Incertezas e escândalos marcam semana na política nacional

Presidente Michel Temer faz pronunciamento após delação da JBS (Evaristo Sá/AFP)

A política brasileira foi abalada na quarta-feira (17/5) com a revelação do jornalista do O Globo, Lauro Jardim, de que o presidente Michel Temer haveria negociado o silêncio do ex-parlamentar Eduardo Cunha, preso na Operação Lava Jato. As consequências, tanto econômicas quanto políticas, são analisadas pela cientista política e professora da ESPM-Sul, Ana Simão, e pelo professor e coordenador do núcleo de economia empresarial da ESPM-Sul, Fabio Pesavento.

No dia 12 de maio, na comemoração de um ano de governo, o próprio presidente Temer afirmava a sua expectativa com a melhora na economia após o avanço no Congresso das reformas da previdência e trabalhista. Com a informação de que Temer autorizava uma mesada a Eduardo Cunha, a economia brasileira voltou a retroceder, com uma alta de mais de 8% do dólar, forçando uma intervenção do Banco Central: “Ontem, já foram 4 bilhões de dólares empregados pelo Banco Central na economia para aumentar a oferta e diminuir o valor. Hoje, 2 bilhões já foram utilizados”, explica Pesavento.

Existem outros aspectos além da crise política que interferem na economia, como a taxa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), a taxa básica de juros da economia utilizada no mercado interbancário para o financiamento de operações com duração diária e a garantia do crédito em títulos públicos federais. “Ela vinha caindo progressivamente. Era esperado que caísse cerca de um ponto percentual, agora com a crise, não se tem mais esta certeza”, lembra o economista.

Além destes indicadores econômicos, as reformas que transitam no Congresso, tanto a trabalhista quanto a previdenciária, estariam ameaçadas: “Essas reformas, de fato, num período curto de análise, estão praticamente fora da agenda”, destaca Ana Simão. Estas reformas são importantes para o governo, reforça Pesavento, já que com elas, pode ocorrer uma redução dos juros. Com um maior controle de gastos a partir da reforma previdenciária, os juros no mercado tendem a ser menores.

Há outros complicadores na governabilidade do governo Temer, como a saída de partidos da base aliada e aumento da desconfiança no governo, ainda mais com o julgamento de cassação da chapa Dilma-Temer, marcado para o dia 6 de junho, como lembra a professora Ana Simão. O fato positivo é que a equipe econômica, inclusive o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, permaneceu. Os índices da BOVESPA voltaram a crescer, pouco mais de 2,5%. A intervenção de US$ 6 bilhões pelo Banco Central no mercado teve um efeito na cotação do dólar, que teve uma queda diária de quase 4%, nesta sexta, 19 de maio.