Mulheres que se destacam na história da fotografia

Os grandes nomes femininos em um campo marcado pela predominância da figura masculina

Annie Leibovitz — A foto como espetáculo

Natural de Waterbury, Connecticut (EUA), Leibovitz pretendia estudar pintura no Instituto de Arte de São Francisco. Porém, mudou de ideia ao viajar com a mãe para o Japão e lá descobriu seu interesse pela foto. Ao retornar para os EUA, tinha aulas de fotografia à noite. Em 1970, apresentou-se ao fundador e editor da revista Rolling Stone, Jann Wenner, que abria uma redação da revista na cidade de São Francisco. Wenner ficou impressionado com seu trabalho e logo deu sua primeira tarefa: fotografar John Lennon.

Além de Lennon, Annie registrou outros grandes nomes da música para a revista, como Bob Dylan, Bob Marley e Patti Smith. Em 1975 foi a fotógrafa oficial da turnê mundial da banda Rolling Stones. Em 1980, horas antes de John Lennon ser morto, ela foi enviada para fotografar ele e Yoko devido ao lançamento do álbum do casal, o que resultou na icônica foto de capa de John nu enquanto abraça Yoko totalmente vestida. Em 2005, essa capa foi eleita a melhor capa de revista pela Sociedade Americana de Editores de Revista. Até hoje, Annie já fotografou inúmeras celebridades, como Brad Pitt, Michael Moore, Bill Clinton, Mikhail Baryshnikov e Ellen DeGeneres.

A icônica capa da revista Rolling Stone. Annie Leibovitz, 1980

Conheceu Susan Sontag, sua companheira, em 1989 enquanto fotografava-a durante a publicação do livro de Sontag, AIDS and Its Metaphors. Seu relacionamento com Sontag durou até 2004 quando a escritora faleceu. Maior nome da fotografia pop, Leibovitz é até hoje considerada uma das maiores profissionais e continua trabalhando para a Rolling Stone, além de inúmeros trabalhos para os quais é contratada, como fotos para divulgação de filmes, artistas e músicos. Entre as inúmeras honrarias já recebidas, estão a Ordre des Arts et des Lettres pelo governo da França. Annie foi considerada uma lenda viva pela Biblioteca do Congresso norte-americano.

Dorothea Lange – O registro da depressão

Filha de imigrantes alemães, Lange nasceu em 1885 em Hoboken, Nova Jersey (EUA). Aos 12 anos seu pai abandonou a família e Lange passou a usar apenas o sobrenome de sua mãe, antes era Dorothea Margaretta Nutzhorn. Outra experiência traumática quando criança, foi ter contraído poliomielite, o que comprometeu o movimento de sua perna direita ao longo de toda sua vida. Ela estudou fotografia com Clarence H. White, em Nova York, e também trabalhou informalmente em diversos estúdios da cidade.

Mudou-se para São Francisco em 1918, onde passou o restante de sua vida. Lá, abriu um estúdio próprio que foi um sucesso imediato onde trabalhou durante 11 anos. Porém, com a crise de 1929, passou a registrar os desabrigados e moradores de rua da Baía. O reconhecimento do trabalho levou-a a ser contratada pela Administração de Reassentamento Federal (FSA), onde ficou famosa por registrar famílias sem-terra e trabalhadores imigrantes.

Crianças nipo-americanas saudando a bandeira norte-americana. Dorothea Lange, 1942

Dorothea ganhou a Bolsa de Estudos Guggenheim, em 1941, por sua habilidade artística, mas rejeitou-a para cobrir a forçada realocação de nipo-americanos pela Autoridade de Realocação de Guerra (WRA), após o ataque de Pearl Harbor. Em 1952 ela participou da fundação da revista fotográfica Aperture e a partir de 1945 atuou como professora na California School of Fine Arts. Durante as suas duas últimas décadas de vida, sofreu de vários problemas de saúde, como problemas gástricos e úlceras. Faleceu em 1965, aos 70 anos, de um câncer de esôfago.

Vivian Maier – A cobertura do cotidiano anônimo

Nascida em Nova York (EUA), em 1926, a babá da família Gensburg foi criada durante infância e adolescência na pequena cidade francesa de Saint-Julien-en-Champsaur. Começou a fotografar com uma máquina fotográfica Kodack Brownie, uma câmera amadora e rudimentar, aos 23 anos. Dois anos mais tarde, em Nova York novamente, Maier comprou sua primeira câmera capaz de suprir suas ambições, já que a primeira não tinha controle de foco ou de abertura do diafragma e apenas uma velocidade de obturador. Sempre viveu de forma modesta e tinha grande dedicação no seu hobbie, quando passou a morar em Chicago, em 1956, seu banheiro servia como sala escura para revelar suas fotos.

Moradores de rua de Nova York. Vivian Maier, 1953

Por ter vivido em duas das maiores metrópoles norte-americanas, Maier retratou o dia-a-dia das cidades. Fotos das classes mais altas, moradores de rua, crianças, idosos, qualquer um pode ser parte de sua arte. A maior parte dos trabalhos revelados são das décadas de 1950 e 60, mas se sabe que ela manteve esse hobby até o fim de sua vida em 2009. Apesar de uma obra estimada em mais de 100 mil negativos de fotos, seu trabalho só passou a ser estudado e explorado em 2008, um ano depois que John Maloof e outros compradores adquiriram caixas de negativos em um leilão para quitar dívidas de Vivian.

Ela tinha uma vida discreta, seu trabalho era desconhecido até pelos mais íntimos em sua vida. Seus milhares de negativos e fotos só foram revelados por um acaso. A “Mary Poppins” da família Gensburg criou os irmãos John, Lane e Matthew como uma mãe e a partir do momento em que começou a trabalhar para a família, começou a fotografar compulsivamente. Apesar de ter sofrido por problemas econômicos, a foto manteve-se até o fim de sua vida.

Diane Arbus – A retratação do excêntrico

Filha de David Nemerov e Gertrude Russek Nemerov, comerciantes donos de um estabelecimento na Quinta Avenida, uma das principais de Manhattan, Arbus nasceu em Nova York (EUA), em 1923. Casou-se aos 18 anos com Allan Arbus e assumiu seu sobrenome. Como ambos sempre se interessaram pela fotografia, passaram a trabalhar profissionalmente com isso. Allan foi fotógrafo da Signal Corps, divisão do exército norte-americano especializado em comunicação, durante a Segunda Guerra Mundial, e Diane era fotógrafa de publicidade da loja de seus pais.

Criança brincando com uma granada de mão de brinquedo no Central Park. Diane Arbus, 1962

Depois da Guerra, o casal abriu seu próprio estúdio chamado “Diane & Allan Arbus”. Lá, trabalharam durante dez anos fazendo fotos para Glamour, Vogue e outras publicações de moda, apesar de ambos terem declarado odiar o mundo fashion. A partir de 1956, Diane deixa esse mundo da moda para fotografar o que fez sua fama e seu verdadeiro interesse, a realidade e as diferenças. Ela retratou artistas circenses, crianças brincando nas ruas, prostitutas, travestis e mantinha amizades com seus modelos para registrá-los em diversos momentos de suas vidas. A qualidade estética não era o foco de seu trabalho, e sim o impacto gerado por suas fotos.

Foi professora na Parsons School of Design e na Cooper Union durante a década de 1960. Diane teve sua primeira grande exibição em 1967 junto de Garry Winogrand e Lee Friedlander, chamada de “New Documents”, foi exposta no MoMA com a curadoria de John Szarkowski. Em 1969 separou-se de Allan e entrou em séria depressão. Dois anos mais tarde, cometeu suicídio aos 48 anos.

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