Afinal, no futebol, dinheiro ganha título?

Hugo Alves
Sep 7, 2018 · 4 min read
Foto: Aurelien Meunier/Getty Images

O CIES Football Observatory, grupo voltado a estudar o futebol mundial, divulgou no início deste mês (setembro de 2018) um relatório dissecando financeiramente as cinco grandes ligas no período entre 2010 e 2018. A análise, no entanto, fomenta uma velha discussão: dinheiro ganha título? É com base nela que farei, neste texto, um contraponto entre os vencedores e os gastadores.

Antes de mais nada, seguem abaixo os dados oficiais divulgados pelo observatório e que podem ser conferidos no site oficial do projeto (www.football-observatory.com).

Como já era de se esperar, a liga com maior movimentação financeira via transferência é a Premier League, seguida de longe pela Serie A. Já de cara, podemos traçar um paralelo entre a competitividade da competição com as cifras gastas para adquirir atletas. Ou seja, quanto mais competitivo é um campeonato, maior é o esforço para reforçar o plantel.

Mas, seria o campeonato espanhol menos competitivo do que o campeonato italiano? Essa pergunta requer uma análise mais longa e, para não fugirmos do foco financeiro do texto, penso que o aumento do gasto represente proporcionalmente o buraco em que estavam times como Milan e Inter.

A liga italiana já foi, durante um bom tempo, a competição mais importante do continente (quiçá do mundo) e, após a crise, caminha para se restabelecer. Não é preciso muito para entender. Na Espanha temos três times fazendo investimentos milionários anualmente enquanto na Itália temos ao menos cinco equipes. Não estamos discutindo qualidade do futebol apresentado, mas capacidade financeira para se reforçar.

Corroborando com o argumento, Bundesliga e Ligue 1, competições dominadas por apenas dois clubes nos últimos anos, não fazem nem mesmo cócegas na líder Premier League.

ps: deixo claro desde já que a Uefa Champions League merece um capítulo separado nessa história, então não comece a criar teorias e conflitos entre as ligas e a representatividade delas no quesito títulos europeus

Mas e aí, quem mais investiu foi quem mais ganhou?

Segundo a tabela acima, o clube que mais investiu em contratações nos últimos anos foi o Manchester City, com assustadores 1 bilhão e 470 milhões de Euros gastos em aquisição de novos atletas. Logo em seguida, o também bilionário Chelsea com “apenas” 160 milhões a menos do que o seu adversário de Premier League. Barcelona, PSG, Manchester United, Juventus e Liverpool completam o clube dos bilionários.

Nos últimos oito anos, tempo delimitado pela pesquisa, desconsiderando a Champions, que como eu disse aparecerá no próximo tópico, City, Chelsea e United dominaram o campeonato nacional. PSG foi soberano na Ligue 1, o Barcelona reinou absoluto na Espanha, perdendo apenas três campeonatos e a Juventus perdeu duas taças apenas, estando atualmente em uma sequência de sete títulos consecutivos.

Ao que parece, dinheiro realmente ganha título, não é mesmo? Mas te convido para mais uma reflexão.

E a Champions League?

Até aqui, é muito notório que os clubes que mais investiram estiveram no topo mais de uma vez em sua história recente. Os que não conseguiram, fizeram altos investimentos justamente para retomar um patamar antes tido como padrão, como é o caso do Liverpool, que segue sua luta para sair da fila na Inglaterra.

No entanto, o que tem mais peso? Campeonato nacional (desconsiderando as copas pelo pequeno peso que elas possuem) ou Uefa Champions League? A resposta me parece muito clara.

Foto: Shaun Botterill/Getty Images

Dessa forma, ao puxarmos os últimos campeões da competição mais importante da Europa, entramos em um pequeno contra-senso. Se até aqui era evidente que quem mais investia era quem tinha mais retorno, o Real Madrid quebra todo esse argumento com suas quatro conquistas continentais nesse período. Outro gigante, o Bayern de Munique, 19º clube na lista, reina absoluto no seu país e também conquistou uma Liga dos Campeões. E agora?

A verdade, no final das contas, é que existem times e times e todos estão sujeitos aos caprichos do esporte. O Real Madrid é um clube completamente diferente em competições eliminatórias e, segundo os mais românticos, usa o peso da camisa nesse tipo de competição.

Foto: Jasper Juinen/Getty Images

Em 2012, por exemplo, o Chelsea de Di Matteo derrotou grandes times, inclusive o Barcelona de Guardiola, com um plantel muito inferior. O time que derrotou o Bayern na final em Munique, por exemplo, é assustador, mas reforça que, principalmente em competições mata-mata, dinheiro pouco importa.

Casos como do Leicester, campeão da Premier League, são exceções que confirmam a regra: para ser campeão das competições disputadas por pontos corridos, aquele que mais investe sai na frente. Quanto melhor e maior for o seu plantel, menos problemas você terá ao longo das 38 rodadas. Agora, quando o assunto é confronto eliminatório, vence aquele que tem que vencer, com toda a injustiça que é peculiar ao esporte.

Textos diversos sobre o esporte bretão você encontra aqui no medium.com/futz ou lá pelo twitter.com/hgdca

Hugo Alves

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20, jornalista | apaixonado por ler e contar histórias

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