Além de músico, o que é que fazes?

Tive a oportunidade de acompanhar alguns concertos de uma banda de Beirute que esteve recentemente em Portugal.

Tudo malta porreira, mais uma confirmação de que somos todos parecidos neste mundo, temos é a mania de enaltecer as diferenças e dar-lhes uma conotação negativa.

Numa conversa com o baterista, depois do último concerto que deram em Portugal ele perguntou-me:

“Além de músico, o que é que fazes?”

Aquela pergunta não me é nada estranha. Respondi que era consultor informático numa prestigiada, internacional, burocrática e vazia firma e que trabalhava nuns escritórios anónimos de outra fabulosa empresa em regime de outsourcing.

Ele respondeu que era também era engenheiro e que todos os músicos têm dois trabalhos.

E é isso. Grande parte de nós músicos (arrisco a dizer a esmagadora maioria) cria, produz, edita, gere, inspira, promove, vende, cultura em regime de part-time, em paralelo com outra actividade mais…digamos…importante.

A cultura de forma geral é deixada para segundo ou terceiro plano. Para fazer em cima do joelho, como um hobby.

Fico a pensar que se calhar estamos a roubar empregos ao fazer tudo ao mesmo tempo. Imagino que se deixasse de trabalhar como consultor e me dedicasse inteiramente à música, o meu lugar ficaria disponível para outra pessoa. Que pensamento tão parvo.

Não sei se existe a noção que quando vamos ver um concerto, provavelmente, os músicos também pagaram para ali estar e a noção de profissional (no sentido de viver da música) não existe na realidade.

A pergunta surge então: Uma vez que a música é omnipresente, em todo o lado é utilizada e que o mundo não era o mesmo sem música. Quem ganha com isto tudo? Quem perde? Ou quem fica na mesma?


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Se quiseres ouvir o que faço: inmyths.com

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