A expectativa x realidade que confunde o torcedor médio do Bahia

Um dia seguinte após o broxante empate do Bahia com a Chapecoense — quinto jogo seguido do Showhia sem vencer como mandante na Jungle League 2019 — pipocou no meu zap um áudio de um típico torcedor médio tricolor cheio de ódio com a produção do seu time no Campeonato Brasileiro.
Treinado por Roger Machado, o melhor time do Nordeste na atualidade ocupa a 9° colocação na tabela do possante certame nacional e hoje está a 5 pontos do G-6, aquele grupo cada vez maior e que coloca o seu time na Libertadores da América.
Faltando sete jogos para terminar a Jungle League (JL para os íntimos), o Bahia ainda tem chances de jogar o torneio obsessão dos latinos. Provavelmente não irá conseguir, mas está botando as caras, e isso, a princípio, já é um feito enorme.
Mas claro que o torcedor médio tricolor não irá raciocinar assim. 🤪
Para o torcedor médio tricolor, “Roger não é treinador de time grande”. Rolou isso em outro áudio que pipocou semanas atrás e frases descrentes para com o trabalho do Mister Machado são abundantemente proferidas num misto de irracionalidade e puro oportunismo. Chorume moderno.

Nas 31 rodadas de Campeonato Brasileiro até agora, o Bahia de Roger certamente faz uma campanha acima das expectativas. O time do treinador de 44 anos vive a sua fase de maior exposição coletiva e individual, mas que não descredibiliza a boa campanha confortavelmente longe da zona de rebaixamento e que muito provavelmente será suficiente para conseguir um lugar na Sul-Americana 2020.
Mas claro que o torcedor médio tricolor não irá raciocinar assim. 🤪
Para o torcedor médio tricolor, “o Bahia é só marketing”. As famosas ações afirmativas promovidas pela diretoria azul, vermelha e branca, que dão visibilidade e credibilidade ao clube, são constantemente vistas pelos torcedores médios como uma cortina de fumaça, ou sei lá o que eles falam para tentar cornetar burramente as sábias ações de Bellintani e sua trupe.
No mundo ideal, o Harry Potter do Fazendão não era para ser o rosto do vanguardismo tricolor e não tem a minha total confiança, mas por hora vem sendo necessário.
Bem que eu queria o meu time sendo pauta do Redação Sportv sempre que possível, mas voltando ao campo e bola, o fim da temporada 2019 vem expondo o time de Roger. É nítido que o Bahia, talhado para ser um time de contra-ataque, atua mal quando é mandante e necessita propor jogo. O leque ofensivo chega a ser nulo, como foi no primeiro tempo contra a Chape, uma das piores atuações do Showhia no ano.

Roger não consegue elevar o nível do Bahia por alguns motivos. Primeiro que, como vocês já deveriam estar cansados de saber, desenvolver a arte de atacar é bem mais difícil que desenvolver o ato de defender, logo, é normal que exija-se mais tempo no aprimoramento da nobre arte do ofensivismo. Outros sintomas óbvios do teto do Bahia em 2019 passam pela oscilação natural do nível técnico e físico de alguns atletas já em fim de temporada e a falta de profundidade do elenco.
Não é à toa que o Flamengo e o Palmeiras irão disputar o topo da Jungle League pelos próximos anos. Mais dinheiro demanda mais poder de investimento que resulta em um time mais capacitado, em quantidade e qualidade. Lógica futebolística básica.
Dentro da sua realidade financeira atual, o elenco do Bahia foi montado de forma digna e nas mãos de um técnico bom como Roger consegue se manter no Top 10 do Brasileiro. Nas mãos de um técnico ruim, e eles ainda existem aos montes no Brasil, certamente não teria tanto conforto na tabela como já tem.
Para um time que até ontem lutava para não ser rebaixado, ter como expectativa um Top 10 já é uma coisa alta, imagine Libertadores da América. Ficar longe da zona de rebaixamento e conquistar uma vaguinha para a próxima Sul-Americana, torneio que times como o Bahia precisam dar mais atenção, é um saldo mais que positivo para Roger e os seus rapazes.

Os caras simplesmente esquecem que até anos atrás o Bahia estava totalmente jogado na merda e que o processo de reconstrução começou bem recentemente. O Novo Bahia ainda está em fase de “baby steps” e o planejamento não pode ser abortado por pressão gerada pela irracionalidade de torcedores médios. Acredito que a diretoria tricolor saiba muito bem disso.
Ano que vem, com mais tempo de trabalho, uma pré-temporada realizada e possivelmente jogadores mais qualificados e elenco mais profundo, a reconstrução tricolor tem tudo para dar o seu próximo passo. E não há dúvidas de que Roger, que já demonstrou ter cartel ofensivo em trabalhos anteriores, é o nome.
A ver.
