito sobre isso no mundo. Mas eu fui muito blindada dentro da minha família. Então, eu não absorvi nada disso crescendo.

Sidney: Não chegou até você, né.

Amanda: Não, não chegou até mim. Então, pra mim, não era uma coisa… Era uma coisa natural, mas era uma coisa que eu não queria explorar porque eu não entendia. Era bem isso, assim. Como eu não tinha entendimento daquilo… como muitas coisas que a gente faz na adolescência, né, que a gente não tem muito entendimento, a gente vai deixando pro lado. E aí, quando vai batendo 16, 17 anos, é que a gente quer explorar tudo. Mas foi mais ou menos nessa época…

Sidney: E foi nessa época que você começou a… Eu digo… Eu falo essa palavra, as pessoas riem. Você começou a exercer?

Amanda: (rindo) A profissão? (risos) Então, eu comecei a exercer… E as pessoas acham engraçado quando eu falo isso, mas, assim, foi de verdade, por uma pressão social. Porque…

Dan: Como assim?

Sidney: Como assim? Com… com homens?

Amanda: Não, com homens, não. Com homens, eu comecei, né, com os namoradinhos e aquelas paixonites de escrever no diário e de chorar e blá-blá-blá, muito cedo. Com 12 anos, eu já tinha minhas paixonites no colégio. E minhas frustrações, aquelas coisas todas de pré adolescente. Mas, na minha adolescência, quando eu já tinha um grupinho já mais… Dentro do colégio já tinha aquele grupinho que a gente sai junto, e vai pra balada junto, não sei quê… E eu tava saindo dessa coisa, assim, é… Não quero ficar tanto dentro da igreja, quero dar uma explorada no mundo e ver qual é. Eu… As pessoas falavam pra mim que eu parecia sapatão. Mas, assim, eu era nerd. Na real, eu era nerd. Porque, assim, eu não era de… Não era esportista, não tinha aquela coisa, aquele jeitão. Assim, mas eu era nerd, então era muito na minha, aquela menininha sempre de óculos, sempre de cabelo preso. E aí, eu não tinha aquela vaidade das meninas, e tal. Então, as meninas sempre falavam pra mim, “Pô, tu já experimentou? Já ficou com uma menina?”, não sei quê… E eu falava, “Não, gente. Ih, para com isso” e blá-blá-blá. E eu resolvi, um dia… Tava um pouco alcoolizada? Tava um pouco alcoolizada (Sidney ri). Falar… Ir lá e ver qual é. E aí, foi, e fiquei com uma menina, e eu achei uma merda. Essa foi a real. Achei uma bosta. Falei, “Nossa senhora, não gosto de mulher mesmo. Não é pra mim”. Tipo, com 16 anos, mais ou menos. Mas, assim, foi uma experiência meio forçada, então, tipo…

Sidney: É, eu acho que por ser forçada que foi desagradável, né.

Amanda: Exato…

Sidney: Mas isso te afastou, então? Demorou muito tempo mais pra você retomar?

Amanda: Demorou, mais ou menos, uns cinco anos. Porque, depois dessa fase de ir explorar o mundo, eu entendi que eu tenho um papel espiritual. Eu tenho isso, assim, comigo. E eu tenho isso comigo até hoje. E eu precisava explorar o meu lado espiritual com maturidade, porque eu conheci a igreja na infância, e tal. E aí, eu saí da igreja evangélica tradicional e fui pra uma igreja evangélica pentecostal, onde eu pude explorar melhor a minha espiritualidade. E aí, eu fiz tipo um retiro mesmo. Eu fiquei uns quatro anos que eu ficava… Eu fui, sei lá, imersa, não só dentro da igreja e de, enfim, metodologias, né, de evangelismo e essas coisas assim. Que não era o que me interessava. O que me interessava era a questão espiritual, é conhecer deus. E buscar deus, e tentar entender o que é deus. Então, eu fiz essa imersão durante esses quatro, cinco anos. E eu saí disso apaixonada por uma mulher (Sidney e Dan soltam suspiros agudos).

Sidney: Olha aí, onde é que você achou deus, tá vendo…

Amanda: Tá vendo? E assim, é…

Dan: “Eu achei deus, e ela era mulher.”

Amanda: Era mulher, gente. Era Alanis Morissette. Lembra quando Alanis Morissette fez deus naquele filme?

Dan: Nossa!

Sidney: Lembro!

Dan: A minha amiga sapatômica, ela tinha o apelido de Alanis.

Amanda: Gente! Porque Alanis não é sapatão por um segundo mais…(risos) Mas, enfim. Eu saí dessa imersão espiritual… Eu tava muito… Eu tava me sentindo muito plena, nessa época. Foi uma época muito boa porque… sabe quando você sente que você tá cumprindo um papel? Um chamado, uma… Sabe? Uma missão na vida. Era assim que eu tava me sentindo. E aí, eu conheci essa menina, que eu descobri, depois de um tempo, que eu já tinha essa menina no ICQ, na época, há muito tempo. A gente nunca tinha se falado. Eu sempre com essas histórias, né…

Sidney: (rindo) E as idades se revelando.

Amanda: Pois é, olha aí. Aí, a gente se conheceu num culto. E ficamos melhores amigas e melhores namoradas num período muito curto de tempo. A gente… foi uma paixão mesmo, daquelas, assim, que você sente necessidade de tá junto com a pessoa, sabe.

Sidney: Eu sei.

Amanda: E fiquei extremamente em conflito, né, na época. Que ao mesmo tempo que eu queria tá com ela, tinha a questão da religião também.

Sidney: Dizendo que não era pra tá…

Amanda: Dizendo que não era. E assim, jogando na minha cara o tempo todo. Então, eu ia pra igreja, e eu sofria dentro da igreja, porque o que a gente tinha era escondido, óbvio. Acho que a única pessoa que, assim, eu não consegui esconder foi da minha mãe, na época, porque mãe é mãe, né.

Dan: Tem super poderes, né.

Amanda: … Olhou… Pois é. Mãe olhou, e falou assim, “Claramente essa menina tá apaixonada por você, e você apaixonada por essa menina”. Mas, a gente… E aí, o que aconteceu. Como que aconteceu da gente se separar. A mãe dessa menina frequentava muito desses… Dentro do meio evangélico, tem uma… Um jargão que a gente fala, “profetada”. Que é… Os caras que se denominam profetas. E aí, ele vai La e te ora. E aí, ele te entrega o recado de deus. Que é o maior charlatanismo bizarro que existe dentro da igreja evangélica. Mais do que pedir dinheiro. É essa porra. Porque nego quer mais ego do que dinheiro, ali dentro. E aí, ele quer só ser chamado de “o escolhido de deus” pra…

Sidney: É uma questão de status, né, e de vaidade ?

Amanda: Exato. Total. Total. E aí, ela foi pra um retiro, e quando ela voltou, ela voltou, “Olha, deus me falou lá, pelo profeta X, Y, Z, que vocês tão tendo um caso, que vocês já tão querendo morar juntas…” E realmente, a gente já tava planejando tudo pra morar juntas. As duas queriam fazer faculdade. Então, tava procurando já faculdade perto, pra a gente morar junto, não sei o quê… E ela falou, “E isso vai acabar. Eu não quero você nunca mais aqui em casa. E acabou”. E aí, foi um sofrimento desgraçado. Porque isso… Aí, abriram pra pastora da igreja…

Sidney: Eita.

Amanda: E pra várias lideranças dentro da igreja. E aí, eu sofri todo tipo de…

Dan: Gente do céu!

Amanda: … Exorcismo possível…

Sidney: Nossa.

Amanda: … Que vocês possam imaginar. Eu tinha que ir na igreja, todos os dias, ser orada. No início do culto e no final do culto. Todos os dias.

Dan: Nossa, Amanda, eu vou… Tem uma amiga minha do coração, que ela nunca ouviu meu podcast…(risos)

Amanda: Gente!

Dan: Mas ela namora a Alanis. Eu vou passar ela pra ela ouvir esse podcast. Essa barra. Porque ela precisa ouvir.

Amanda: Pois é. E assim… E eu, do fundo do meu coração, eu queria rejeitar aquilo. Porque eu achava que era o certo. Então, assim, eu sofria porque eu não queria… Não era nem mais porque eu queria ficar com ela, eu pensava sempre assim, o meu amor por deus é muito maior do que o meu amor por ela. E se não é, tem que ser. Então, se todo sacrifício já foi feito por mim, não custa nada eu fazer esse sacrifício por deus. Então, eu vou terminar tudo com ela, e vou ignorar esse sentimento pra sempre. Só que as coisas não acontecem assim, né. A gente não ignora…

Sidney: Ah, se fosse tão fácil, né, assim…

Amanda: Pois é. E aí, a princípio, a gente se afastou, mas as pessoas ficavam vigiando a gente, pra ver se a gente não se encontrava na rua, pra ver se a gente não tava dormindo uma na casa da outra…

Sidney: nossa… Olha… Eu fico todo me tremendo, quando eu escuto essas histórias. Sabe, eu fico nervoso com esse nível de vigilância.

Amanda: É muito bizarro. E assim, de todo mundo… Porque, depois que descobriram a gente, descobriram outros casais dentro da igreja.

Sidney: Nossa!

Amanda: Que ninguém sabia. E aí… (risos) A gente meio que tirou todo mundo do armário, sabe.

Sidney: Todo mundo saiu corrido do armário, tudo as barata voando desse armário.

Amanda: Pois é. E de todo mundo, eu fui a que menos fui humilhada. Verdade. Eu ouvi cada história, assim, de gente que… sabe, que… Quando você tá dentro da igreja, você olha sua liderança como uma autoridade espiritual. Então, ela é uma pessoa importante pra você. E você ouvir de uma pessoa importante, tipo, “Tô muito decepcionada com você. Eu nunca pensei que você fosse fazer isso”, sabe. É uma coisa que machuca. É como se você tivesse ouvindo do seu pai e da sua mãe, sabe.

Sidney: Claro.

Amanda: Então, é muito frustrante. Então, eu sofri muito, até que, um dia, eu falei assim, não é possível. Eu já tô nesse processo há um ano e meio, eram quase dois anos já. E eu falei, eu não consigo, não… Não gostar dela já não era mais um problema pra mim, porque acabou que a gente se desentendeu e eu quis tirá-la da minha vida. Mas aquela experiência abriu os meus olhos pra eu me descobrir e falar, “Gente, não é só ela, poderia ter sido outra qualquer”. Como que eu ignorei esse sentimento durante tanto tempo? E aí, eu acabei me afastando da Igreja porque eu fiquei com aquela letra escarlate, aquele S de sapatão, na camisa.

Sidney: Xicante.

Amanda: Xicante. E aí, eu falei, eu não quero viver essa perseguição pra sempre. E era isso que ia acontecer. As pessoas iam ficar tomando conta da minha vida pra sempre, pra saber se eu não tô caindo, sabe, como eles dizem.

Sidney: No caso, isso te fez afastar dessas pessoas e… E te afastou também… Porque você disse que mesmo depois de toda essa pressão, você não conseguiu negar, né, o fato de que você sentia atração por mulheres também. Mas essa pressão toda acabou te afastando de procurar, ou mesmo de alimentar o teu lado… Porque, assim, a gente fala de bissexualidade, e vem toda aquela história também, é outra barra que eu sempre pergunto aos bissexuais que eu conheço, que é o fato de que muitos gays, homens ou mulheres, né, gays ou lésbicas, acabam acusando os bissexuais… É até um tipo de bifobia, né. De terem um privilégio de poderem passar por héteros, né, porque eles gostam das duas coisas. E quando for conveniente… Eu acho isso muito reducionista, mas eu queria saber de tu, a partir dessa perspectiva dessa pressão religiosa, né. De que você tava passando por esse trauma, e é claro que você também sentia atração por homens. E se isso acabou não contribuindo pra que você fosse levada mais pra privilegiar essa atração do que… E negar a atração que você sente por mulheres.

Amanda: Ah, assim, seria imprudente e mentiroso eu dizer pra você que não. Eu, totalmente, falei, “Não, agora que passou essa fase na minha vida…” Que, na realidade, a fase que eu digo, não a fase bissexual ou lésbica ou como eu estava me sentindo no momento. Mas essa fase de paixonite e exorcismo, e essas coisas todas muito intensas. Que eu larguei tudo pra trás, e eu falei, agora eu quero paz. E pra eu ter paz, eu preciso não ter mais esse tipo de relacionamento por um tempo. Então, eu fiquei por um bom tempo, porque eu tava… Eu parei de ignorar que eu sentia atração por mulheres pra mim. Mas pras pessoas, não.

Dan: Oh, Amanda, uma coisa que eu tô tentando entender, dentro dessa barra sua, dessa época, que é o seguinte. Nesse momento, que tava a igreja, essa vigilância, os rituais de exorcismo, enfim… Brincadeira, mas tem umas rezas… Orações, no caso dos protestantes. Você teve noção que poderia ser uma bissexualidade, ou você já achava que era só lésbica também, e já tinha esquecido um pouquinho que… Nem tinha entendido que seria bissexualidade?

Amanda: Não, eu entendia… Eu acho que eu não nomeava isso. Mas, pra mim, era muito claro que eu sentia atração por homens, né. Eu já tinha tido minha primeira relação sexual, e tinha sido com homem. Eu tinha, sei lá, tinha tido três namorados, eu acho. Dois namorados. Que foram namoros intensos, aquela coisa de “A gente vai ficar pra sempre junto”, e blá-blá-blá. E eu me sentia sexualmente atraída por eles. Então, eu sabia que por homem eu sentia atração sexual. Com ela, eu descobri que eu sentia atração sexual também por mulheres. E é diferente, por exemplo, a gente tava brincando antes da gravação, falando um pouco… (ela ri) Falando da Alê, né. (riso) Que eu falei que a Alê fala assim, “Ah, às vezes, acontece, gata.” (risos) Então, esse “às vezes, acontece, gata” é uma coisa que toda pessoa que é muito sexual, ela tem, entendeu. Ela vai beijar homem, vai beijar mulher. Vai beijar quem for, porque beijo é bom.

Sidney: Vai experimentar.

Amanda: Ponto. É. E beijo na boca é bom. Independente de você tá querendo transar com a pessoa, você beijar na boca é bom e ponto. (ela ri) Eu fui numa festa, na semana passada… Olha o parêntese gigante. Eu fui numa festa, na semana passada, em Brasília, que eu beijei uns 75 viados. Porque beijo na boca é bom.

Sidney: Viado! E nenhum era eu. Estou arrasado.

Amanda: Olha aí. Tá vendo (Dan ri). Vou atrás de você, bicha, me aguarde (Dan solta um gritinho). Então, assim, isso, pra mim, é uma coisa de pessoa que é sexual. Eu como… Como uma pessoa…

Dan: Você come mesmo…

Sidney: Come?

Amanda: Como. (risos) Como duas, até. (risos) como pessoa sexual, eu entendo isso. Só que eu… você ter tesão em mulher, eu descobri com 21 anos, com essa menina. Porque eu não queria beijar ela, eu queria comer ela. Então, tipo, é diferente.

Sidney: Dá pra entender que é uma diferença, né.

Amanda: Pois é. E aí eu começ… Nessa fase pós ela, fiquei meio assim, tipo, não, agora eu vou fazer a hétero mesmo, não vou mais me envolver com mulher, porque vai me dar muito conflito, muita dor de cabeça, não quero.

Sidney: E durou quanto tempo essa fase?

Amanda: Durou bastante tempo. Eu fiquei… Depois dela, eu tive um namorado, que foi muito rápido esse namoro. Que aí já era uma coisa do tipo, assim, “ai, quero me reafirmar, vamo ver se eu ainda gosto de homem mesmo”.

Dan: Vai que cola, né.

Sidney: Era um teste.

Amanda: Era um teste, mas acabou que foi com uma pessoa maravilhosa, foi importantíssima na minha vida, e que mudou a minha vida em três meses que a gente ficou junto.

Dan: Olha!

Amanda: E depois disso, eu fiquei mais um ano sozinha. E aí, encontrei o homem da minha vida.

Sidney: (suspiro de espanto) como assim, quem é essa pessoa? Conta pá nóis.

Amanda: Então, só que o homem da minha vida, na época, eu tinha 22 anos e ele tinha 18.

Sidney: Eita.

Amanda: E era… E assim, eu fiquei muito apaixonada. Mas eu falei, eu nunca vou ficar com um menino de 18 anos, gente, olha pra minha cara.

Sidney: “Sou muito madura”. (risos)

Amanda: Sou muito madura, com 22 anos. (risos) Essa criança cheirando a leite.

Sidney: Aham, sai daqui!

Amanda: Não vou. Mas era um deus grego. Uma pessoa incrível. Um homem lindo, gigante, com um braço que parecia uma perna. Um olho verde. Um cabelo grande.

Dan: Ai, para!

Amanda: E eu queria aquele homem de qualquer jeito.

Dan: Ai, que… Para!

Sidney: Até a gente tá querendo agora, né.

Amanda: Pois é. Não, mas agora ele tá gordo (Dan ri). Agora, acabou essa fase gostosa. Que eu sou assim, eu engordo as pessoas. Pode ver a foto antiga da Erika e foto dela agora. Que eu engordo…

Sidney: Oh, denúncias! (ele ri)

Amanda: É. E aí, eu falei, “Cara, eu quero esse homem pra sempre. Esse aqui é meu pra sempre”. Só que eu precisava falar pra ele que eu era bissexual. E, tipo, isso era uma coisa que eu enrolei, sei lá, uns dois anos pra falar. E aí, eu falei. E ele falou, “Olha, por mim, não tem problema nenhum. Eu… Né, se você gosta de homem e gosta de mulher, eu não me importo, me importa você gostar de mim. É você me amar. O resto, pra mim, não importa. Não tem problema nenhum com isso”. E aí, eu contei até a minha história com a menina pra ele. Ele conheceu a menina, e tal. E tem mais umas 200 histórias, dá pra gente fazer outro programa… (risos)

Sidney: O lado B, aqui.

Amanda: O lado B. Mas, assim, acabou que a gente ficou noivo com três anos de namoro. E casamos com quatro anos e meio, eu acho…

Sidney: Ah! É esse que é o Alcântara?

Amanda: Exatamente.

Sidney: Do seu nome…

Amanda: Da onde… O sobrenome!

Sidney: Ah!

Amanda: Pois é. E aí, a gente ficou casado seis anos. E depois de seis anos…

Sidney: Menino! Muito tempo!

Amanda: … separou.

Sidney: Vocês ficaram dez anos juntos, então.

Amanda: A gente ficou dez anos juntos. Só que…

Sidney: O homem da sua vida mesmo.

Amanda: E aí, ele tinha… A gente conversava muito sobre… Sobre essa questão da bissexualidade, porque mexe muito com a cabeça do homem hétero também, né. E aí, quando a gente já não tava mais muito legal, ele começou a mandar umas letras pra mim do tipo, “Ah, se você quiser ficar com mulher também, não tem problema nenhum…”

Sidney: No caso, era um relacionamento fechado, então, nera, Amanda?

Amanda: Não. A gente tinha um relacionamento semi aberto, vamos dizer assim. Porque a gente teve uma fase separada, por causa de trabalho. Ele trabalhava em São Paulo, eu trabalhava viajando. Então, a gente teve uma conversa muito franca, pra falar, “Olha, vamo fazer o seguinte, se acontecer, deixa onde aconteceu, não vamo deixar isso influenciar na gente”. E a gente nunca falou sobre isso. Sobre que se a gente ficou, se não ficou, a gente não fala sobre isso. Então… eu digo “a gente não fala” porque hoje a gente é amigo pra caramba. Ele é meu amigão, assim.

Sidney: Ai, que ótimo.

Amanda: Então, quando a gente terminou, logo depois que a gente terminou, uns três meses depois que a gente terminou, eu conheci a Erika. Então…

Sidney: Ah, foi bem perto. Mas aí eu queria voltar nessa história do conflito pra um homem hétero namorar, ou casar com uma mulher bissexual.

Dan: Sim, porque tem uma barra até que é amiguinha da misoginia, que… Dos homens machistas, que, por exemplo… Não é o caso do homem de sua vida. Mas eu falando assim, que em geral, os homens acham ok a mulher ser bissexual. Não, existem duas situações. Os homens acham ok a mulher ser bissexual, podem trazer mulherezinhas pra fazer ménage, tudo o mais, mas não pode trazer homem. E o segundo problema é o homem bissexual, que já não é o seu caso, mas que as mulheres, algumas mulheres duvidam até dessa bissexualidade dele, e joga ele pro time do gay; e o gay fala que… Como é que é? Fala que ele tem passabilidade hétero, e vira uma bagunça. Mas no plot da mulher, é basicamente o homem aceitar o ménage…

Sidney: E rola uma fetichização, né…

Dan: Isso. Basicamente…

Sidney: … No geral. Acontec… chegou a ser uma barra pra você, isso?

Amanda: Não. Assim, não chegou a ser uma barra pra mim. Não era um problema pra mim. Eu sabia que ele tinha, e que ele queria, que… às vezes, a gente ia pra balada, e ele ficava me atiçando pra pegar outra menina na frente dele, sabe. Tinha umas coisas assim, que… “Se você quiser pegar meninas na minha frente, pode também. Tá liberado”. Porque não ofende. É como você falou né, é aquela… É o parzinho na misoginia, o pezinho, na verdade. Porque não ofende…

Sidney: Mas ele não chegou a dizer…A gente tá falando dele, vai parecer que é direcionado e pessoal. Mas assim, porque é interessante perceber que, aparentemente, ele nunca chegou pra você e disse, “Você pode ficar com outros homens na minha frente”.

Amanda: Não. Nunca. Nunca.

Sidney: Que você é bissexual, né, as possibilidades são as duas, né.

Dan: É. Qualquer…

Amanda: Exato. É também a pessoa tentar entender a bissexualidade, que eu sei que não é fácil pro hétero entender a bissexualidade. Mas até ele entender… Que hoje ele é desconstruidão. Que ele é amigo até da Erika, inclusive, gente.

Sidney: Olha aí… (risos)

Amanda: E hoje ele entende, claro, esse mundo, até porque a gente convive nesse mundo. Na época, pra mim, também era difícil porque eu não tinha contato com LGBTs na minha vida. Não tinha referências. Não tinha imersão. Não fazia ideia da luta, sabe. Pra mim era tudo muito névoa. Mas eu entendia que ele forçava uma barra. Então, ele achava maneiro a gente ver, por exemplo, um filme pornô que tivesse várias mulheres, mas não era maneiro que tivesse vários homens, entendeu. Isso, assim, eu falo dele com tranquilidade porque hoje eu sei que ele entende muito. Mas, na época, era aquela cabeça mesmo machista e que, pro cara, não é preconceito, é natural das coisas.

Dan: É estrutural, né.

Sidney: é que é tão… Estrutural, exatamente.

Amanda: Sim, claro.

Sidney: Mas, Amanda, oh, tem uma questão que eu gosto… Quando eu ouço o SAD e reouço (ele ri). Sou desses, né.

Amanda: Adoro isso, gente.

Sidney: Um negócio que eu acho muito bacana, e agora você contando a sua história pra a gente, fica mais interessante, inclusive, esse aspecto seu. Lá no SAD até se brinca que você é a pastora, né. Sempre que aparece uma barra…

Amanda: Uhum.

Dan: eu nunca tinha entendido a referência.(ele ri)

Sidney: Sempre que aparece uma barra de religião, né, aí manda o memorando pra você, diz a Amanda que vem resolver isso aqui, e tal. E é interessante, pelo que você contou da sua história, que mesmo essa pressão e essa, até agressão, violência, talvez também, né. Porque não deixa de ser uma violência, né.

Amanda: Sim, sim.

Sidney: Que você sofreu com relação à sua religião, mesmo assim, você não se afastou dela. Tanto é que você até falou de correntes teológicas inclusivas lá no SAD, e tal. E eu queria saber, assim, como é essa tua relação com a religião. Porque, pra mim… Eu sempre faço essa pergunta também porque, pra mim, é tão complicado, que a primeira coisa que eu fiz quando eu me declarei e quando eu me entendi enquanto homossexual foi me afastar da religião, justamente porque era um discurso que me anulava. E eu queria me afastar disso, né. Tanto é que, hoje, eu não professo nenhuma religião, apesar de não me dizer ateu. Mas você conseguiu achar na religião, mesmo num ambiente que tinha tudo pra ser tóxico, né, pra tua sexualidade, você conseguiu achar um lugar que te acolhesse na tua espiritualidade. Como foi isso?

Amanda: é… Quando eu tive esse período sabático na minha vida, eu queria justamente me desprender da religião. Eu peguei uma época da igreja evangélica, pelo menos de uma parte da igreja evangélica, que entendia que deus não era a religião. E religiosidade era algo que tava sendo expurgado da igreja. “Não vamos ser religiosos, gente. Se a gente não usa um short curto dentro da igreja, por que a gente vai usar um short curto na rua? Já que deus está na igreja e deus também está na rua”. “Vamos parar de santificar templos e criar templos gigantes. Vamos fazer células em casa, e vamos nos reunir pra conversar, como Jesus fazia”. Então, assim, tinha esse desprendimento da religião. Então, pra mim, hoje, desde aque… Na verdade, hoje… Desde aquela época, religião já era uma coisa que eu não queria na minha vida. Eu queria a essência. Queria entender a essência. Eu queria deus como meu amigo, e não como um deus todo poderoso, e tá lá pronto pra me jogar no inferno.

Sidney: tua ênfase, teu foco era… tua preocupação era tua espiritualidade, né, mais do que tua religião.

Amanda: Exatamente. Exatamente. Então, quando aconteceu isso tudo, foi fácil pra mim me afastar da igreja, porque a igreja é uma igreja que se reconhece como uma igreja doente. Onde se esconde muita coisa, tem muito pecado. E vive repetindo que não existe pecadinho e pecadão, mas algumas coisas a gente releva, outras coisas a gente condena com mais veemência. Então, foi fácil pra mim sair dessa igreja doente. E tentar entender… Porque… É claro que, assim, apesar de eu ter me aceitado, eu precisava entender que eu não estava errada diante de deus. Então, eu comecei a procurar pessoas, dentro do meio LGBT, que tinham esse conhecimento e podiam me esclarecer coisas. E foi aí que eu achei a Teologia Inclusiva, através da pastora Lanna, que ela talvez seja pioneira no Brasil. Mas que tem uma experiência muito legal, que tem no podcast Lado Bi, que eu super recomendo às pessoas ouvirem o testemunho dela. Foi o primeiro Lado bi. O primeiro episódio do Lado Bi, que tá ela e a esposa dela, as duas são pastoras e comandam um pouco essa parte da Teologia Inclusiva aqui no Brasil, que tá cada vez mais, assim, bombando. Porque as pessoas tão saindo do armário e as pessoas não querem largar as suas religiões e seus princípios.

Sidney: Aham. Ai, eu acho esse movimento muito interessante. Mas essa vertente é muito difundida no Brasil, tu sabe dizer, Amanda?

Amanda: Sim. Assim, hoje, basicamente São Paulo e rio, você tem algumas igrejas mesmo que têm essa teologia como doutrina. Mas no restante do Brasil, eles trabalham mais com célula. Que você tem os líderes de célula, e eles se reúnem em casa mesmo. E aí, geralmente não é domingo, é dia de semana. Domingo é mais uma coisa pra você tá com a família, eles valorizam muito assim. Não é pra ficar enfurnado dentro da igreja. É pra… Né, você precisa influenciar as pessoas. Você não vai influenciar ninguém sentado no banco da igreja. (risos) Então, assim, é uma coisa que é mais orgânica, né.

Sidney: Parece ser menos impositiva, né, menos autoritária.

Amanda: Não, é total. É daquele tipo de pessoa que você… Que vai pregar pra você toda tatuada, toda… E hétero, tá. Toda tatuada, toda cheia de piercing, não sei quê… Você fala, “Nossa, você é evangélico?” “É, por quê? Só porque eu aparento…” Né, sei lá… “Eu sou esquisito, eu não posso ser evangélico?” (risos)

Sidney: Olha aí! Olha o clichê invertido.

Amanda: É, exato. Então, foi muito bacana ter esse suporte, assim. Você se achar. E eu me achei mesmo. Eu tirei todas as minhas dúvidas, eu fiquei infernizando… No bom sentido… A vida de alguns pastores, de alguns líderes que eu fui encontrando na internet, pra tirar todas as minhas dúvidas em relação à bíblia, em relação à doutrina deles, o que eles pregavam, o que eles ensinavam. Por que até hoje todas as igrejas têm esse conflito ainda, as igrejas cristãs, né.

Sidney: E tem… tu sabe dizer, assim, qual é a diferença básica pra que… Que possibilita esse tipo de interpretação da doutrina, da Bíblia? Porque são igrejas evangélicas, né, então eu suponho que a Bíblia seja a mesma, não é?

Amanda: Sim.

Sidney: Então, qual é o tipo de abertura que existe pra que essa interpretação seja possível, nessa Teoria Inclusiva, que nas outras não acontece?

Amanda: O lance é que quem tá aberto pra tentar entender as verdades espirituais que estão escritas na Bíblia, pra quem acredita, entende que existem coisas que foram modificadas, existem palavras… Por exemplo, como a palavra “homossexualismo”, ou “homossexualidade”, ou “homossexual”, que não existia nem na época que a Bíblia foi escrita. E tem essa palavra hoje, em qualquer Bíblia cristã que você pegar. Então, você sabe que isso foi modificado. Isso foi alterado. Então, quando você começa a pegar do original e começa a traduzir, você entende que foi bem… Vamos dizer assim, a igreja católica conseguiu fazer uma versão, vamos dizer assim, fechada pro objetivo dela, na época. E era escravizar pessoas. Então ,como ela não queria que o homossexualismo fosse uma verdade, ela incluiu coisas que não estão na versão real. Ou pelo menos estão de uma outra forma. Que quando você interpreta a versão real, você fala assim, “Nossa, não tem condenação nenhuma aqui”.

Sidney: É que, na verdade, a Bíblia sempre serviu a propósitos não religiosos, né.

Amanda: Sim, sempre. E acho engraçado que ela mesm… Ela mesma tenta se afastar disso, porque ela mesma fala, o tempo inteiro, que a letra mata e o espírito vivifica. Então, ou você segue aquilo que você entende como realidade espiritual pra você, ou você começa a… A realmente, como tá tudo escrito na Bíblia, tipo, a mulher menstruada tem que ficar longe das pessoas. (risos) Sei lá… É, esse tipo de regra…

Dan: Não coma carne de porco…

Sidney: Esse tipo de regras estapafúrdias hoje em dia.

Amanda: Exatamente.

Dan: Não misture mais de dois tipos de tecidos.

Amanda: Isso, exato. Então, assim, ou você segue ao pé da letra e não vive (Dan ri). Ou você tenta entender que existe uma verdade espiritual por trás daquilo ali.

Sidney: (incompreensível) daquelas palavras ali…

Dan: tem aquela parte lá, de Levíticos mesmo, que acho que “Não se deitarás com outro homem como se fosse mulher”. Eu falei, quem disse que eu trepo igual mulher? (risos)

Amanda: Mas, gente! Nem eu trepo igual mulher. (risos)Vê se pode.

Dan: Ai, falei assim, não tô pecando, não. Não deito igual mulher, querida, pode ter certeza. Estou dentro do protocolo seu, aí. Eu deito igual macho! (ele ri)

Amanda: Algumas pessoas falam-se que até essa passagem fala mais sobre sexo anal do que sobre homossexualidade.

Dan: É, eles ainda traduzem meio estranho, né…

Amanda: Mas você pergunta pra qualquer pastor aí, pode dar o cu? Pode. É claro! (risos) Dentro do casamento, você pode dar o que você quiser.

Sidney: A gente aprendeu no SAD que todas as religiões permitem, né…

Amanda: Claro. Gente, a porta de trás é a primeira porta (risos).

Sidney: está liberada pra todas.

Dan: (rindo) Ai, ai. Mas eu gostei. Engraçado, né, que quando nós te convidamos pra poder dar o seu relato aqui, eu não tinha imaginado, em momento nenhum, te ouvindo no SAD, que eu iria falar de religiosidade.

Sidney: Ta vend… tu tá ouvindo o que ele tá dizendo, né, Amanda? Tá lhe chamando de devassa!

Amanda: Olha, você me respeita, que eu sou a pastora… Olha! (risos)

Sidney: Respeita a minha história!

Amanda: Respeita a minha história… Que eu sou de 1983. (Sidney ri)

Sidney: Ai, maravilhoso.

Dan: Ai, pó…

Sidney: Amanda…

Dan: Antes do Sid fazer uma pergunta séria, eu também não sabia que você era de 1983, viu.

Amanda: Menino, melhor ano. Melhores pessoas do mundo…

Sidney: Anos 80, melhor anus, né…

Amanda: melhor anus.

Dan: É, eu também sou dos 80, mas eu achei que você tava lá beirando nos 90.

Amanda: Viado!

Sidney: Viado! Não fala isso!

Amanda: Como…

Sidney: Nascer nos anos 90 é meio heresia pra quem nasceu nos anos 80.

Amanda: Não, até 89 tá tudo bem. Eu respeito.

Sidney: Ta vendo.

Dan: é, eu te imaginei mais ou menos isso. Eu sou de 88, eu imaginei que você teria, mais ou menos, a minha idade.

Amanda: Ah, mas todo mundo me dá 27 anos. (Sidney ri)

Dan: 27 anos é minha idade oficial.

Sidney: Oficial…

Amanda: A, é? A minha também. Mais ou menos… (risos)

Sidney: Tenho 27 desde que nasci, me cuido mais que o diabo.

Amanda: (rindo) Mais que o diabo. Quero todos os desabrigados.(risos)

Sidney: Oh, eu acho que a última pergunta, pra gente já encaminhar pro final, é que você mencionou uma tal de Erika várias vezes (amanda faz um suspiro de espanto).

Dan: Quem é essa menina?

Sidney: Quem é essa menina? Erika, me beija também! Um beijo, Erika. Conta aí… como é que é, que apareceu…

Dan: Ouvintes, rapidão, ouvintes, a gente já sabe quem é Erika, a gente tá brincando. Ouçam O SAD. Ouçam o SAD. (ele ri)

Sidney: Gente, Erika. Não tem como ignorar Erika na vida, não é mesmo?

Amanda: Ouçam o “Erika’s Small Talk”, que eu preciso de dinheiro pra pagar o leite das crianças (risos).

Sidney: Ouve, gente!

Dan: Fica aí o jabá.

Amanda: Então, né. Erika. Eu tinha falado pra você que, na faculdade, naquela época lá, eu encontrei o homem da minha vida. E depois eu encontrei a mulher da minha vida.

Sidney: Oh! Coraçãozinho com a mão.

Amanda: Co… Né, bocetinha com a mão.

Sidney: Bocetinha com a mão! (risos)

Amanda: Então, Erika, a gente se conheceu nas internets da vida. A gente…

Sidney: Tem uma história de stalk aí, não tem? To sabendo…

Amanda: Pois é. Eu já ouvia a Erika, sei lá, acho que desde o SAD eu já tinha… Do SAD, oh… Do Seriadores, do SACast, eu já tinha ouvido a Erika em algum outro podcast. E aí, acabei caindo no SACast, com a Camis, que é muito engraçada.

Sidney: Ai, Camis, maravilhosa. Camis, se tu tiver ouvindo também, um beijo, sua linda! Sou seu fã desde Fringe.

Amanda: Desde Fringe. Eu odeio Fringe.(Dan ri)

Sidney: na! Olha, Ca… você n… Olha! Não brinca comigo, garota!

Dan: Não acabe com essa recepção.

Amanda: É, pois é. Então, adoro fringe… Aí, eu ouvia muito o SACast, na época era só a Camis e a Erika, porque o Leo tinha ido fazer intercâmbio, ele ficou um ano sem gravar. Aí, depois conheci o Leo, e tal. E gostava muito deles, assim, eu falava, caraca, eu preciso muito ser amiga dessas pessoas, de alguma forma. Porque eu eles são maravilhosos, e eu acho que a gente super se daria bem. Mas nunca aconteceu. Mas eu tinha as redes sociais, e tal, e dava umas cutucadas na Erika de vez em quando. Ela meio que me ignorava completamente. E aí, eu desisti. E depois, né, eu fiquei… Tava comprometida, como eu falei, né, casei, e tal. E aí, a gente nunca se falou, até que depois que eu já tinha me separado, uns meses depois de eu me separar, eu consegui falar com ela através do grupo do Seriadores. Fui brincar com ela no Desafio do Balde de Gelo. No Ice Bucket Challenge. E ela me adicionou no Facebook, no dia seguinte, me mandou um “bom dia”, que me fez abrir um sorriso de orelha a orelha, porque eu nunca tinha conseguido chamar a atenção dessa mulher por nada. E aí, a gente começou a conversar pelo Whats App, se conhecer… A princípio, pelo Facebook, depois pelo Whats App. E eu queria muito encontrar com ela. Eu já tava bastante envolvida, assim, com… Sabe, uma afliceta horrorosa, eu precisava encontrar com ela. E ela esquivando, falando, “não, porque eu vou viajar, e tal. Aí, quando eu voltar de viagem, a gente se vê, porque eu tô preparando as coisas”. E ela ia ficar 25 dias na Europa, mais ou menos. E eu falei, “Nossa, cara! A gente podia se ver antes, né. Mas, whatever”. E aí, a gente ficou se falando, mesmo ela na Europa. Mesmo com o fuso horário todo louco. Eu tava saindo do trabalho, ela tava indo dormir. A gente ficava se falando… E ela falando assim, “Ah, pra mim, você já é minha namorada”, não sei quê…

Dan: Ai, que gracinha!

Amanda: É, toda fofa. Porque Erika só é aquela bitch no programa. Mas fora, é toda fofa.

Dan: É. Assim, eu não ia falar isso não. Mas é só no programa? (ele ri)

Sidney: Olha…

Amanda: é.

Dan: Brincadeira. Mas…

Sidney: Você toma cuidado, que Erika…

Dan: Ela é a bitch que todo mundo ama.

Amanda: Pois é.

Dan: Eu já vi… Pelo menos, eu tô no 16. E já ouvi o 27, 28, 43 e o 52 e o 53…Mas…

Sidney: (rindo) Nossa! Já decorou, Amanda. Tá notando, né.

Amanda: Gente, eu vou fazer um cheklist

Sidney: O que o SAD faz com as pessoas…

Amanda: Eu vou fazer um checklist aqui, pra você ir marcando pra mim.

Dan: Mas as pessoas tem uns feedbacks que ela é a bitch que todo mundo quer amar. É mais ou menos isso mesmo.

Amanda: Mas é verdade. Ela é um doce de pessoa. Na real, assim, ela é um doce de pessoa. E aí…

Sidney: Quero ouvir a história…

Amanda: Hum…

Sidney: … Do primeiro encontro. Que eu sei que tem um troço aí… Caliente.

Amanda: Então, no dia que ela falou pra mim assim, “Estou voltando para o Brasil”, eu falei, “Então, a gente vai se encontrar essa semana”. Aí, ela, “Ah, tá bom, Mas eu vou chegar cansada”, e não sei quê… Na época, eu tava de mudança, então cansada tava eu, né. Que ela tava voltando rica e linda da Europa. E eu tava fodida aqui, me mudando de casa. E aí, ela falou pra mim assim, “Oh, o meu voo foi cancelado, entrou… A França entrou em greve, e eu vou ter que adiar meu voo, vou ter que ir só daqui a, sei lá, três dias”. E eu falei, que merda, porque ela vai voltar no sábado, vai tá morta de cansaço, e não vai querer me ver no domingo. E aí, eu falei, “Cara, então, a gente”…

Dan: Tem o Jet lag, né.

Amanda: Pois é. E aí, eu falei, então a gente vai se ver… E eu não morava mais em Bangu, então eu tinha que ir pra lá pra poder encontrar com ela. E aí, eu falei, “Ah, então a gente só vai se ver daqui uma semana, né?” Aí, ela, “não, vamo dar um jeito. A gente vai domingo mesmo, se encontrar. Vem pra Bangu que a gente vai se ver.” Aí, falei, “Ah, demorou!” Só que eu realmente tava de mudança, eu falei pra ela, “Olha só, eu to aqui, do jeito que eu tô, de short e camiseta, porque eu to no inferno de caixa” e blá-blá-blá. Ela falou, “Não, não tem problema nenhum”, não sei quê. Aí, ela falou pra mim assim, “Me encontra dentro da Loja Americana”, na parte de CD”. Ai, falei, tá bom. Aí, a gente marcou o horário. Eu cheguei lá na parte de Cd, olhei pro lado, olhei pro outro, falei, “Ué…”

Dan: Ih!

Amanda: Desistiu, né. Ai, fiquei lá olhando os Box de série, assim. De repente, olho pro lado… Tâ! Ela tava me olhando, assim, sentada num banquinho (Sidney ri). Atrás da parada de CD, assim.

Sidney: Cara de Erika!Isso mesmo.

Amanda: E eu falei, socorro. Olha com o tipo de pessoa que eu estou me envolvendo. (risos) Aí, eu fui, me apresentei, não sei quê. Ela muito tímida. Muito tímida. E pra conseguir fazer Erika falar… Hoje eu não consigo fazer ela calar a boca, mas naquele dia, fazer ela falar foi um sacrifício. E ela tinha chegado de viagem agora. Eu queria saber da viagem, me conta, não sei quê, blá-blá-blá. E ela mal conseguia falar, de tão nervosa que ela tava. Aí, eu falei assim…

Dan: Mentira! Erika?

Amanda: Sério. Erika. Gente, ela se tremia to-da! Toda. E eu assim, gente,queria beijar essa mulher. E essa mulher…

Sidney: Ali!

Amanda: Pois é. Aí, o que a gente fez? Vamos andar pelo shopping? Vamos.

Sidney: (entre risos) Ai, essa história é maravilhosa.

Amanda: Aí, entramos na RCHLO, que na época ainda era Riachuelo.

Sidney: Não tinha tirado as vogais ainda.

Amanda: Pois é. E aí, eu falei assim… Ela falou assim, “O que a gente vai fazer, a gente…” Mas ela falou meio que zoando, mas meio que real mesmo, convite, né. “A gente vai se pegar no provador?” (Sidney ri) Aí, eu peguei duas blusas que tavam, assim, sei lá, na minha frente, dei uma na mão dela e falei, “Vamo pro provador agora”. Porque, né, a gente não podia se beijar no meio do shopping de Bangu, que a gente ia levar lampadada na cabeça, com certeza.

Sidney: Uma barra.

Amanda: E aí, entramos no provador. Tipo… (ela ri) foi muito engraçado. A gente entrou no provador, e aí, eu entrei e eu achei que ela tava vindo atrás de mim. E ela entrou em outro provador, de frente pro meu (risos). Aí, eu fiquei olhando pra cara dela, tipo assim, “Você vai experimentar essa blusa?” (risos) Aí, ela, “Não, eu tô disfarçando”. Aí, veio ela, tipo assim, “Miga! Ficou boa essa blusa?”, não sei quê… E aí, entrou no meu provador. E aí, a gente se pegou pra caralho dentro do provador.

Sidney: Gente!

Dan: E nada de sair.

Amanda: Uma loucura. Uma loucura…

Sidney: Eu não sei se vocês deram essa dica lá no SAD, mas eu sempre que vou provar roupa na Riachuelo, eu entro no provador pra cadeirante. Porque eu tenho que entrar sempre com alguém pra me ajudar, né, já que eu não enxergo. E, olha, lá tem um espaço bom, viu. Eu indico.(Dan ri alto)

Amanda: Pois é. Na época, a porra do provador ainda tava em obra…

Dan: Menino!

Amanda: Então, parou na metade, assim, o negócio, o provador tinha uma parede no meio. E aí, na verdade, ela quis disfarçar, porque a menina que fica na porta do provador conseguia ver o provador inteiro. E aí, eu cagando, né. Queria só pegar ela.

Sidney: Tava nem aí…

Amanda: E aí, a gente se pegou, foi uma loucura, dentro da RCHLO. Depois a gente foi tomar um café, como se nada tivesse acontecido.

Sidney: E hoje tão aí, sendo o casal mais shipado da podosfera brasileira.

Amanda: Olha, é.

Dan: Só pra entender… Eu não entendi a piada. É Riachuelo, não era Riachuelo nessa época, não?

Amanda: Não, era Riachuelo. Agora, não é mais.

Sidney: Que agora a marca tirou as vogais, Dan. Agora é só as consoantes que aparece na logo.

Amanda: Só tem o O.

Dan: Gente, mas que bicha burra! Não tô sabendo disso. E eu entro na loja direto. E não vejo isso!

Sidney: Olha, você vê… Eu tô… Olha, eu tô revoltado aqui. To cansado de ficar indignado. Que eu que não enxergo to sabendo dessa coisa! A pessoa vem aqui…

Dan: É porque a bicha é burra. Que bicha burra! RCHLO!

Sidney: Ai, Jesus.

Amanda: Cuidado com a burra. Então…

Dan: RCHLO?

Amanda: é. Porque é R, C, L, H, O. É só isso agora. (risos)

Sidney: Eu não sei por… bom, amigos ouvintes aí…

Dan: Chocada!

Sidney: … Que trabalham com marketing e publicidade, expliquem pra nós qual foi…

Amanda: Por que a vogal não me deixa… Não me dá vontade de comprar roupa?

Sidney: Exatamente, no que a vogal atrapalha no desejo de consumo?

Amanda: Exato.

Sidney: Ai, maravilhoso, Amanda. Eu estou, assim, emocionado, porque…

Dan: Mas, gente!

Sidney: Eu ouço a voz de vocês há tanto tempo. E tá conversando contigo agora… A gente faz a íntima, assim, parece que, né, se conhece há anos, mas a gente é só creepy mesmo (ele ri)…

Amanda: A gente só conhece o anus.

Sidney: só o anus… Exatamente, vários anos. E enfim, conversar contigo tá sendo uma honra e um privilégio. Eu estou até com coraçõezinhos nos olhos aqui, porque…

Amanda: Imagina! Eu… Na verdade, a gente sempre trocou carinhas e carícias pelos comentários aí da vida, porque eu aprendi muito com você também. Então, a gente já tem uma troca que, pra mim, eu, Amanda, como pessoa física… Como.

Sidney: come? Come.(risos)

Amanda: eu tenho isso como prioridade na minha vida, pra qualquer relacionamento, seja profissional, seja amizade, familiar… Eu preciso de troca. Se eu sentir que eu só tô sendo sugada, ou que eu só tô sugando alguém, eu acho doentio. Pra mim, não serve, eu preciso de troca. Então, a gente já tinha essa troca, de eu aprender muito com você, e você aprender com a gente do SAD, e a gente se construir. Então, eu que too assim, muito lisonjeada…

Sidney: Ai, para! Eu tô todo arrepiado aqui. Para! Vamos… Vamos puxar, puxa aí, Dan, se não a gente fica aqui rasgando seda (risos).

(VINHETA: efeitos sonoros de distorção do áudio, uma voz anuncia “Momento Super heroína do dia!”)

(FADE IN E FADE OUT DA TRILHA SONORA)

Dan: Vamos pro Momento Super Poderes! E como você já ouviu o HQ da Vida, não vai ser um elemento surpresa. Mas, enfim, qual é esse super poder bissexual para combater todos os preconceitos?

Amanda: Olha…

Dan: Qual é?

Sidney: Qual é o seu…

Amanda: O meu super poder… Eu acho que… Se eu pudesse… Ai, gente, é muito clichê, eu não vou falar isso não. (Dan ri)

Sidney: Fala, viado!

Amanda: O que… O que… Eu queria força mesmo do Super Homem, bater nos… (risos) Não, é…

Sidney: Queria um olho de… Visão de calor pra queimar tudo os hétero homofóbico…

Amanda: Sim, os bolsomineon tudo, assim… Isso que eu queria, entendeu. (risos) Mas, na verdade, é assim, acho que a gente já tem esse super poder, que é… Primeiro, a gente tem canal, né, pra falar o que a gente pensa, da forma como a gente acha que é, e ter feedback das pessoas falando na nossa cara, “Não é assim, bicha, melhore. É assim…” Então, eu acho que a gente já tem esse canal de comunicação, que é o podcast, que pra mim é um super poder. Eu alcanço pessoas, hoje, que eu achei que eu nunca alcançaria. Se eu mostrasse pra vocês a quantidade de email que eu recebo, que as pessoas mandam só pra mim, por causa dessa questão religiosa, pra aconselhamento e pra direcionamento mesmo de saber que, “Ai, aqui na minha cidade você conhece alguém que eu possa procurar?” e tal. E de ter esse tipo de troca também, mesmo que seja por email, né. O poder da comunicação eu acho que eu já tenho! Então, eu já me sinto uma super mulher por causa disso.

Sidney: Ai, que maravilhoso!

Dan: Parabéns.

Sidney: Super Comunicação.

Amanda: Super comunicação.

Dan: Realmente, o podcast, ele realmente tem esse poder, né. É um super poder.

Amanda: Sim, com certeza.

Dan: Ai, Amanda, foi um prazer gravar com você. E olha que…

Sidney: Não queria acabar! Queria a noite toda, Amanda! Virar a madrugada com Mandy Minage.

Amanda: Eu queria ser mais convidada. Só isso que eu falo…

Sidney: Olha! (risos)

Dan: Fica a dica. E iremos convidá-la, sim, senhora.

Amanda: Uhu! Ainda bem que isso tá gravado.

Sidney: Quem sabe se Erika vier, né, você vem também.

Amanda: É, né. Porque onde vai a corda, vai a caçamba. (risos) Mas obrigada vocês, meninos, eu tô, assim, nossa, apaixonada por vocês dois. Eu quero botar vocês dois num potinho e botar aqui do lado da minha cama, pra eu ficar mordendo a cabeça de vocês.

Sidney: Engolir a cabeça.

Dan: Ai…

Amanda: Esse é meu carinho.

Dan: Ai, que lindo.

Amanda: Eu não falei qual cabeça. Mas… (risos)

Sidney: Qual cabeça, exatamente…

Amanda: Pode ser a que vocês quiserem.

Dan: Ok. Adorei. (risos) Mas, oh, muito obrigado, eu amei. Eu… Na verdade, você é um bônus da amizade que eu criei com o Sidney, na verdade. Que tem um monte de bônus que eu já tive nessa amizade. Eu to no lucro. É um lucro lucríssimo, na verdade.

Sidney: Ai, gente. São seus olhos…

Dan: Só que, às vezes, eu faço a vingativa, sem querer. Eu faço, “Nossa, Sidney, você já viu essa indicação, e tal? Olhe, ouça isso”…

Sidney: Olhe, é uma barra. Amanda, eu vou mandar essa barra pro SAD, repara (Amanda ri). Eu indico as coisas pra a bicha. Aí, a bicha faz, lê as coisas, assiste as coisas. Aí, vai no Facebook, diz, “Gente, olha que coisa maravilhosa que eu acabei de ler, que eu acabei de assistir. Sidney, você já viu?” Me marca na publicação. Como eu devo lidar? O que eu faço?

Dan: (rindo) Marco ele e indico pra ele. Só que a indicação era dele.

Sidney: eu indiquei! Ai, não sei lidar! Não sei lidar.

Amanda: Se fosse Dra. Amanda Nudes aqui pra te falar, ia falar, “Dá na cara dessa vagabunda!” (risos)Aprende!

Sidney: Vou marcar uma viagem aí pra Montes Claros pra dar na cara dela.

Dan: Mas agora eu já tô me vigiando. Toda indicação dele, agora, eu vou lá. Eu tenho um aplicativo que chama Listograph, eu lanço tudo. Tudo que eu… Tudo de filme que eu vejo, tudo de livro que eu leio, eu lanço lá. E tudo que eu quero ver, eu também lanço lá. Só que, aí, eu abri uma aba chamada assim, “Indicações do Sid”. (Sidney ri)

Amanda: Nossa!

Dan: Por quê? Quando ele indicar, e eu for ver…

Sidney: E eu poderia pensar que é uma grande importância. Mas, não. É só pra ele não me indicar de volta.(Amanda ri)

Amanda: Ah, entendi.

Dan: Porque, quando eu vejo, eu acho tão legal que eu lembro dele. (risos) Mas, na verdade, é meu subconsciente falando, “Foi ele que te indicou”.

Sidney: Enfim, olha só, a gente tá lavando roupa suja aqui na frente da convidada, viado!

Amanda: Adoro!

Dan: Mas, enfim. A indicação, Amanda, SAD foi do Sid. Estou amando. Estou terminando minha maratona SAD. Tão me acompanhando no trecho Montes Claros/Pirapora, Pirapora/Montes Claros. Tá sendo, assim, um prazer conhecê-los e ver as barras. E agora eu to começando a conhecer Sebentinho…

Sidney: A mitologia… (Dan ri)

Amanda: Menino!

Dan: Eu quero saber o que vai acontecer com a história de Sebentinho.

Amanda: Melhor fanfic que você respeita.

Sidney: Fica aí a dica, né. Se quer saber mais sobre Sebentinho, SAD No Ar.

Dan: Sebentinho podia ser transcrito e virar um livro.(Sidney ri)

Amanda: Com certeza.

Sidney: Ai, já teve esse plot.

Amanda: E eu vou te falar uma coisa, eu vou revelar uma coisa aqui que eu nunca falei no SAD…

Dan: Pâ!

Amanda: Mentira, eu não sei se eu já falei no SAD. Mas eu sei quem escreveu a história de Sebentinho.

Sidney: Nacredito!E você vai deixar esse cliffhanger aqui, não vai nos revelar? É isso, confere?

Amanda: Vou. Se vocês me convidarem mais 75 vezes, eu revelo (Sidney ri).

Sidney: Que absurdo!

Dan: Já que a gente tá no plot religioso, 70 vezes 7, né.

Amanda: (suspiro de espanto) Caraca! Zerou a vida agora. É isso. 70 vezes 7.

Dan: (ele canta) 70 vezes 7 é sempre mais uma vez!

Amanda: Olha aí…

Dan: Fiz escola evangélica, viu. Isso era um hino…

Amanda: é mesmo? Gente!

Dan: (ele canta) 70 vezes 7 é sempre mais uma vez!

Amanda: É isso aí…

Dan: Nossa, minha voz cantando é horrível. André…

Sidney: Não tenho paciência pra 70 vezes 7…

Dan: … coloca uma voz bem gostosa, porque eu não sei cantar (Amanda ri).

Sidney: bota um autotune aí.

Dan: Enfim, e, André, não reclame, pode deixar essa parte do áudio. Que André fala assim, “Não fica dando tchau e não dá tchau”. Não fica dando tchau, e não dá tchau.(Amanda ri)Então, vamo dar tchau para nossos ouvintes…

Sidney: Dá tchau só uma vez, viado, e acaba!

Dan: Uma vez só. E agora, a gente vai dar tchau mesmo. Então, vamos dar tchau pra todo mundo? Tchau!

Sidney: Tchau, tchau!

Amanda:Tchau!

(FADE IN E FADE OUT DE TRILHA SONORA)

Dan: Gente, depois desse tanto de tchau. Aquele tchau na porta, aquele beijinho, aquele abraço que nunca quer ir embora.

Sidney: Não quer de jeito nenhum. Fica para sempre! Vamo ser viado pra sempre, Amanda!

Dan: Vamos finalizar o programa. E qual é a dica de hoje, Sidney?

Sidney: Então, a dica de hoje é muito especialzinha, assim, coraçãozinho com a mão. Bocetinha com a mão, como diz o pessoal lá do SAD. Que é a série maravilhosa “Grace and Frankie”, que voltou na Netflix, na sua terceira temporada. E eu confesso que eu estava atrasado, porque eu só tinha assistido a primeira. E já era uma série que aquecia meu coração. E quando eu assisti o primeiro episodio da segunda temporada ainda, que eu voltei a assistir essa semana, nossa, que… Olha, eu fico, assim, emocionado de ver que tem um pessoal tão sensível fazendo esse tipo de série, que é dramática, mas é cômica. É leve, mas trata de assuntos sérios com responsabilidade. E assuntos que as pessoas não tratam, viram os olhos. Que é falar sobre sexualidade na terceira idade, e ainda mais homossexualidade também, por causa do plot. Tu quer contar o plot, como é?

Dan: Não, não. Pode continuar. Tá ótimo.

Sidney: Que a série trata de… A Grace e Frankie são irmãs, já de idade avançada, que de repente os respectivos maridos revelam pra elas que eles têm um caso há 20 anos, já vêm com esse caso. E que finalmente eles decidiram se separar pra casarem os dois, né. E aí, a série é toda focada em como a Grace e a Frankie vão lidar com isso daí pra frente. Olha, maravilhoso. Eu recomendo. Só amor nessa série.

Dan: E outra coisa, pensar a homossexualidade na terceira idade é algo, assim, punk, né.

Sidney: E pensar também a sexualidade feminina na terceira idade, que também é trabalhada, né, com as protagonistas. Ah, é uma série muito boa.

Dan: E só um adendo aqui, Sidney, é que na verdade elas nem eram irmãs. Elas nem eram amigas, elas eram meio que inimigas. Porque a Frankie tem um estilinho diferente da Grace, mas enfim… Vale a pena assistir.

Sidney: Não são irmãs? Eu pensei que eram irmãs…

Dan: Não, não. São meio que… Até antipatizavam uma à outra.

Sidney: rivalizavam, né.

Dan: Isso.

Sidney: Ah, não fiq… Enfim, mas, olha, todo mundo assiste, tá. E dá joinha, dá 5 estrelas lá.

Dan: Vale a pena. Enfim, vale a pena assistir essa série, e também não pensar só no arco da história delas, mas no arco da história de todos ali, que cada um tem um plot específico.

Sidney: Uma historinha bonitinha…

Dan: é, uma historinha pra poder contar…

Sidney: E como é comédia, os episódios são curtos, só 30 minutos cada episódio. Você mata assim, oh (ele estala os dedos). num piscar.

Dan: E vamos falar de redes sociais. Estamos em quase todas.

Sidney: (rindo) Quase todas! Ai, Jesus, vamos lá. Se você quer mandar uma barra de vida, aqui, né, faz o SAD com a gente, e manda uma barra de vida, quer mandar sua bronca, sua crítica, seu elogio, envia pra gente no hqdavida@gmail.com; você quer interagir com a gente no Facebook, você vai lá na nossa Fanpage, que é facebook.com/hqdavida; a gente também está no Twitter, que é @hqdavida; também temos o nosso canal no Youtube, onde os nossos podcasts também são publicados, você pode ouvir por lá também, procurando por “HQ da Vida Podcast”. Sempre lembrando, muito importante ressaltar que todos os nossos episódios têm transcrição e elas são sempre publicadas no nosso Medium, você vai lá no Medium e procura por @hqdavida e nos segue lá também. Sem esquecer de nos dar 5 estrelinhas no iTunes, pra a gente subir e superar essa barra que é estar na podosfera.

Dan: E siga a gente no Sound Cloud, que é também soundcloud.com/hqdavida; é isso aí, pessoal. Temos um programa.

Sidney: Temos, sim. Maravilhoso.

Dan: Então, é isso. Tchau, tchau.

Sidney: Xero!

(FADE IN E FADE OUT DE TRILHA SONORA)

FIM

Transcrito por Sidney Andrade.